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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Ensaio sobre a cegueira paulista

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E, de repente, um surto de cegueira acometeu São Paulo. Não se sabe se começou na avenida Higienópolis, na capital, ou se veio do interior. Há quem diga que o primeiro cego perdeu o senso de realidade em Ribeirão Preto. De repente deu de achar que estava na Califórnia. E a epidemia se espalhou silenciosamente pelo estado, por todas as cidades e vilarejos
Por Mauricio Moraes

E, de repente, um surto de cegueira acometeu São Paulo. Não se sabe se

domingo, 2 de dezembro de 2012

Alckmin corre...

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A vitória do PT na capital paulista e a consequente derrota do PSDB no maior colégio eleitoral do País bateram à porta do Palácio dos Bandeirantes. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) entra na segunda fase do seu mandato sem uma marca forte na administração, com obras em ritmo lento e uma crise na área da segurança para administrar.

Integrantes do governo Alckmin admitem reservadamente que precisarão aprimorar a gestão e marcar gols até 2014 para evitar que o sentimento de mudança que marcou a eleição na capital se repita no interior – e o governo de São Paulo, comandado pelo PSDB desde 1995, passe às mãos dos petistas. Seria a maior derrota da oposição no País.

Aliados do governador afirmam que

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Escolas de SP excluem alunos de passeio cultural.

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Muito bom o título da matéria porque é isso mesmo: exclusão. E pior, por um órgão oficial de uma secretaria de educação.
São pessoas com esse entendimento do que é "educar" as primeiras responsáveis pelo caos social que vivemos. Afinal, não deveria ser o contrário? Os alunos mais difíceis, digamos assim, são os que mais necessitam do contato com a arte, de abrir horizontes e receberem novos estímulos para o aprendizado, mas o que se prefere é excluí-los ainda mais e jogá-los diretamente para o abismo.


Escolas de SP excluem alunos de passeio cultural

NATÁLIA CANCIAN
REYNALDO TUROLLO JR.
DE SÃO PAULO

Com número de vagas em passeios insuficiente para atender a todos os alunos, professores e diretores de escolas estaduais de São Paulo se veem obrigados a excluir parte dos estudantes de visitas a museus e exposições.


Pelas normas do programa Lugares de Aprender, o maior da pasta nessa modalidade, cada visita contempla 40 alunos. As regras dizem que, em uma visita, devem ser levados todos os alunos de uma classe, "sem distinção".
Mas, na prática, isso não acontece. Nas últimas cinco semanas, a Folha conversou com dezenas de professores de escolas estaduais de 14 cidades, que relataram ser comum alunos de uma mesma sala serem preteridos do passeio.
Os escolhidos geralmente são os que recebem as melhores notas ou têm bom comportamento. Segundo os professores, isso ocorre porque a secretaria costuma ofertar só um ônibus para uma determinada série de uma escola.
Gabo Morales/Folhapress
Aluna da rede estadual de ensino durante visita de estudantes à Bienal de São Paulo, no Ibirapuera, zona sul de SP
Aluna da rede estadual de ensino durante visita de estudantes à Bienal de São Paulo, no Ibirapuera, zona sul de SP
Assim, para levar alunos das quatro salas da oitava série à Bienal, por exemplo, docentes selecionam dez de cada classe. Os demais ficam de fora da atividade.
"Já chegam com a lista dos alunos pronta. Vão sempre os mesmos. E aí os outros pensam: 'Por que vou me interessar?'", afirma a estudante do ensino médio Mayara Cardoso, 18, da zona leste da capital, que diz ter sido preterida de um passeio.
Em Santo André, a mãe de um aluno de 15 anos chamou de "absurda" a exclusão do filho de um passeio neste ano, também à Bienal. Ele já havia sido excluído de outro passeio dois anos atrás.
Neste ano, segundo relato do aluno à Folha, a escola teve de selecionar 40 alunos de três classes do primeiro ano do ensino médio.
A reportagem contatou professores, alunos e pais por telefone e pessoalmente, durante visitas à Bienal de São Paulo e ao Catavento Cultural, ambos na capital. De todos ouviu relatos semelhantes sobre exclusão de alunos. A maioria pediu para ter seus nomes e os das escolas preservados.
EXCLUSÃO AUTOMÁTICA
Quando a sala tem mais de 40 alunos, o excedente está automaticamente excluído.
Nesses casos, contou uma professora de Pirajuí (a 384 km de São Paulo), costuma-se deixar de fora os que faltaram à aula no dia do anúncio do passeio.
Mesmo escolas que tentam cumprir as normas, levando uma classe inteira por vez, têm queixas. "Por que a escola leva sempre só o 1º ano A? Minha filha nunca foi", diz Alexandra Wolf, 42, mãe de uma aluna do 1º ano D de escola de Santo André (Grande São Paulo).
"A moral da história é essa: escolha", diz uma professora de Ribeirão Pires (Grande São Paulo). "Os alunos ficam frustrados, e nós, muito mais."
Segundo um professor de artes de São José dos Campos (a 97 km de São Paulo), a escola em que ele leciona faz uma lista dos "alunos de destaque", que são "convidados" para os eventos extraclasse.
"Já aconteceu de aluno que não foi [ao passeio] estudar mais, para ir no próximo", diz.
Mas para Neide Noffs, da Faculdade de Educação da PUC-SP, nem sempre o aluno consegue entender o critério. "O excluído fica com uma mágoa que pode prejudicar seu rendimento."
Neste ano, 852 mil participaram do programa; a rede tem 4,3 milhões de alunos.

