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Sobre o último domingo 15 e o que ele representa.
Diego Riveira - O Homem na encruzilhada, 1934
Já se disse e se escreveu muito sobre as tentativas de golpes da direita, seja institucional (impedimento) ou militar. Também já foi bastante explorado a dificuldade em aceitar a derrota eleitoral, os interesses políticos por trás das manifestacoes e as diferencas de estilos entre os que apoiam o golpe e os que o rechacam.
Porém, pouco se disse até agora sobre o que ele representa simbolicamente.
Os novos cara pintadas de 2015 gostam de chamar os demais de esquerdistas, esquerdopatas e de falar contra o tal Karl MARX.
Marx, que aliás, tem como base nos seus estudos a questao da LUTA de CLASSES.
E nao é que os críticos a esquerda estao exatamente fortalecendo a esquerda e as ideias de MARX?
A midia internacional divulgou amplamente ontem, 15, que as pessoas que estavam nas ruas eram, em sua grande maioria, brancas e mais velhas. Definiram o perfil dos ricos e, quem é minimamente conhecedor da situacao social sabe que pobres, negros e jovens sao a maioria da populacao brasileira. É claro que há negros ricos, brancos pobres ou jovens brancos nas manifestacoes de ontem. Mas sao exceções à lógica presente.
Sendo assim, e voltando a MARX, o que se ve é que o Brasil tem latente uma luta de classes. De um lado, os pobres e a classe media baixa e seus apoiadores que, muito mais politizadas que antigamente, gracas ao trabalho sistemático dos movimentos sociais como o MST, MTST, etc, saíram as ruas na sexta 13 para dizer: nao aceitaremos o golpe. Do outro, uma grande parcela da populacao que clama pelo fim das politicas sociais que tem diminuido as diferencas sociais, tem dado direitos trabalhistas a quem nao tinha, como por exemplo, as domesticas, mas, por ser demasiado dificil dizer isso publicamente, travestem-se no discurso do combate a corrupcao e ao esquerdismo bolivariano (só gostaria de ver uma dessas pessoas definirem, sem interpretacoes o que é a esquerda e quais os ideais defendido por Simon Bolivar). Ha ainda uma parcela grande da populacao que nao se manifestou em nenhum dos dois atos por ter o primeiro sido também travestido de apoio a democracia, mas que, no fundo, era para dar apoio ao grupo politico que está no comando do país. O que me pergunto é: com a luta de classes agora explícita, elas e eles deste grupo conseguirão manter-se a margem do debate? Neste sentido, acredito que os esquerdistas, como este que escreve, devem agradecer aos Mainardis, Jabores, Mervais, Bonners, Constantinos, etc, por fortalecer o discurso marxista evidenciando a luta de classes e permitindo que os "trabalhadores do mundo, uni-vos"(Karl Marx, manifesto do partido comunista).
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E, de repente, um surto de cegueira acometeu São Paulo. Não se sabe se começou na avenida Higienópolis, na capital, ou se veio do interior. Há quem diga que o primeiro cego perdeu o senso de realidade em Ribeirão Preto. De repente deu de achar que estava na Califórnia. E a epidemia se espalhou silenciosamente pelo estado, por todas as cidades e vilarejos Por Mauricio Moraes
E, de repente, um surto de cegueira acometeu São Paulo. Não se sabe se
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O penúltimo debate do 1º turno de presidenciáveis 2014 foi marcado por inúmeras novidades no processo eleitoral brasileiro desde a redemocratização em 1989 (a 1ª eleição direta pós-ditadura militar) Esta é a primeira eleição que uma candidata à reeleição e líder nas pesquisas vai a todos os debates com uma postura de conquistar mais votos e não apenas defender-se. Dilma pode e deve ser criticada por muitas coisas, mas jamais a será por fugir de suas responsabilidades. Sempre que pôde escolher a quem perguntar, escolheu seus adversários diretos: Marina e Aécio. E, em todas as vezes, embora tensa e sisuda se saiu melhor que eles. Principalmente porque sabe do que diz. Tem domínio dos programas de governo que implantou. Sabe suas fragilidades e onde quer chegar. Marina apequenou-se. Começou o debate irritada e nervosa porque assumiu há tempos esta áurea de ungida do senhor a quem nada pode se criticar. E, embora todas as questões a ela serem pautadas em suas declarações e constantes mudanças de posições de acordo com o interesse e a conveniência, faz-se de vítima, como se houvesse uma "sórdida" orquestração para difamá-la. Um exemplo disso é que, quando senadora do PT, votou 4x contra a CPMF (está nos registros do senado), mas ela insiste em MENTIR que não votou. Aliás, eu diria que neste momento do debate ela assemelhou-se a um velho político, Paulo Maluf, que mentia descaradamente nos debates. Considerando que as duas lideram as pesquisas (embora eu duvide delas), o resultado dessa última semana deverá ser a perda de votos da neoneoliberal que, ou dará a vitória a Dilma no 1º turno, ou fará Marina e Aécio disputarem voto a voto a ida para o 2º. Aécio, aliás, que se for irá pela perda dos votos de Marina e não por suas qualidades em ganhá-los. Como um típico tucano a campanha de Aécio é baixa, na espreita. Cria vídeos de outros candidatos para minar outras candidaturas (clique aqui pra ver), está atolado de casos de corrupção (como o do AecioPorto) que a mídia esconde, etc. No debate mais uma vez foi figurante. Apareceu aqui e ali por inércia, talvez com medo de tomar outra piaba da Luciana Genro. Agora, um momento muito interessante desse debate foi o embate entre Genro e Eduardo Jorge. Pela primeira vez vi candidatos do "2º escalão" disputando votos entre si. Em geral os debates são de todos batendo em quem está na frente. Aqui não. Luciana se saiu muito bem nessa estratégia, tentando tirar votos de Eduardo, Aécio, Marina e Dilma.
