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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Uma arte por dia #04

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Desta vez não é uma obra, é uma artista:
CACILDA BECKER!

Cacilda Becker (1921-1969)
Quando Cacilda Becker morreu, em 1969, no intervalo de uma peça que representava para estudantes, em São Paulo, a classe teatral se declarou órfã. Carlos Drummond de Andrade expressou seu luto no poema Atriz, e, em um só verso, retrata Cacilda por inteiro: “Era uma pessoa e era um teatro”.

Cacilda tinha 48 anos, 30 como atriz, e já era um mito, considerada a primeira grande diva do teatro brasileiro, imortalizada pela paixão com que vivia sua arte. Em 1994, no dia em que se completavam 25 anos de sua morte, a Cia. De Teatro Uzina Uzona, celebrou a vida da atriz encenando a peça Cacilda!!!, do ator e diretor José Celso Martinez Corrêa.
Fredi Kleeman/Acervo ParticularCacilda Becker (1921-1969)Ampliar
  • Cacilda Becker (1921-1969)
Cacilda Becker Yáconis (é irmã da também grande atriz Cleyde Yáconis) nasceu em Pirassununga, interior de São Paulo, em abril de 1921. Iniciou-se na arte como bailarina, tentou ser pintora. A convite de uma amiga, foi para o Rio de Janeiro e estreou dirigida por Paschoal Carlos Magno em um espetáculo do Teatro do Estudante Brasileiro. “Quando encontrei o teatro, foi como se tivesse encontrado todas as artes que desejaria conhecer”, lembrou a atriz muitos anos depois.

Em 1942 voltou para a terra natal, para cuidar da mãe doente e lá ficou dois anos, trabalhando numa companhia de seguros. Nova passagem pelo Rio e a volta definitiva a São Paulo, onde deu aulas sobre comédia, na recém-fundada Escola de Arte Dramática. Integrou o lendário Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), com Ziembienski e Adolfo Celi, interpretando papéis em peças tão diferentes quando Antígona e A dama das camélias, mas foi com um papel masculino, em Pega Fogo, de Jules Renard, que se transformou em uma paixão dos que amam o teatro, encantando o público, avassalando atores e diretores, sob aplausos constantes da crítica.

Nove anos depois, funda sua própria companhia, o Teatro Cacilda Becker, junto com o marido, o ator Walmor Chagas, com quem teve uma filha, Maria Clara. No TCB, Cacilda interpretou peças de Ionesco, Dürrenmatt, Albee e Becket, introduzindo estes autores nos palcos brasileiros. No livro Uma atriz: Cacilda Becker, de Nanci Fernandes e Maria Theresa Vargas, Ziembinski relembra o alívio que foi para a atriz representar na sua própria companhia, livre de qualquer interferência ou compromisso que não fosse com o teatro.

Cacilda passou por períodos tão duros na vida que, na adolescência, roubou um pé de verdura em uma horta e, por má sorte, feriu o pé, contraindo tétano. O ferimento passou, mas a lembrança amarga ficou: “A fome é o que me dói até hoje”.
 Fonte:
Livro 100 Brasileiros (2004)

segunda-feira, 25 de março de 2013

Relações Públicas e a arte.

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Daniel Cerqueira
 
No papel de ator (temos muitos papéis na vida), sempre me incomodou a visão "romântica" do artista como algo fora da sociedade.

Vivemos na era da tecnologia e as pessoas recebem milhares de informações a cada hora, seja pela tv, pelo rádio, pela internet, no sms, no iphone, em outdores, cartazes, jornais, etc...

Fixar uma delas na memória é tarefa árdua diante de tantas opções.

Por isso, o papel dos afetos está diretamente relacionado à memória. Guardamos aquilo que está presente no nosso cotidiano, que se comunica com a gente, que, de alguma maneira, faz parte da nossa rotina.

As Relações Públicas (profissão especializada em criar e manter, por meio da comunicação, um relacionamento com os públicos de interesse de uma organização) vêem crescendo como área, na medida em que as informações se multiplicam e as pessoas tem dificuldades em memorizá-las.

Muitos setores já entenderam isso e têem investido nessa área.

Na arte, ainda há uma resistência à isso!

A "classe", em geral, morre de medo de se relacionar com seus públicos, por achar que isso a torna mais comercial e menos artística, o que não é uma verdade absoluta.