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/1188551-escolas-de-sp-excluem-alunos-de-passeio-cultural.shtml 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

PSDB, só elitista vota!

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Basta olhar o grafico. Se o PT tem uma votação tão grande nas áreas mais pobres, será que o PSDB realmente trabalha para a melhoria da população e cuida de gente, como eles dizem?


 

domingo, 7 de outubro de 2012

Sem nenhuma surpresa, SP opta pela continuidade.

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É meu povo, quem achava que a cidade de São Paulo queria o novo se deu mal. Porque o resultado das eleições municipais de 2012 deixam claro que a população está feliz com a gestão Kassab. Do contrário o candidato da continuidade Jose Serra não teria conseguido os 30% dos votos que conseguiu.
Se você olhar o mapa de votos em 2008 e 2012 vai entender o que estou dizendo:



É verdade que a eleição de 2012 não está definida ainda e o candidato da mudança , Haddad, precisaria concentrar suas forças nas zonas Norte e Oeste, como Butanta, Tucuruvi, Lauzane e no sul, no Jabaquara. 
Mas pela história desta cidade desde que a eleição passou a ter dois turnos só contra um candidato muito rejeitado como Maluf ou Russomano o PT tem chances. Quando a direita conservadora, elitista, preconceituosa e racista se une, como irá se unir agora com Serra e Kassab fica difícil derrotá-los.
Resta saber até quando estas regiões vermelhas do mapa vão aceitar a repetição destes resultados passivamente, pois a cada eleição elas ficam mais abandonadas e mais problemáticas? 

 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

São Paulo entre 5 e 9 de julho. ( 32 É golpe e não revolução)

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As comemorações de 9 de julho em São Paulo exaltam uma rebelião oligárquica de oito décadas atrás. Curiosamente, outra revolta, deflagrada em 5 de julho de 1924, que contou com forte componente popular, passa em brancas nuvens nos calendários oficiais.

por Gilberto Maringoniem Carta Maior

Os dias 5 e 9 de julho condensam caminhos pelos quais a história paulista poderia seguir. São dois tabus no estado. Um é esquecido, o outro é exaltado.

A primeira data marca uma violenta reação ao poder do atraso, tendo por base setores médios e populares. E a segunda representa a exaltação do atraso, capitaneada pela elite regional.

Dia 5 de julho, há 88 anos, uma intrincada teia de tensões históricas desaguou no episódio que ficaria conhecido como Revolução de 1924. Suas raízes estão no agravamento de problemas sociais, no autoritarismo dos governos da República Velha e em descontentamentos nos meios militares, que já haviam gerado o movimento tenentista, dois anos antes.

