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sábado, 21 de setembro de 2013

Uma arte por dia #07

(clique no título acima para ver a postagem completa)

Lua Adversa - Cecília Meireles no livro Viagem Vaga Música


Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu..


Cecília


mais sobre ela: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cec%C3%ADlia_Meireles

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Poesia 2003.



Divagações do tempo  (por Dani Ciasca - 05/10/2003)

            Estátua
Cabeça, mãos, braços, pernas
            Imóveis
      A claridade chega
            Se esvai
Vento, calor, chuva

O primeiro pêlo,
O primeiro sorriso
O primeiro amor
O primeiro som
             o segundo, o terceiro, o quarto...

Passantes não a observam
Moradores não a notam
Intelectuais não a conhecem
               São responsáveis?

São tantas as possibilidades
Tantas as necessidades
Tantas as sensações
     Continuas...



       intacta.


Deixas passar o tempo
             e imóveis fica.
Quanta lástima
Quanta dor

O tempo corrói, enfraquece
O tempo...

Permitirás te desgastar
          até sucumbires?

Não reclames.

Tu estátua, tendes o poder de mover-te
Ainda há tempo...



sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Brindemos!

"Ah, bem melhor seria 
Poder viver em paz 
Sem ter que sofrer 
Sem ter que chorar 
Sem ter que querer 
Sem ter que se dar 


Mas tem que sofrer 
Mas tem que chorar 
Mas tem que querer 
Pra poder amar 


Ah, mundo enganador 
Paz não quer mais dizer amor 


Ah, não existe coisa mais triste que ter paz 
E se arrepender, e se conformar 
E se proteger de um amor a mais 


O tempo de amor 
É tempo de dor 
O tempo de paz 
Não faz nem desfaz 


Ah, que não seja meu 
O mundo onde o amor morreu 


Ah, não existe coisa mais triste que ter paz 
E se arrepender, e se conformar 
E se proteger de um amor a mais 
E se arrepender, e se conformar 
E se proteger de um amor a mais "


Que o meu tempo seja o tempo de viver, de experimentar, de ousar e de arriscar.
Porque a paz e a segurança são tempos de dor, mas uma dor que não me satisfaz.
E a vida é uma só. E é pra ser vivida, em toda a sua intensidade, paixão , amor e fervor.
Sim, há que sofrer, há que chorar, mas há que viver.


Um brinde a vida!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Elogio da Dialética

Bertolt Brecht

A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.
Só a força os garante.
Tudo ficará como está.
Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores.
No mercado da exploração se diz em voz alta:
Agora acaba de começar:
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não é seguro. Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem
falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?
De quem depende a continuação desse domínio?
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
E o "hoje" nascerá do "jamais".

terça-feira, 8 de março de 2011

Baile de Máscaras


Jose Regio
aproveite e clique aqui 
para ler Cantico Negro


Contínua tentativa fracassando,
Minha vida é uma série de atitudes.
Minhas rugas mais fundas que taludes,
Quantas máscaras, já , vos fui colando?


Mas sempre, atrás de Mim, me vou buscando
Meus verdadeiros vícios e virtudes.
(-E é a ver se te encontras, ou te iludes,
Que bailas nesse entrudo miserando...)


Encontrar-me? iludir-me? ai que o não sei!
Sei mas é ter no rosto ensaguentado
O rol de quantas máscaras usei...


Mais me procuro, pois, mais vou errado.
E aos pés de Mim, um dia, eu cairei,
Como um vestido impuro e remendado!






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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Esforço inútil.

"Tem dias que a gente se sente,
como quem partiu ou morreu.
A gente estancou de repente,
ou foi o mundo então que cresceu.
A gente quer ter voz ativa, 
No nosso destino mandar.
Mas eis que chega a roda viva,
e carrega o destino pra lá."


A gente cansa, a gente dança,
o que será de nós quando o estômago rói,
contorce, retorce e arde?
Olhando pro horizonte, tão belo e amplo,
estamos a todo instante nos colocando
em dúvida sobre sentimentos, dores e amores.


Vai


e vem.


Os quarenta graus fritam o nosso pensamento
e o nosso sentimento cozinha.
Mas não em banho maria,
em forno ardente, uma estufa de idéias,
que brotam e logo após murcham.