No entanto, ela saiu da "vencedora" do debate para a responsável pelo maior fiasco deste. Ela sabia as regras. Teria 30s pra perguntar, o adversário 1m30 pra responder, 30s pra replica e 30 pra tréplica. ou seja 2 min x 1min ( e sem ter a última palavra). E eis que ela dá de bandeja a Levy Fidelix a pergunta que o fez destilar todo o preconceito homofóbico e incitar a violência (como se já não bastassem os muitos casos de assassinatos à gays). Teria ela se saído bem se na réplica ou depois, nas considerações finais dissesse: "se a PL 122 já tivesse aprovada, este senhor sairia do debate direto pra cadeia por incentivar crimes homofóbicos". Mas ela calou-se, deu uma resposta genérica. E Levy? Sim, ele é um pulha, um escroto, um imbecil. Muito embora ele tenha expressado o que muitos brasileiros expressam todos os dias nos botecos, nas conversas de "família", etc. Inclusive usando a mesma linguagem. Ou seja, ele foi sincero quanto ao que pensa, disso não tenho dúvida. Outros nesse debate gostariam de dizer o mesmo. Porém, diante de tanta violência contra homossexuais ele foi sim um criminoso. E se qualquer pessoa que sofra qualquer preconceito (mulheres, negros, japoneses, etc...) disser que ele tem direito de expressar a opinião eu digo: sim, ele tem direito como sujeito, no boteco. Em rede nacional, numa emissora de concessão pública, pedir mais violência É CRIME! Que pague por isso.
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Muita coisa já se disse sobre o as manifestações do Brasil nas duas últimas semanas.
Claro que não darei conta aqui de uma análise aprofundada do tema, mas quero falar um pouco sobre a postura da esquerda nos últimos anos e porque seu manifesto está sendo cooptado por conservadores e pela mídia golpista.
Os partidos de esquerda (PSOL, PSTU e PCO) sempre erraram na estratégia de bater no PT e desconsiderar os avanços sociais dos 10 anos de governo federal. Eles sempre puseram a luta anti-pt acima das pautas que fariam o próprio governo mudar de rumo.
Para mim, isso ficou ainda mais evidente com a questão da redução de tarifa. Foi a pauta que levou as pessoas às ruas e não o anti seja lá o que for.
No entanto, sejamos honestos e verdadeiros, foram esses mesmos partidos os que sempre se mantiveram nas ruas, lutando por mudanças e, por isso mesmo, as atitudes de impedir que seus militantes ergam suas bandeiras é autoritária e anti-democrática.
O impasse agora se deu porque o tiro saiu pela culatra. Como muitos sempre disseram, a postura anti-pt deles acabava sendo mais uma aproximação com a direita do que uma mudança nos rumos políticos do país. Infelizmente, isto está claro na corpo fascista que tem engrossado as manifestações.
Defendo que a esquerda deve pautar-se por lutas positivas para o povo. Sair às ruas para defender a reforma agrária, a remoção do Feliciano da Comissão dos Direitos Humanos, reforma política, redução da jornada de trabalho etc... Por exemplo: diante do que aconteceu, cadê os movimentos exigindo a extinção da PM que, sabemos, é corrupta e genocida?
O "Grito dos excluídos", que acontece todo ano, no 7 de setembro, é um exemplo de manifestação que precisa ganhar força.
A gente deve formar uma massa que exija essas lutas e deixar de fazer aquelas manifestações infanto-juvenis contra Reuni, contra bla bla bla...
Enquanto a esquerda ficar nos "contra" ela estará sim defendendo o mesmo que os outros "contras" defendem e, como na Espanha, o mais provável é o retorno dos conservadores ao comando do país.
Para finalizar, compartilho um vídeo filosófico do Deleuze sobre o que é ser de esquerda.
ADD:
algumas horas depois de escrever essa postagem vejo essa matéria. que boa noticia! a estrategia do MPL tá certíssima. Quero ver os reaças boys e patis irem no capão redondo e campo limpo.