Naquele duro inverno, em meio a uma crise econômica, eclodiu uma nova sublevação. Tropas do Exército e da Força Pública tomaram quartéis, estações de trem e edifícios públicos e expulsaram da cidade o governador Carlos de Campos. No comando, em sua maioria, camadas da média oficialidade. Quatro dias depois, era instalado um governo provisório, que se manteria até 27 de julho. O país vivia sob o estado de sítio do governo Arthur Bernardes (1922-1926).

Entre as reivindicações dos revoltosos estavam: “1º Voto secreto; 2º Justiça gratuita e reforma radical no sistema de nomeação e recrutamento dos magistrados (…) e 3º Reforma não nos programas, mas nos métodos de instrução pública”. No plano político, destaca-se ainda “A proibição de reeleição do Presidente da República (…) e dos governadores dos estados”.

Várias guarnições de cidades próximas aderiram ao movimento. Apesar da falta de um programa claro, setores do operariado organizado apoiaram os revolucionários e exortaram a população a auxiliá-los no que fosse possível.

Bombas, tiros e mortes

As ruas da capital foram palco de intensos combates, com direito a fuzilaria, granadas e tiros de morteiros. Cerca de trezentas trincheiras e barricadas foram abertas em diversos bairros.

A partir do dia 11, o governador deposto, instalado nas colinas da Penha, seguindo determinações do presidente da República, decidiu lançar uma carga de canhões em direção ao centro. O objetivo era aterrorizar a população e forçá-la a se insurgir contra os rebelados.

De forma intermitente, os bairros operários da Mooca, Ipiranga, Belenzinho, Brás e Centro sofreram bombardeio por vários dias. Casas modestas e fábricas foram reduzidas a escombros e cadáveres multiplicavam-se pelas ruas.

Sem conseguir dobrar a resistência, o governo federal decidiu bombardear a cidade com aviões de combate.

O fim da rebelião

Três semanas depois de iniciada, a rebelião foi acuada. Dos 700 mil habitantes da cidade, cerca de 200 mil fugiram para o interior, acotovelando-se nos trens que saiam da estação da Luz. O saldo dos 23 dias de revolta foi 503 mortos e 4.846 feridos. O número de desabrigados passou de vinte mil. No final da noite do dia 28, cerca de 3,5 mil insurgentes retiraram-se da cidade com pesado armamento em três composições ferroviárias. O destino imediato era Bauru, no centro do estado.

Deixaram um manifesto, agradecendo o apoio da população: “No desejo de poupar São Paulo de uma destruição desoladora, grosseira e infame, vamos mudar a nossa frente de trabalho e a sede governamental. (…) Deus vos pague o conforto e o ânimo que nos transmitistes”.

As tensões não cessariam. No ano seguinte, parte dos revolucionários engrossaria a Coluna Prestes (1925-1927). Mais tarde, outros tantos protagonizariam – e venceriam – a Revolução de 30.

Promovida pelas camadas médias do meio militar, o levante ganhou apoio de parcelas pobres da população. Talvez por isso seja chamada de “a revolução esquecida”.

A revolução que não foi

A segunda data, 9 de julho, é marcada pelo estopim de uma revolução que não faz jus ao nome. É exaltada e cultuada como uma manifestação de defesa intransigente da democracia, ela faz parte da criação de certa mitologia gloriosa para São Paulo.

O evento, em realidade, representa a sublevação da oligarquia cafeeira contra a Revolução de 30, que a retirou do governo e se constituiu no marco definidor do Brasil moderno.

Aquele processo não pode ser visto apenas como uma tomada de poder por um punhado de descontentes. Suas causas envolvem as contrariedades nos meios militares e tensões do próprio desenvolvimento do país. A crise de 1929 acabara de chegar, colocando em xeque o liberalismo reinante.

A Revolução consolidou a expansão das relações capitalistas, que trouxe em seu bojo a integração ao mercado – via Estado – de largos contingentes da população. O mecanismo utilizado foi a formalização do trabalho.