Vem,
vai,
Fui!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Cantico Negro - Jose Regio


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem:

"vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


José Régio
pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista "Presença", e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Emocionante



Operário em construção - Vinicius de Moraes

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:


– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.

E Jesus, respondendo, disse-lhe:


– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.

Lucas, cap. V, vs. 5-8.



Era ele que erguia casas

Onde antes só havia chão.

Como um pássaro sem asas

Ele subia com as casas

Que lhe brotavam da mão.

Mas tudo desconhecia

De sua grande missão:

Não sabia, por exemplo

Que a casa de um homem é um templo

Um templo sem religião

Como tampouco sabia

Que a casa que ele fazia

Sendo a sua liberdade

Era a sua escravidão.



De fato, como podia

Um operário em construção

Compreender por que um tijolo

Valia mais do que um pão?

Tijolos ele empilhava

Com pá, cimento e esquadria

Quanto ao pão, ele o comia...

Mas fosse comer tijolo!

E assim o operário ia

Com suor e com cimento

Erguendo uma casa aqui

Adiante um apartamento

Além uma igreja, à frente

Um quartel e uma prisão:

Prisão de que sofreria

Não fosse, eventualmente

Um operário em construção.



Mas ele desconhecia

Esse fato extraordinário:

Que o operário faz a coisa

E a coisa faz o operário.

De forma que, certo dia

À mesa, ao cortar o pão

O operário foi tomado

De uma súbita emoção

Ao constatar assombrado

Que tudo naquela mesa

– Garrafa, prato, facão –

Era ele quem os fazia

Ele, um humilde operário,

Um operário em construção.

Olhou em torno: gamela

Banco, enxerga, caldeirão

Vidro, parede, janela

Casa, cidade, nação!

Tudo, tudo o que existia

Era ele quem o fazia

Ele, um humilde operário

Um operário que sabia

Exercer a profissão.



Ah, homens de pensamento

Não sabereis nunca o quanto

Aquele humilde operário

Soube naquele momento!

Naquela casa vazia

Que ele mesmo levantara

Um mundo novo nascia

De que sequer suspeitava.

O operário emocionado

Olhou sua própria mão

Sua rude mão de operário

De operário em construção

E olhando bem para ela

Teve um segundo a impressão

De que não havia no mundo

Coisa que fosse mais bela.



Foi dentro da compreensão

Desse instante solitário

Que, tal sua construção

Cresceu também o operário.

Cresceu em alto e profundo

Em largo e no coração

E como tudo que cresce

Ele não cresceu em vão

Pois além do que sabia

– Exercer a profissão –

O operário adquiriu

Uma nova dimensão:

A dimensão da poesia.



E um fato novo se viu

Que a todos admirava:

O que o operário dizia

Outro operário escutava.



E foi assim que o operário

Do edifício em construção

Que sempre dizia sim

Começou a dizer não.

E aprendeu a notar coisas

A que não dava atenção:



Notou que sua marmita

Era o prato do patrão

Que sua cerveja preta

Era o uísque do patrão

Que seu macacão de zuarte

Era o terno do patrão

Que o casebre onde morava

Era a mansão do patrão

Que seus dois pés andarilhos

Eram as rodas do patrão

Que a dureza do seu dia

Era a noite do patrão

Que sua imensa fadiga

Era amiga do patrão.



E o operário disse: Não!

E o operário fez-se forte

Na sua resolução.



Como era de se esperar

As bocas da delação

Começaram a dizer coisas

Aos ouvidos do patrão.

Mas o patrão não queria

Nenhuma preocupação

– "Convençam-no" do contrário –

Disse ele sobre o operário

E ao dizer isso sorria.



Dia seguinte, o operário

Ao sair da construção

Viu-se súbito cercado

Dos homens da delação

E sofreu, por destinado

Sua primeira agressão.

Teve seu rosto cuspido

Teve seu braço quebrado

Mas quando foi perguntado

O operário disse: Não!



Em vão sofrera o operário

Sua primeira agressão

Muitas outras se seguiram

Muitas outras seguirão.

Porém, por imprescindível

Ao edifício em construção

Seu trabalho prosseguia

E todo o seu sofrimento

Misturava-se ao cimento

Da construção que crescia.



Sentindo que a violência

Não dobraria o operário

Um dia tentou o patrão

Dobrá-lo de modo vário.