"Depois de dizer que não iria convocar novos protestos neste momento, o Movimento Passe Livre São Paulo (MPL-SP) disse na tarde deste domingo (23) ao G1 que irá apoiar uma manifestação na próxima terça-feira (25) organizada pelos parceiros Periferia Ativa “Comunidade em Luta” e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).
Em sua página na internet e em uma rede social, o MPL pede confirmação de presença no protesto e pede para o público divulgá-lo. A nova pauta de reivindicações inclui desmilitarização da polícia, investimentos na saúde e educação, controle no valor dos alugueis, redução do custo de vida, além da tarifa zero para o transporte público. O protesto está previsto para as 7h e terá dois pontos de concentração: no Metrô Capão Redondo e Largo do Campo Limpo.
“O que a gente divulgou é que a gente está apoiando o ato do MTST [Movimento dos Trabalhadores Sem Teto]. Agora a gente tem uma pauta ampla, a que mais nos diz respeito é a tarifa zero”, afirmou o estudante Caio Martins, de 19 anos, um dos líderes do movimento.
Depois de uma série de protestos, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) revogaram o reajuste da tarifa do transporte público na última quarta-feira (19). A redução começa a valer a partir de segunda-feira (24). As passagens de trens, Metrô e ônibus voltam a custar R$ 3.
Na nota publicada no site, o movimento divulgou o seguinte texto: “Se antes diziam que baixar a passagem era impossível, a luta do povo provou que não é. Já derrubamos os 20 centavos. Podemos conquistar muito mais. O transporte só vai ser público de verdade quando não tivermos que pagar nenhuma tarifa para usá-lo.”
O movimento se reúne na tarde deste domingo para discutir o sistema do transporte público e a tarifa zero em três pontos fechados da cidade, nas regiões do Tatuapé, Largo Treze e Sumaré."
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A vitória do PT na capital paulista e a consequente derrota do PSDB no maior colégio eleitoral do País bateram à porta do Palácio dos Bandeirantes. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) entra na segunda fase do seu mandato sem uma marca forte na administração, com obras em ritmo lento e uma crise na área da segurança para administrar.
Integrantes do governo Alckmin admitem reservadamente que precisarão aprimorar a gestão e marcar gols até 2014 para evitar que o sentimento de mudança que marcou a eleição na capital se repita no interior – e o governo de São Paulo, comandado pelo PSDB desde 1995, passe às mãos dos petistas. Seria a maior derrota da oposição no País.
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Basta olhar o grafico. Se o PT tem uma votação tão grande nas áreas mais pobres, será que o PSDB realmente trabalha para a melhoria da população e cuida de gente, como eles dizem?
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É meu povo, quem achava que a cidade de São Paulo queria o novo se deu mal. Porque o resultado das eleições municipais de 2012 deixam claro que a população está feliz com a gestão Kassab. Do contrário o candidato da continuidade Jose Serra não teria conseguido os 30% dos votos que conseguiu. Se você olhar o mapa de votos em 2008 e 2012 vai entender o que estou dizendo:
É verdade que a eleição de 2012 não está definida ainda e o candidato da mudança , Haddad, precisaria concentrar suas forças nas zonas Norte e Oeste, como Butanta, Tucuruvi, Lauzane e no sul, no Jabaquara. Mas pela história desta cidade desde que a eleição passou a ter dois turnos só contra um candidato muito rejeitado como Maluf ou Russomano o PT tem chances. Quando a direita conservadora, elitista, preconceituosa e racista se une, como irá se unir agora com Serra e Kassab fica difícil derrotá-los. Resta saber até quando estas regiões vermelhas do mapa vão aceitar a repetição destes resultados passivamente, pois a cada eleição elas ficam mais abandonadas e mais problemáticas?
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As comemorações de 9 de julho em São Paulo exaltam uma rebelião oligárquica de oito décadas atrás. Curiosamente, outra revolta, deflagrada em 5 de julho de 1924, que contou com forte componente popular, passa em brancas nuvens nos calendários oficiais.
Os dias 5 e 9 de julho condensam caminhos pelos quais a história paulista poderia seguir. São dois tabus no estado. Um é esquecido, o outro é exaltado.
A primeira data marca uma violenta reação ao poder do atraso, tendo por base setores médios e populares. E a segunda representa a exaltação do atraso, capitaneada pela elite regional.
Dia 5 de julho, há 88 anos, uma intrincada teia de tensões históricas desaguou no episódio que ficaria conhecido como Revolução de 1924. Suas raízes estão no agravamento de problemas sociais, no autoritarismo dos governos da República Velha e em descontentamentos nos meios militares, que já haviam gerado o movimento tenentista, dois anos antes.
Naquele duro inverno, em meio a uma crise econômica, eclodiu uma nova sublevação. Tropas do Exército e da Força Pública tomaram quartéis, estações de trem e edifícios públicos e expulsaram da cidade o governador Carlos de Campos. No comando, em sua maioria, camadas da média oficialidade. Quatro dias depois, era instalado um governo provisório, que se manteria até 27 de julho. O país vivia sob o estado de sítio do governo Arthur Bernardes (1922-1926).