As novas relações sociais e a intervenção do Estado na economia – decisiva para a superação da crise e para o avanço da industrialização – implicaram uma reconfiguração e uma modernização institucional do país. A conseqüência imediata foi a perda da hegemonia da economia cafeeira, centrada principalmente em São Paulo e parte de Minas Gerais. Percebendo as mudanças no horizonte, as classes dominantes locais foram à luta em 1932.

A locomotiva e os vagões

Explodiu então a rebelião armada das forças insepultas da República Velha e da elite paulista, querendo recuperar seu domínio sobre o país.

Tendo na linha de frente a Associação Comercial e a Federação das Indústrias (FIESP), o levante tinha entre seus líderes sobrenomes importantes do Estado, como Simonsen, Mesquita, Silva Prado, Pacheco e Chaves, Alves de Lima e outros. O movimento contou com expressivo apoio popular, uma vez que os meios de comunicação (rádio, jornais e revistas) reverberaram as demandas das classes altas.

A campanha que precedeu a sublevação exacerbou uma espécie de nacionalismo paulista, incentivado por grupos separatistas. Entre esses, notabilizava-se o escritor Monteiro Lobato. A síntese da aversão local ao restante do país expressava-se na difundida frase, que classificava o estado como “a locomotiva que puxa 21 vagões vazios”, em referência às demais unidades da federação.

Contradição em termos

O objetivo do movimento, derrotado militarmente em 4 de outubro, era derrubar o governo provisório de Getulio Vargas e aprovar uma nova Constituição. Daí a criação do nome “revolução constitucionalista”, uma contradição em termos. Revolução é uma ação decidida a destruir uma ordem estabelecida. A expressão “constitucionalista” expressava uma tentativa recuperação do status quo, regido pela Carta de 1891. Se é “constitucionalista”, não poderia ser “revolução”.

Os sempre proclamados “ideais de 1932” são vagas referências à constitucionalidade e à democracia. Mas não existia, por parte da elite, nenhuma formulação que fosse muito além da recuperação da hegemonia paulista (leia-se, dos cafeicultores).

Exatos oitenta anos depois, o 9 de julho segue comemorado como a data magna do estado, uma espécie de 7 de setembro local. E os acontecimentos de 5 de julho de 1924 continuam como páginas obscuras de um passado distante.

A elite paulista voltaria ao poder em 1994, pelas mãos de Fernando Henrique Cardoso e do PSDB. Seu mote foi dado no discurso de despedida do senado, em 1994: “Um pedaço do nosso passado político ainda atravanca o presente e retarda o avanço da sociedade. Refiro-me ao legado da Era Vargas, ao seu modelo de desenvolvimento autárquico e ao seu Estado intervencionista”.

Os objetivos desse setor continuaram os mesmos, décadas depois: realizar a contra-Revolução de 30.

As tensões entre as datas – 5 e 9 de julho – expressam duas vias colocadas até hoje nos embates políticos paulistas: a saída conservadora e a saída antielitista.

Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).



 
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segunda-feira, 2 de julho de 2012

A política paulistana e a covardia de Erundina.

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A TV Forum estreou hoje com uma entrevista com a deputada federal Luiza Erundina (da qual eu era eleitor até então). Apesar de todos os bons argumentos dela nada me tira da cabeça que ela foi covarde.
Diante do caos que está SP, eu achava que ela tinha de estar candidata numa chapa com Ivan Valente do PSOL. A chapa não veio, e ela teve a chance de ser vice do PT que, a despeito de todos os problemas ideológicos deste, é uma possibilidade real de mudança com a saída da pior parcela da direita paulista representada pelo PSDB, DEM e PPS (Que lança a campanha da Soninha, a equivocada, pra ter espaço em debates televisivos e, assim,  blindar seu candidato oficial e atacar o candidato do PT, como tão bem ela fez em 2008, tanto que, após a eleição virou sub-prefeita do KASSAB como brinde aos serviços prestados). Diante de um fato tão pequeno ela sai da chapa e fortalece seu "inimigo"?
Enfim, São Paulo, a cidade que nasci, mas que deixei de lado por tudo isso, continua de mal a pior.