De sorte que o foi levando

Ao alto da construção

E num momento de tempo

Mostrou-lhe toda a região

E apontando-a ao operário

Fez-lhe esta declaração:

– Dar-te-ei todo esse poder

E a sua satisfação

Porque a mim me foi entregue

E dou-o a quem bem quiser.

Dou-te tempo de lazer

Dou-te tempo de mulher.

Portanto, tudo o que vês

Será teu se me adorares

E, ainda mais, se abandonares

O que te faz dizer não.



Disse, e fitou o operário

Que olhava e que refletia

Mas o que via o operário

O patrão nunca veria.

O operário via as casas

E dentro das estruturas

Via coisas, objetos

Produtos, manufaturas.

Via tudo o que fazia

O lucro do seu patrão

E em cada coisa que via

Misteriosamente havia

A marca de sua mão.

E o operário disse: Não!



– Loucura! – gritou o patrão

Não vês o que te dou eu?

– Mentira! – disse o operário

Não podes dar-me o que é meu.



E um grande silêncio fez-se

Dentro do seu coração

Um silêncio de martírios

Um silêncio de prisão.

Um silêncio povoado

De pedidos de perdão

Um silêncio apavorado

Com o medo em solidão.



Um silêncio de torturas

E gritos de maldição

Um silêncio de fraturas

A se arrastarem no chão.

E o operário ouviu a voz

De todos os seus irmãos

Os seus irmãos que morreram

Por outros que viverão.

Uma esperança sincera

Cresceu no seu coração

E dentro da tarde mansa

Agigantou-se a razão

De um homem pobre e esquecido

Razão porém que fizera

Em operário construído

O operário em construção.


domingo, 4 de abril de 2010

Poesia 2003: Simples


Simples          por Dani Ciasca
Pobres Coitados!
  Encarcerados,
Passam a viver em função
  Desta vil palavra:
Humildade!
Ser humilde é aceitar,
conformar-se, acomodar-se.
É olhar para o futuro
Aceitando o presente.
É enxergar ao redor
e confortar-se com o que possui.
É pensar que o pouco é muito
O nada é suficiente.
A ignorância é uma virtude!?
Por quê?
Por que tentam imputar em nossas cabeças
um defeito como virtude?
Àqueles a quem a humildade interessa,
tentam confundir-nos
Fazer-nos pensar que é
irmã gêmea da simplicidade.
Não é!
Sede simples, sincero,
educado, atencioso.
Olhe para o futuro
e vede nele
o resultado
de vossas ações!
Joguai fora todo
e qualquer resquício
desta HUMLIDADE,
Espúria, suja, sangrenta!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Poesia 2003: prisioneiro





Prisioneiro
                    (Dani Ciasca)

Tendes a maturidade a brilhar em vosso cabelo,
A sabedoria nas enfatuadas palavras que dizeis,
E no entanto, olhais para a cidade e as pessoas
Que nela vivem, sobrevivem
Como quem olha uma folha seca ao chão.
Culpado.

De todos os caminhos que podíeis escolher
Ao longo da vida a seguir seu curso,
Escolhestes o mais doloroso.
O que vos levastes a solidão pungente,
Dilacerante, por vezes cruel.
Culpado.

No tempo que fôreis menino
Quisestes romper barreiras.
Optar pelo imponderável,
Absurdo.
E tivestes a audácia de desafiar
As regras, o seguro.
Culpado.

Entre soltar o grito que vos afligíeis
Lutar pelo dificultoso e ser, quem sabe,
O responsável pela mudança,
Preferistes calar-vos e seguir adiante.
Culpado.

Sois culpado.
Sois culpado porque vos culpa a culpa.
A culpa de não serdes o que vossos pais sonharam,
O que vossos amigos esperaram,
O que vossos patrões exigiam.

O que é a culpa senão a nossa
Incapacidade de sermos nós mesmos?

Tivestes medo de que vos culpasse
Pelo fracasso alheio
E não percebestes que o maior culpado
De todos os vossos males é a culpa
Que sentistes.

Culpado.
Culpado.
Culpado.
Culpado.








terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Aqui esta-se sossegado

Aqui está-se sossegado,
Longe do mundo e da vida,
Cheio de nao ter passado,
Até o futuro se olvida,
Aqui está-se sossegado.