Entre as reivindicações dos revoltosos estavam: “1º Voto secreto; 2º Justiça gratuita e reforma radical no sistema de nomeação e recrutamento dos magistrados (…) e 3º Reforma não nos programas, mas nos métodos de instrução pública”. No plano político, destaca-se ainda “A proibição de reeleição do Presidente da República (…) e dos governadores dos estados”.
Várias guarnições de cidades próximas aderiram ao movimento. Apesar da falta de um programa claro, setores do operariado organizado apoiaram os revolucionários e exortaram a população a auxiliá-los no que fosse possível.
Bombas, tiros e mortes
As ruas da capital foram palco de intensos combates, com direito a fuzilaria, granadas e tiros de morteiros. Cerca de trezentas trincheiras e barricadas foram abertas em diversos bairros.
A partir do dia 11, o governador deposto, instalado nas colinas da Penha, seguindo determinações do presidente da República, decidiu lançar uma carga de canhões em direção ao centro. O objetivo era aterrorizar a população e forçá-la a se insurgir contra os rebelados.
De forma intermitente, os bairros operários da Mooca, Ipiranga, Belenzinho, Brás e Centro sofreram bombardeio por vários dias. Casas modestas e fábricas foram reduzidas a escombros e cadáveres multiplicavam-se pelas ruas.
Sem conseguir dobrar a resistência, o governo federal decidiu bombardear a cidade com aviões de combate.
O fim da rebelião
Três semanas depois de iniciada, a rebelião foi acuada. Dos 700 mil habitantes da cidade, cerca de 200 mil fugiram para o interior, acotovelando-se nos trens que saiam da estação da Luz. O saldo dos 23 dias de revolta foi 503 mortos e 4.846 feridos. O número de desabrigados passou de vinte mil. No final da noite do dia 28, cerca de 3,5 mil insurgentes retiraram-se da cidade com pesado armamento em três composições ferroviárias. O destino imediato era Bauru, no centro do estado.
Deixaram um manifesto, agradecendo o apoio da população: “No desejo de poupar São Paulo de uma destruição desoladora, grosseira e infame, vamos mudar a nossa frente de trabalho e a sede governamental. (…) Deus vos pague o conforto e o ânimo que nos transmitistes”.
As tensões não cessariam. No ano seguinte, parte dos revolucionários engrossaria a Coluna Prestes (1925-1927). Mais tarde, outros tantos protagonizariam – e venceriam – a Revolução de 30.
Promovida pelas camadas médias do meio militar, o levante ganhou apoio de parcelas pobres da população. Talvez por isso seja chamada de “a revolução esquecida”.
A revolução que não foi
A segunda data, 9 de julho, é marcada pelo estopim de uma revolução que não faz jus ao nome. É exaltada e cultuada como uma manifestação de defesa intransigente da democracia, ela faz parte da criação de certa mitologia gloriosa para São Paulo.
O evento, em realidade, representa a sublevação da oligarquia cafeeira contra a Revolução de 30, que a retirou do governo e se constituiu no marco definidor do Brasil moderno.
Aquele processo não pode ser visto apenas como uma tomada de poder por um punhado de descontentes. Suas causas envolvem as contrariedades nos meios militares e tensões do próprio desenvolvimento do país. A crise de 1929 acabara de chegar, colocando em xeque o liberalismo reinante.
A Revolução consolidou a expansão das relações capitalistas, que trouxe em seu bojo a integração ao mercado – via Estado – de largos contingentes da população. O mecanismo utilizado foi a formalização do trabalho.
As novas relações sociais e a intervenção do Estado na economia – decisiva para a superação da crise e para o avanço da industrialização – implicaram uma reconfiguração e uma modernização institucional do país. A conseqüência imediata foi a perda da hegemonia da economia cafeeira, centrada principalmente em São Paulo e parte de Minas Gerais. Percebendo as mudanças no horizonte, as classes dominantes locais foram à luta em 1932.
A locomotiva e os vagões
Explodiu então a rebelião armada das forças insepultas da República Velha e da elite paulista, querendo recuperar seu domínio sobre o país.
Tendo na linha de frente a Associação Comercial e a Federação das Indústrias (FIESP), o levante tinha entre seus líderes sobrenomes importantes do Estado, como Simonsen, Mesquita, Silva Prado, Pacheco e Chaves, Alves de Lima e outros. O movimento contou com expressivo apoio popular, uma vez que os meios de comunicação (rádio, jornais e revistas) reverberaram as demandas das classes altas.
A campanha que precedeu a sublevação exacerbou uma espécie de nacionalismo paulista, incentivado por grupos separatistas. Entre esses, notabilizava-se o escritor Monteiro Lobato. A síntese da aversão local ao restante do país expressava-se na difundida frase, que classificava o estado como “a locomotiva que puxa 21 vagões vazios”, em referência às demais unidades da federação.
