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domingo, 22 de março de 2020

Literatura negra de graça para a quarentena

(clique no título acima para ver a postagem completa)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morro hoje um pouco também.


Hoje está sendo um dia muito difícil e doloroso pra mim.


Há muito que não sou mais de me abalar ou chocar com a morte pois nesse tempo deixei de vê-la com um ritual de passagem e passei a vê-la como o ponto final que é.

E, por isso mesmo, o dia de hoje é muito triste para mim, pois quem para mim era a figura mais ilustre e importante do planeta morreu hoje:

José Saramago.


Curiosamente, há cinco dias postei aqui sobre um de seus livros.


E nos últimos anos, não houve um que não li ao menos uma de suas obras. Li não, as devorei.

Agora mesmo tenho na minha estante o livro Viagem a Portugal, que comprei para ler exatamente lá, para onde vou nos próximos dias.

E como aceitar que não terei mais nenhuma obra inédita sua para ler? Nem ao menos seus posts no blog que criaste meses atrás e que eu amava ler.

Ai, como dói.

Sinto um vazio, um vácuo no tempo e no espaço que me imobilizam, me deprimem e me entristecem.


Uma parte de mim se foi com ele. Pois com ele foi uma parte da minha graça e prazer em viver, pois sabia que em breve leria uma de suas novas obras.

domingo, 13 de junho de 2010

Quando todos são nenhum




O dia do Sr José na Conservatória Geral do Registo Civil é um dia típico de um funcionário da burocracia pública. Sua tarefa consiste em preencher verbetes de pessoas que nascem e morrem todos os dias. Vizinho do seu trabalho, a diversão do Sr José é colecionar recortes de periódicos e notícias de gente famosa, celebridades.
Um dia, ele resolve anexar à sua coleção de celebridades os verbetes da Conservatória, que furta durante o período noturno. Numa dessas "pesquisas", o Sr José retira o verbete de uma mulher desconhecida e  resolve investigar  sobre esta mulher.
É a partir daí que a genialidade de José Saramago vêm à tona. Acompanhando o dia-a-dia desse funcionário e as dificuldades e aventuras em prosseguir com sua pesquisa o leitor é chamado a refletir sobre
a solidão.
O Sr José é um homem preso ao vazio de sua existência, a procura de si mesmo, a partir da procura do outro.
Escrito em 1997,"Todos os Nomes" é uma resposta clara e evidente ao caos criado na mídia nos tempos atuais, onde celebridades se criam e são criadas a todo o instante.
Ser famoso não é uma situação tão nova, porém a curiosidade e o voyerismo crescente e a quantidade de gente nessa situação é que impressiona.
E é essa a genialidade de Saramago. O ponto central da obra é descobrir-se como um ser passivo, solitário, que busca no mundo fictício, virtual e imaginário um afago a suas dores e aflições.
Saramago é o autor mais refinado, inteligente, sensível e criativo dos últimos 50 anos. Acompanhar suas narrativas é como abrir um novo mundo a sua frente. É saber-se não saber. É Ter tudo e ao mesmo tempo nada. Um homem que encontra na sua arte uma dialética tão buscada e nem sempre conseguida por grandes artistas. Sem dúvida, esta não é a única obra de Saramago que merece ser lida, mas é tão atual como outras como "O homem duplicado" ou "A caverna".
por Dani Ciasca









sexta-feira, 30 de outubro de 2009