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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Soninha, a despreparada, desprezada, desinformada...

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(a ortografia será corrigida quando eu voltar ao Brasil, semana que vem)
Que dó dessa moca, gente!
Há muito tempo que ela se perdeu e está tao desinformada. Caí, sem querer em seu blog hoje e fiquei pasmo.    1. Ela acha a rede Globo uma porta voz do governo federal.  Que mundo ela vive que não sabe das varias tentativas de produção de crise desta rede. Ela devia ler o conversa afiada , o blog do rovai ... Precisa entender melhor a midia no Brasil e nao olhar com viés partidario para ela.
2. e a raiva que ela destila contra o Lula. Só porque ele nao a apadrinhou ela fez beicinhu e ficou bravinha?
3. Mas o pior vem no final do post (clique aqui se tiver coragem de Le-lo). Ela escreve: "Os argentinos são tão cultos, agerridos, leem mais que os brasileiros, são mais articulados, matam a gente de inveja com seu nível de politização e engajamento etc. Mas se deixam levar na conversa desses populistas demagogos com a maior fé."



Perai, se os argentinos sao tudo isso e apoiam a nacionalizacao da YPF, me parece que falta auto-critica pra ver que a inculta, desarticulada e com péssimo nível de politizacao aqui é a senhora, nao?
E ela ainda vai se candidatar a prefeitura da cidade. Pobre Sao Paulo!

 
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terça-feira, 17 de abril de 2012

Virada Cultural deveria ser a cereja, não o bolo

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Para começo de conversa: sou fã da Virada Cultural.
Acho um evento fantástico. Qualquer festa que incentive a ocupação artística da cidade e ofereça shows gratuitos de Ron Ayers, White Denim, Raul de Souza & Zimbo Trio, Man or Astro-Man? e tantos outros, merece aplausos.
Sempre prestigiei a Virada Cultural. Se estiver em São Paulo dias 5 e 6 de maio, irei com certeza.
Mesmo com todos os problemas – falta de educação do público, imundície nas ruas, gente que não consegue se divertir sem destruir patrimônio da cidade – é um evento imperdível.
Meu problema com a Virada Cultural é um só: acho que ela deveria ser a cereja do bolo da programação artística da cidade, e não o bolo em si.
Explico: se um dos objetivos de shows gratuitos na cidade é valorizar as ruas e promover sua ocupação com atividades culturais, não seria mais lógico ter uma programação que se estendesse ao longo de todo o ano?
Imagine se, a cada fim de semana, um bairro da cidade fosse “ocupado” por shows, peças, filmes, concertos, etc.? Não seria uma maravilha?
Isso ajudaria a criar o hábito na população de visitar diferentes regiões da cidade para aproveitar as atrações.
Acho bem mais saudável do que espremer centenas de eventos numa noite só.
A Virada Cultural, ao concentrar uma infinidade de atrações em 24 horas, promove um verdadeiro frenesi na cidade, lotando hotéis e incentivando o turismo.
Mas, sinceramente, não vejo como isso estabelece algum tipo de conexão permanente das pessoas com as ruas.
A impressão que tenho é exatamente a oposta: como a festa só dura uma noite e só se repetirá daqui a um ano, o público pouco se importa com a sujeira deixada, e trata a cidade como um bem descartável. É triste, mas é fato.
Minha sugestão seria manter a Virada Cultural em um final de semana, reduzindo seu tamanho, e criar uma programação permanente de atrações por vários bairros da cidade.
Assim, a Virada Cultural seria a coroação, o auge da programação artística da cidade. E não a sua totalidade.

POR ANDRE BARCINSKI
fonte: http://andrebarcinski.blogfolha.uol.com.br/2012/04/17/virada-cultural-deveria-ser-a-cereja-nao-o-bolo/ 



 
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domingo, 18 de março de 2012

Praia de paulistano - hidroanel

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Leia a coluna de Jose Luiz Portella. A ideia é muito boa. Só precisa de vontade política. Teria um governo tucano essa vontade?