Contradição em termos
O objetivo do movimento, derrotado militarmente em 4 de outubro, era derrubar o governo provisório de Getulio Vargas e aprovar uma nova Constituição. Daí a criação do nome “revolução constitucionalista”, uma contradição em termos. Revolução é uma ação decidida a destruir uma ordem estabelecida. A expressão “constitucionalista” expressava uma tentativa recuperação do status quo, regido pela Carta de 1891. Se é “constitucionalista”, não poderia ser “revolução”.
Os sempre proclamados “ideais de 1932” são vagas referências à constitucionalidade e à democracia. Mas não existia, por parte da elite, nenhuma formulação que fosse muito além da recuperação da hegemonia paulista (leia-se, dos cafeicultores).
Exatos oitenta anos depois, o 9 de julho segue comemorado como a data magna do estado, uma espécie de 7 de setembro local. E os acontecimentos de 5 de julho de 1924 continuam como páginas obscuras de um passado distante.
A elite paulista voltaria ao poder em 1994, pelas mãos de Fernando Henrique Cardoso e do PSDB. Seu mote foi dado no discurso de despedida do senado, em 1994: “Um pedaço do nosso passado político ainda atravanca o presente e retarda o avanço da sociedade. Refiro-me ao legado da Era Vargas, ao seu modelo de desenvolvimento autárquico e ao seu Estado intervencionista”.
Os objetivos desse setor continuaram os mesmos, décadas depois: realizar a contra-Revolução de 30.
As tensões entre as datas – 5 e 9 de julho – expressam duas vias colocadas até hoje nos embates políticos paulistas: a saída conservadora e a saída antielitista.
Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).
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A TV Forum estreou hoje com uma entrevista com a deputada federal Luiza Erundina (da qual eu era eleitor até então). Apesar de todos os bons argumentos dela nada me tira da cabeça que ela foi covarde. Diante do caos que está SP, eu achava que ela tinha de estar candidata numa chapa com Ivan Valente do PSOL. A chapa não veio, e ela teve a chance de ser vice do PT que, a despeito de todos os problemas ideológicos deste, é uma possibilidade real de mudança com a saída da pior parcela da direita paulista representada pelo PSDB, DEM e PPS (Que lança a campanha da Soninha, a equivocada, pra ter espaço em debates televisivos e, assim, blindar seu candidato oficial e atacar o candidato do PT, como tão bem ela fez em 2008, tanto que, após a eleição virou sub-prefeita do KASSAB como brinde aos serviços prestados). Diante de um fato tão pequeno ela sai da chapa e fortalece seu "inimigo"? Enfim, São Paulo, a cidade que nasci, mas que deixei de lado por tudo isso, continua de mal a pior.
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(a ortografia será corrigida quando eu
voltar ao Brasil, semana que vem)
Que dó dessa moca, gente!
Há muito tempo que ela se perdeu e está tao
desinformada. Caí, sem querer em seu blog hoje e fiquei pasmo. 1. Ela acha a rede Globo uma porta
voz do governo federal. Que mundo ela
vive que não sabe das varias tentativas de produção de crise desta rede. Ela
devia ler o conversa afiada , o blog do rovai ... Precisa entender melhor a midia no Brasil e nao olhar com viés partidario para ela.
2. e a raiva que ela destila contra o Lula. Só porque ele nao a apadrinhou ela fez beicinhu e ficou bravinha?
3. Mas o pior vem no final do post (clique aqui se tiver coragem de Le-lo). Ela escreve: "Os argentinos são tão cultos, agerridos, leem mais que os brasileiros, são mais articulados, matam a gente de inveja com seu nível de politização e engajamento etc. Mas se deixam levar na conversa desses populistas demagogos com a maior fé."
Perai, se os argentinos sao tudo isso e apoiam a nacionalizacao da YPF, me parece que falta auto-critica pra ver que a inculta, desarticulada e com péssimo nível de politizacao aqui é a senhora, nao? E ela ainda vai se candidatar a prefeitura da cidade. Pobre Sao Paulo!
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Hoje, a presidente Dilma deu mais uma demonstração da diferença entre aquele governo brasileiro que falava grosso com a Bolívia e fino com os EUA. E o que assumiu em 2003 e que do ponto de vista diplomático respeita a soberania dos países.
Na coletiva sobre a conversa que tivera com o presidente dos EUA, afirmava que teria dito o seguinte a Obama sobre a Cúpula das Américas:
— O que houve foi a constatação de que todos os países (da América Latina) têm relação com Cuba e, portanto, esta é a ultima cúpula em que ela não participaria. Esta é a posição unânime (na região).
Claro que nossa sempre tão subserviente mídia não contente com a explicação quis saber qual tinha sido a resposta de Obama. E a presidenta teve que desenhar:
— “Ele não tem que responder. Isso não é uma pergunta.”
Antes autoridades brasileiras tiravam o sapato para entrar nos EUA. Hoje, se comportam assim. Convenhamos, algo mudou.