Creio que o artista é aquele que tem algo a dizer à sociedade. Seja algo social, político ou algo altamente subjetivo e emocional. Logo, sua função só tem sentido se atingir cada vez mais pessoas, pois estará potencializando-a.

Na visão "romântica" o grupo se consolidará e com isso ampliará seu público. Não é errada essa visão, mas apenas descolada da era em que estamos e, mais, descolada das condições necessárias que um artista precisa ter para sobreviver e continuar a fazer a sua arte.

A palavra comunicação vem do latim communicatione  e significa, dividir algo com alguém, repartir, partilhar, ou seja, é o processo que visa a estabelecer uma conversa, manter uma relação, transmitir uma mensagem, partilhar ideias ou sentimentos.


Nesse sentido, criar estratégias de se comunicar constantemente com seus públicos, dividir referências, inquietações, criações e processos é condição para criar os afetos que os levará a ver a sua obra e, com isso, consolidar e ampliar ainda mais o número de receptores do seu trabalho. Aquele grupo ou artista que não faz isso, não poderá depois lamentar que ninguém, ou sempre os mesmos, vão ver suas peças. Grandes grupos se tornaram grandes quando perceberam que a comunicação é uma grande ferramenta de interação e atração das pessoas para a arte que estes fazem. 

 Eu creio nisso: no papel da comunicação como potencializadora do meu trabalho artístico!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Mirada 2012: Los Autores Materiales

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Esta é a segunda vez que acompanho o Mirada - Festival Ibero-Americano de Teatro de Santos, o melhor festival teatral do Estado de Sp, sem dúvida. (se quiser ver o que publiquei em 2010, clique aqui)

O Espetáculo "Los autores materiales", da cia. LA MALDITA VANIDAD, da Colômbia, é um bom espetáculo. Seus atores lidam bem com as tensões deste drama e a interpretação realista é muito bem construída, com a cena ganhando tensão a medida que o tempo passa e, para deleite do público, trazendo o desfecho inesperado de todo bom drama.

Apesar de todos o elenco ser bom, a atriz Ella Becerra se sobressai pelas nuances com que faz a faxineira. Sem exageros nas caras e bocas, mas com ações físicas e vocais que dão o contorno à personagem ela nos guia o tempo todo.


No entanto, o que ressalta acompanhando esses dois festivais, e correndo o risco de tomar o todo pela parte, é o quanto o teatro no Brasil está muito além do que se produz na América Latina, Portugal e Espanha.

Basicamente porque a ampla maioria ainda trabalha com o realismo/naturalismo. Sem dúvida uma faceta importante do teatro e que em espetáculos bem feitos como Los autores Materiales nos deixam satisfeitos por termos saído de casa.

No entanto é pouco diante do que a história ocidental e oriental do teatro já produziu, desenvolveu e pesquisou. 

Até hoje não vi um grupo desses países que tivesse uma 
linguagem como o nosso Lume, de Campinas, a Cia Luis Louis, de São Paulo, a Sutil Cia de Teatro, de Curitiba ou o Teatro da Vertigem, também de São Paulo. Isso só para citar alguns poucos exemplos de grupos que pesquisam diferentes linguagens teatrais e que chegam a resultados, na sua maioria, arrebatadores de sensações e pensamentos para quem os vê.

Ainda assim, é muito bom poder ter esse festival acontecendo regularmente. E que venham mais!




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Em cena, o arte-educador.