Entre tantos problemas, surge uma ótima ideia: o Hidroanel Metropolitano. Um projeto estruturante fantástico. Com vários benefícios.
É um conjunto de vias navegáveis formado pelos rios Pinheiros e Tietê, pelas represas Billings e Taiaçupeba, mais um canal e um túnel que fazem a ligação entre essas duas represas. Aproximadamente 170 km de hidrovias inseridos na região metropolitana, boa parte dentro de nossa cidade, sob a responsabilidade do Departamento Hidroviário.
O estudo de viabilidade técnica foi apresentado em seminário aberto na FAU-USP, esta semana.

O hidroanel deve transportar cargas que se movimentam hoje na cidade por caminhões. A estimativa é que, completo, possa reduzir até 30% das 400.000 viagens/dia feitas por eles. Número muito significativo. É uma das melhores opções para a retirada definitiva de caminhões do sistema viário.
Restrições a caminhões funcionam, de forma temporária, no horário de pico, perdendo a eficácia entre 12 e 18 meses. Além de aumentarem o trânsito, por conta da concentração no período fora dos horários proibidos.
A princípio, o hidroanel poderá transportar lixo urbano, sedimentos, lodo das estações de tratamento de esgoto, cimento, entulho da construção civil e hortifruti. Além de cargas especiais a serem definidas.
Só a construção civil movimenta 110 milhões de toneladas/ano, cerca de 26.000 viagens/dia. Pode ter portos onde se juntarão hidroanel, rodoanel e ferroanel, inéditas plataformas logísticas trimodais. Nelas e em outros ecopontos, o lixo será triado, processado, reciclado e biodigerido.
Como em Paris, nos portos junto ao Sena. Além do alívio ao trânsito, por si só importante, da integração do esquecido modal hidroviário, praticamente esquecido, do tratamento do lixo, traz benefícios significativos na questão climática.
Do total de emissões em São Paulo, 55% vêm do transporte. O modal hidroviário emite, no mínimo, dez vezes menos que o rodoviário, que impera soberano. Haverá redução de monta.
O projeto, obviamente, tem total sinergia com a despoluição dos rios Tietê, em curso, e Pinheiros. Acelera o processo. Claro que um projeto estruturante desse porte não pode ser implantado de uma só vez. Tem que ser por trechos.



O próximo passo já está pronto. A construção da eclusa da Penha que nos dará mais 14 km de navegação no Tietê. Que se somarão aos 41 km já existentes. Além de um belo tratamento arquitetônico que criará um disco suspenso sobre as águas. Uma linda imagem de entrada e saída de São Paulo.
O projeto de viabilidade foi desenvolvido por empresa privada. O grupo Metrópole Fluvial da FAU foi contratado para dar o devido tratamento urbanístico. Haverá parques, árvores e margens muito bonitas.
Projetos como esse mudam a cidade em todos os sentidos. Inclusive estético. São Paulo praticamente o desconhece. Precisa conhecê-lo e lutar por ele. Em qualquer época, em qualquer governo.
Sua implantação criará uma cidade que os paulistanos merecem: mais bonita, mais humana, com menos trânsito.
Um exemplo fantástico de conceito de uso múltiplo das águas. De respeito e valorização do meio ambiente. Para sair do discurso e entrar no currículo da nossa cidade.


fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joseluizportella/1062096-praia-de-paulistano---hidroanel.shtml




 
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sábado, 17 de março de 2012

A TV Cultura não é pública. Ela é tucana

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Mino Carta


Uma tevê pública é uma tevê pública, é uma tevê pública e é uma tevê pública, diria a senhora Stein. Pública. Um bem de todos, sustentado pelo dinheiro dos contribuintes. Uma instituição permanente, acima das contingências políticas, dos interesses de grupos, facções, partidos. A Cultura de São Paulo já cumpriu honrosamente a tarefa. Nas atuais mãos tucanas descumpre-a com rara desfaçatez.