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Concordo 100% com o artigo abaixo do deputado Jean Wyllys
Certa vez, em resposta a uma das minhas frequentes manifestações no Twitter contra o discurso populista e hipócrita de parlamentares do DEM e do PSDB, um dos meus milhares seguidores me chamou de “petista enrustido”.
No momento, achei a expressão um equívoco. Mas, depois, conclui que ele, o seguidor, não estava de todo equivocado. Em que pese a minha opção consciente e consequente pelo PSOL no momento de me filiar a um partido político, a verdade é que a minha formação e engajamento políticos passam, sim, pelo PT mesmo sem nunca ter integrado oficialmente o mesmo.
Na eleição presidencial de 1989 (a primeira eleição direta após duas décadas de ditadura militar), embora não tivesse idade para votar – eu votaria pela primeira vez nas eleições de 1994 – fiz intensa campanha para Lula e desfilava pelos corredores do Centro Educacional Cenecista Alcindo de Camargo, onde cursava a oitava série, com a camisa e a mochila decoradas por botons do partido, a cantarolar o jingle da campanha “Sem medo de ser feliz”, envolvido que eu era, então, com o movimento pastoral da Igreja Católica e membro de uma CEB (Comunidade Eclesial de Base), ambos íntimos do PT.
Lula não venceu aquela eleição, para nossa tristeza. Mas venceria a de 2002, em que enfrentou o candidato tucano José Serra, em cujo vídeo de campanha a atriz Regina Duarte (a quem admiro e respeito sinceramente) aparecia afirmando ter “medo” do candidato petista. Como candidato que já naquela época flertava com a direita e suas táticas políticas, José Serra e sua equipe tinham o objetivo claro de manipular os medos e os preconceitos da maioria da população por meio do depoimento de uma atriz popular. Não deu certo. Lula venceu a eleição.
“A esperança venceu o medo”, dizíamos todos que acreditávamos que, ao chegar à Presidência, o PT traria dias melhores para o país, aproveitando-se do que havia de bom no legado deixado por Fernando Henrique Cardoso.
Bom, não podemos chamar a conversão de pobres em consumidores necessariamente de “dias melhores” (o consumo não veio acompanhado de uma educação para o consumo, por exemplo, e os efeitos desse consumo no meio ambiente já se fazem notar), mas é inegável que, em seus dois mandatos, Lula deu mais atenção à pobreza que o antecessor Fernando Henrique Cardoso.
Não que os banqueiros e o mercado financeiro e os grandes empresários e os latifundiários e os corruptos tenham deixado de ganhar durante os governos Lula, ao contrário. Mas Lula deu alguma atenção à pobreza porque, para usar suas próprias palavras, “cuidar dos pobres no Brasil é muito barato”, ou seja, na prática, não custa quase nada “às elites” egoístas que, até a chegada de Lula à presidência, opunham-se a dar essa migalha ao povo sofrido – uma sensibilidade que o sociólogo não teve e que o operário nordestino só teve porque conheceu, de perto, a pobreza.
Não foi feita a reforma agrária nem a fiscal nem a política. Lula apenas acenou para as minorias sociais (mas ao menos acenou!) sem implementar políticas públicas eficazes nem pressionar sua base parlamentar para aprovar leis que garantissem os direitos humanos dessas minorias e atendessem às suas reivindicações.
Contudo, no segundo turno da eleição de 2010, demos mais um voto de confiança no PT, em parte porque o candidato José Serra e as forças políticas tenebrosas que se agregaram em torno dele não mereciam confiança nem voto, em parte porque a esperança é a última que morre, ou seja, acreditamos que os oitos anos da era Lula serviram para criar as bases para um avanço real em justiça social e garantias de liberdades civis e direitos humanos, sobretudo porque quem se opunha a Serra era uma mulher que sentiu, na pele, as dores da violação de direitos humanos e da privação de liberdades.
O primeiro ano do mandato de Dilma Rousseff mostrou que estávamos enganados; que o PT enganou a todos nós.
Ao contrário do que foi dito naquele ano de 2002, o medo venceu a esperança. O medo se tornou a paixão dominante da presidenta. “O medo é a moda dessa triste temporada”, para citar o belo verso de Zeca Baleiro.
No que diz respeito à garantia e promoção de direitos humanos de minorias e ao enfrentamento das tenebrosas forças políticas que já estiveram ao lado de Serra e, hoje, compõem a base do governo e têm influência no Palácio do Planalto e nos ministérios, a presidenta Dilma está paralisada pelo medo.
Eu poderia citar algumas consequências concretas desse medo – as violências praticadas contra os povos indígenas nas obras de Belo Monte, o enterro do projeto Escola sem Homofobia, a exclusão de vídeos para LGBTs da campanha de prevenção à AIDS no Carnaval, a Medida Provisória que cria cadastro compulsório para grávida, o Código Florestal que anistia madeireiros e não protege as florestas – mas prefiro dizer que o medo de Dilma de enfrentar a direita conservadora vem impedindo o governo de proteger o meio ambiente; de tornar real o ideal de igualdade de oportunidades; de reduzir os gastos com uma questionável dívida pública e de defender direitos humanos.