Tinha os gestos inocentes,
Seus olhos riam no fundo.
Mas invisíveis serpentes
Faziam-a ser o mundo.
Tinha gestos inocentes.

Aqui tudo é paz e mar.
Que longe a vista se perde
Na solidao a tornar
Em sombra o azul que é verde!
Aqui tudo é paz e mar.

Sim, poderia ter sido...
Mas vontade nem razao
O mundo tem conduzido
A prazer ou conclusao.
Sim, poderia ter sido...

Agora nao esqueco o sonho.
Fecho os olhos, oico o mar
E de ouvi-lo bem, suponho
Que veio azul a esverdear.
Agora nao esqueco e sonho.

Nao foi proposito, nao.
Os seus gestos inocentes
Tocavam no coracao
Como invisíveis serpentes.
Nao foi proposito, nao.

Durmo, desperto e sozinho.
Que tem sido a minha vida?
Velas de inútil moinho -
Um movimento sem lida...
Durmo, desperto e sozinho.

Nada explica nem consola.
Tudo está certo depois.
Mas a dr que nos desola,
A mágoa de um nao ser dois
Nada explica nem consola.

(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Poesia 2003

Três meses   (Dani Ciasca - 15/05/2003)

Aos poucos invado o muro
Agarro-me às paredes duras,
fixas, impermeáveis...
As pedras gélidas de concreto
Causam-me ânsia, receio, dor
Não sei por onde começar.

Onde se encontra aquele
que tanto lutou para derrubar paredes?

O mundo volta à seu início
Vazio, Indecifrável.
Olho a minha volta e não sei
Onde estou, Quem sou?

Bato, Grito, Empurro
Nada se modifica.
Faço sem vigor, sem a crença
necessária de que não os necessito.

Olho para aquele muro,
Desesperançoso.
O mundo começa a tragar-me
Sou mais um na multidão.
Paro! Canso!

Minhas pernas bambas, meus ombros estirados
Recosto-me à parede e
Subitamente
Sinto minha mão a penetrar.

Será possível?

Uma mão
        Outra mão
Mãos tocam as minhas
Trazem-me para dentro do muro
E agora, moldo-me a ele.

Transformo-me, aos poucos, num pedaço de concreto.
Algumas partes deste muro estão muito distantes.
Conseguirei eu alcançá-las?
Quero ser mais uma parte deste muro de concreto?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mais poema: 2003!




Angústia por Dani Ciasca (nov/2003)

Andastes por aí
  a procurar-vos
    e não encontreis

A cada passo,
  cada olhar,
    cada gesto
Sentistes vontade de chorar,
  desistir e parar

Sois covarde,
  Ou a inquietude de vossos pensamentos
      soterrou vossas sensações?

Perdeste-vos,
Livre,
Neste universo de mágoa e solidão

E agora, não sabeis como prosseguir
Para onde olhar,
Porque chorar

Fizestes de vossas esperanças
  um mar de frustrações

Caminhais no limiar
  do amor e da dor
E tendes de escolher
  para que lado cair

E depois, curadas as cicatrizes
  e amarradas as dores
    em laços parcos de calor,
Levantardes e segui-vos

Sois homem!

Estas dúvidas,
  Inquietações
    E sofrimentos
São para vós
  como o sangue libidinoso
    que percorre-vos.






domingo, 22 de novembro de 2009

Poesia 2003


Prognóstico
(Dani Ciasca)


Posto que sois
Uma profusão de pensamentos
Dúvidas e inquietações,
Sede o que vos cabe.


A parcimônia de atitudes
Que demonstra vosso caráter,
É a certeza insuportável
Da fraqueza que representais
Ante vossa necessidade vital.


Gritai!
Sofrei por tudo que rejeitam
Àqueles que desprezam
As dores alheias.


Levantai vossos olhares cansados
À espera do tempo que virá.
E que será,
Como o que passa por vós,
A angústia vazia de ações.


E, assim, ao entrardes nessa nova era
Com passos firmes.
Assegurai-vos do caminho
Que vossos pés guiam.




Regozijai-vos da vitória
Antes que vos arrependeis,
Não por ser aquilo que sois,
Mas porque não fôreis
O que mais necessitais.