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Desenvolver um trabalho de arte-educação em teatro não é das tarefas mais fáceis. Especialmente quando o trabalho é desenvolvido em comunidades de baixa-renda.
Em primeiro lugar, pesa a formação do profissional. O arte-educador, em geral, é ou artista ou pedagogo. Quando artista, não sabe lidar com dificuldades da prática educacional do dia-a-dia. Quando pedagogo, não tem muito repertório artístico para aprofundar o que a criança/jovem produz.
No primeiro caso, o profissional precisa correr atrás: conhecer as fases de desenvolvimento de Piaget, estudar e vivenciar a educação libertária de Paulo Freire, entender o que Vygostsky trouxe sobre o desenvolvimento social da criança e  pesquisar práticas de outros arte-educadores na área (recomendo o Livro "Pega Teatro" de Joana Lopes).
O que sempre ocorre é que o artista passa um bom tempo (quando persiste) frustrando-se por não conseguir aplicar as técnicas de improvisação e interpretação que ele planejava, simplesmente porque não entende que o teatro, na arte-educação, é um instrumento de formação de valor e desenvolvimento crítico e não de busca por "talentos" (termo esse, aliás, que desconsidero sua existência).
No caso do pedagogo, a complexidade se dá no quesito chavão e obviedades. A arte-educação é uma maneira de despertar o interesse da criança e do jovem pela área em questão. Como culturalmente no Brasil  poucos frequentam teatros, o pedagogo costuma usar como referências musicais, telenovelas e raros exemplos de naturalismo/realismo. Aí a criança limita sua visão artística e reproduz em cena velhas fórmulas como "não ficar de costas para a plateia", cenários que reproduzem uma sala com sofás, abajures e etc. Com isso, a criança deixa de explorar a ilimitada capacidade de imaginar e representar no corpo as sensações e espaços que se pode criar com um simples gesto ou movimento.
Para estes, é preciso  ir a  espetáculos da Cia do Latão, Teatro da Vertigem, Denise Stoklos, Cia Luis Louis , Cia Silvana Abreu, entre outros e, claro, fazer oficinas e cursos livres com os profissionais desses grupos.


Quando voltar ao tema neste blog, tratarei de outras 2 questões: as questões particulares do teatro para comunidades de baixa renda e como ampliar o repertório cultural da criança/jovem.


 
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

As MedÉias da Periferia

É nessa sexta-feira, 05 de novembro, dia mais interessante da semana e o ideal para se divertir com os amigos e ainda ampliar seus conhecimentos, que a Cia Daraus Teatro estreia seu novo espetáculo: (clique aqui para continuar) 

" A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte" Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sérgio Britto

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Festival Internacional de Teatro A. Tchékhov de Moscou

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A Funarte ( www.funarte.gov.br ) em parceria com o Festival Internacional de Teatro A. Tchékhov de Moscou inaugura ocupação de dois meses no seu Complexo Cultural em São Paulo (clique aqui e saiba mais sobre este evento teatral)


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sesc TV - teatro e circunstância

Recomendo um programa de Tv para todos meus amigos que eu sei que gostam de teatro.
Hoje, terça à noite, no SESC TV tem o programa:
Teatro e circunstância - Pulsações periféricas
As experiências vividas por grupos que se programaram para fazer teatro na periferia.
Canal 3 da sky e 137 da net - 22h

Um episódio sobre a experiência de quatro grupos que representam diferentes tendências e ideologias nas periferias: Grupo de Teatro Pombas Urbanas, sediado na Cidade Tiradentes o Engenho Teatral, sediado na Vila Carrão o Grupo Buraco do Oráculo, sediado em Cangaíba e a Brava Companhia sediada na Zona Sul, no Parque Santo Antônio. O objetivo do documentário é mostrar como operam os grupos e como é recebido o produto estético nas comunidades envolvidas.

As temporadas temáticas de Teatro e Circunstância abordam o teatro contemporâneo através de diferentes aspectos. Na série, fique por dentro das tendências na arte cênica e conheça os meios de produção que possibilitam o uso de espaços diversos, além do palco. Com direção de Amilcar Claro e roteiro de Sebastião Milaré.

reprises deste programa
15/09/2010 : 02h00 : quarta-feira
15/09/2010 : 16h00 : quarta-feira
16/09/2010 : 10h00 : quinta-feira
18/09/2010 : 18h00 : sábado
19/09/2010 : 02h00 : domingo
19/09/2010 : 15h00 : domingo

sábado, 9 de janeiro de 2010

Massa, velho!

Muito bom ter tirado a sexta-feira para programas culturais.
Em especial, ter ido assistir ao Bando de Teatro Olodum na peça Cabaré da RRRRRaça.

Eles anunciam desde o princípio:
É uma peça didática e panfletária.



E assim é. Porém, muito bem feita e dialética, mais do que panfletária.
Defende sim uma idéia, mas coloca na boca dos personagens falas opostas a idéia, deixando espaço para que nós, espectadores, possamos refletir.
Produção excelente e elenco idem.

Blog do Bando: http://bandodeteatro.blogspot.com/