E esse medo é permanentemente “explicado” e “justificado” por uma militância esperançada ou cínica. Sobretudo nas redes sociais, militantes e líderes de movimentos sociais cooptados estão sempre a postos para “desculpabilizar” o medo do governo e livrá-lo do ônus de suas escolhas. Entretanto, o medo pode ser um mau conselheiro.
O que há por trás desse medo? A vontade do PT de permanecer no poder a qualquer custo, uma vez que o experimentou. O que há por trás do medo? O famigerado “pragmatismo”! O que há por trás do medo? A vontade de ser e continuar popular.
Ora, Como ressalta o filósofo francês Luc Ferry, que foi ministro da Educação em seu país, “é preciso ser popular para se conquistar o poder, e seria necessário poder ser, às vezes, impopular para exercê-lo bem”.
Mas o PT deseja exercer bem o poder? Ou quer apenas a popularidade para permanecer nele, ainda que com medo? Parafraseando um provérbio árabe, o partido ou político que nunca, no poder, encontrou um motivo para pô-lo em risco deve nos deixar desconfiados…
Se eu sou um “petista enrustido”, como disse o seguidor; se tenho alguma afinidade com o PT, certamente não é com esse PT que há nove anos está na Presidência, principalmente com o PT da presidenta Dilma.
Se tenho alguma afinidade com o PT, é certamente com aquele que se parece com o PSOL.
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O título é uma óbvia brincadeira com o apelido da ex-primeira ministra inglesa e que deu nome ao atual filme de Meryl Streep.
Mas é também um alerta sobre como a presidenta do Brasil tem conduzido seu governo. Dilma tem uma característica muito marcante em sua administração e que até sítios internacionais já destacaram (clique aqui para ver): ela manda!
Ao contrário do seu antecessor, Dilma jamais poderá alegar desconhecer algo de seu governo. Ela segue uma linha de raciocínio e costuma ceder pouco as suas convicções. Por um lado isso é bom, porque deixa os aproveitadores de plantão alertas de que "hay gobierno". Por outro, ela insiste em situações que vão contra o desejo dos setores mais progressistas, como no caso de "Anta" de Holanda na Cultura, ou como o veto ao material educativo anti-homofobia e a campanha carnavalesca do mesmo tema.
Além disso, sabemos que o PIG (Partido da IMPRENSA Golpista, segundo o jornalista Paulo H. Amorim) força algumas situações para constrangê-la diante de seus aliados. A direita está muito incomodada com o governo ter a maioria no legislativo e sabem que, assim, Dilma consegue aprovar todas as mudanças sociais e políticas que deseja, o que a amedronta.
Mas, quem acompanha a política diariamente e ouve comentários aqui e acolá percebe que, de fato, a presidenta é um osso duro de roer e o que até o momento é visto como positivo por parte da população (a velha e preconceituosa história da faxina), pode se tornar um revés. Gostemos ou não, como mostra o filme citado aqui no começo, uma presidenta que não tiver habilidade em agradar gregos e troianos nesse sistema capitalista pseudo-democrático que ela apoia, pode rodar. Para que isso não aconteça ela precisaria do apoio da sociedade civil mobilizada, mas são exatamente estes que ela tem contrariado nas políticas culturais, de saúde e reforma agrária, por exemplo.
Sairiam as ruas para defendê-la em casos de abuso da direita?
Que Dilma não se diferencia da Dama de Ferro apenas por sua ideologia (afinal, pelo menos neoliberal ela não parece ser), mas que saiba manejar a política de forma a evitar o retrocesso em 2014 com a volta do PSDB!
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Disse no texto "Às vezes, dá pena do paulistano" que SP vai na contra-mão do Brasil. Isso não é achismo, idealismo ou coisa e tal. É fato.
Basta olhar essa tabela. Ela mostra o crescimento do PIB por Estado Brasileiro, de 2003 à 2009 e já classifica os estados por ordem de crescimento acumulado.
O Estado com mais indústrias e população do país está a frente de apenas 6, dos 27 em questão?
Pobre Paulista|
clique e veja a tabela: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_estados_do_Brasil_por_crescimento_do_PIB
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Tem dias que eu tenho raiva. Outros, pena de quem continua a morar em SP. Hoje é um desses dias. Tenho lido a briga de foice, ou de bicos que está para se decidir os candidatos a prefeitura da capital.
Por enquanto, o único confirmado é o petista Fernando Haddad, candidato do ex-presidente Lula e que foi ministro da Educação dele. Os demais têem se movimentado nos bastidores para decidir quem apoia quem. Acho estranha a passividade da esquerda paulista em já articular uma campanha. Ivan Valente ou Gianazzi, ambos do PSOL, não mostraram as caras ainda e assim fica difícil criar uma alternativa numa cidade com a população do tamanho de um Estado.
Pela direita conservadora, muito provavelmente o candidato será o José Serra, o último derrotado na eleição presidencial e que tem contra ele as denúncias de desvio de dinheiro documentadas do livro A Privataria Tucana bem como o fato de ter abandonado a prefeitura e deixado de "presente" Kassab, o prefeito mais impopular desde Celso Pitta (que aliás foi seu chefe, pois Kassab foi secretário de Pitta).
E ainda terão pela frente Gabriel Chalita, PMDB, Netinho PC do B e Celso Russomano, da tchurma do Maluf (isso se ele mesmo não sair canditato também), só que agora no PRB. Os três últimos, aliás, com grande penetração na periferia e no voto das pessoas mais simples, o que pode complicar a disputa.
O curioso é que com tantos nomes, se você perguntar a um paulistano quem você gostaria que fosse prefeito ou prefeita da cidade, muito provavelmente nenhum desses seria citado. Ou seja, é o completo distanciamento da política com o povo. Enquanto os partidos debatem, fazem acordos e costuram alianças, o povo não sabe de nada e quando souber, aí terá que escolher entre o "menos pior". Agora o que me dá pena no dia de hoje é a quase certeza que Serra será novamente eleito. Isso porque o paulistano médio tem se tornado cada vez mais conservador e individualista e vê nele um representante dos privilégios adquiridos. Também me dá pena porque São Paulo vai continuar na contra-mão do Brasil, ou seja, enquanto o país e a maioria dos estados e cidades investem, crescem e melhoram as condições de vida de todas as classes sociais, a economia de São Paulo se retrai, as pessoas mais interessadas em melhorar o lugar onde vivem começam a se mudar para outras cidades, a população mais pobre vê suas moradias serem "acidentalmente" incendiadas, os artistas de rua são proibidos de trabalhar, a Controlar desvia dinheiro em nome de uma inspeção ambiental, etc, etc, etc. Tudo isso, com Serra, terá continuidade! Ou desde já o paulistano cansado disso começa a se movimentar e dessa vez milita por um candidato diferente, ou Serra e a turminha do Kassab ficarão mais 4 anos destruindo essa que já foi a cidade modelo para o resto do país.
atualizando: antes que falem bobagem, se eu pudesse escolher meus cadidatos seria Erundina com Ivan Valente de vice.
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do blog do Heródoto Barbeiro
A imagem dos gestores do Estado, sejam eles políticos, técnicos ou magistrados, está ficando mais clara para o cidadão comum. Não só porque os meios de comunicação de maior porte dedicam um espaço amplo para a publicação de reportagens investigativas, mas porque as novas mídias sociais oferecem as mais diversas informações e interpretações sobre esses personagens.
De quebra há livros com biografias ou reportagens mais aprofundadas sobre como o poder se mexe no Brasil. Isto mostra o vigor da democracia em construção e que certamente vai tomar novos contornos nos próximos anos, queiram ou não os que controlam hoje os poderes do Estado.
Há um redemoinho de ideias, informações, opiniões, investigações que pululam dos mais estranhos gadgets eletrônicos. Ninguém fica esquecido, seja para o elogio, seja para a crítica ácida e demolidora.
Os dominadores do Estado usam e abusam do seu poder econômico, político e jurisdicional para plantar as notícias que interessam para a perpetuação no poder de seus detentores e colhem melhores resultados de aprovação popular.
Vale tudo, até economizar recursos necessários para saneamento básico, educação, saúde, defesa do meio ambiente para investir em propaganda e publicidade. Não é mais possível distinguir uma coisa da outra quando o Estado, em suas diversas formas, a patrocina.
Há comerciais de 30 segundos, assessorias de todo tipo, sites, blogs, disparo automático de e-mails, releases de toda ordem, enfim com o dinheiro público é mais fácil. No meio dessa guerra midiática, fruto das transformações econômicas e tecnológicas do nosso tempo, o cidadão comum tem condições de formar sua própria opinião, ainda que alguns continuem achando que o povo não sabe votar.
Os partidos políticos utilizam com perfeição o ferramental disponível para vender a melhor imagem possível. Usam e abusam de programas políticos pagos pelo contribuinte e seus personagens não dispensam nem edição, nem Photoshop, nem maquiagem. Que mal tem?
Contudo entre a imagem que se quer passar e a percepção que o cidadão tem desses personagens há uma distância considerável. São personagens distantes um do outro. A confusão só não é maior porque há legendas com nomes. Em determinados momentos é difícil crer que o personagem na propaganda oficial dos partidos ou dos governos é o mesmo do noticiário.
O conteúdo do que fala não bate com as informações publicadas na velha e na nova mídia a seu respeito. Os solavancos políticos e sociais vividos hoje são sintomas da jovem democracia brasileira, que quer queiram ou não, se consolida e ganha contornos de maior participação popular. Os que têm consciência que são os contribuintes que mantêm tudo isso são os mais ativos, o que é indiscutivelmente um progresso.