A perfeita afinação entre a mídia nativa e o tucanato está à vista, escancarada, a ponto de sugerir uma conexão ideológica entre nossos peculiares social-democratas e os barões midiáticos e seus sabujos. A sugestão justifica-se, mas, a seu modo, é generosa demais. Indicaria a existência de ideias e ideais curtidos em uníssono, ao sabor de escolhas de vida orientadas no sentido do bem-comum. De fato, estamos é assistindo ao natural conluio entre herdeiros da casa-grande. -Nada de muito elaborado, entenda-se. Trata-se apenas de agir com a soberana prepotência do dono da terra e da senzala.


E no domingo 11 sou informado a respeito do nascimento de uma TV Folha. Triunfa nas páginas 2 e 3 da Folha de S.Paulo a certidão do evento, a prometer uma nova opção para as noites de domingo na tevê, com a jactanciosa certeza de que no momento não há opções. E qual seria o canal do novo programa? Ora, ora, o da Cultura. Ocorre que a tevê pública paulista acaba de oferecer espaço não somente à Folha, mas também a Estadão, Valor e Veja. Por enquanto, que eu saiba, só o jornal da família Frias aproveitou a oportunidade, com pífios resultados, aliás, em termos de audiência na noite de estreia.


Até o mundo mineral está em condições de perceber o alcance da jogada. Trata-se de agradar aos mais conspícuos barões da mídia, lance valioso às vésperas das eleições municipais no estado e no País. E com senhorial arrogância, decide-se enterrar de vez o sentido da missão de uma tevê pública. Tucanagens similares já foram cometidas em diversas oportunidades nos últimos anos, uma delas em 2010, o ano eleitoral que viu José Serra candidato à Presidência da República. Ainda governador, antes da desincompatibilização, Serra fechou ricos contratos de assinatura dos jornalões destinados a iluminar o professorado paulista.


Do volumoso pacote não constava obviamente CartaCapital, assim como somos excluídos do recente convite da Cultura. O que nos honra sobremaneira. Diga-se que, caso convidados (permito-me a hipótese absurda), recusaríamos para não participar de uma ação antidemocrática ao comprometer o perfil de uma tevê pública, amparada na indispensável contribuição de todos os cidadãos, independentemente dos seus credos políticos ou da ausência deles.


Volta e meia, CartaCapital é apontada como revista chapa-branca, simplesmente porque apoiou a candidatura de Lula e Dilma Rousseff à Presidência da República. Em democracias bem melhor definidas do que a nossa, este de apoiar candidatos é direito da mídia e valioso serviço para o público. Aqui, engole-se, sem o mais pálido arrepio de indignação, a hipocrisia de quem se pretende isento enquanto exprime as vontades da casa-grande. Há quem se abale até a contar os anúncios governistas nas páginas de CartaCapital, e esqueça de computar aqueles saídos nas demais publicações, para provar que estamos aos préstimos do poder petista.


Fomos boicotados durante os dois mandatos de Fernando Henrique e nem sempre contamos com o trato isonômico dos adversários que tomaram seu lugar. Fizemos honestas e nítidas escolhas na hora eleitoral e nem por isso arrefecemos no alerta perene do espírito crítico. Vimos em Lula o primeiro presidente pós-ditadura empenhado no combate ao desequilíbrio social, embora opinássemos que ficou amiúde aquém das chances à sua disposição. E fomos críticos em inúmeras situações.


Exemplos: juros altos, transgênicos, excesso de poder de Palocci e Zé Dirceu, Caso Battisti, dúbio comportamento diante de prepotências fardadas. E nem se fale do comportamento do executivo diante da Operação Satiagraha. Etc. etc. Quanto ao Partido dos Trabalhadores, jamais fugimos da constatação de que no poder portou-se como os demais.


Hoje confiamos em Dilma Rousseff, de quem prevemos um desempenho digno e eficaz. O risco que ela corre, volto a repetir na esteira de agudas observações de Marcos Coimbra, está no fruto herdado de uma decisão apressada e populista, a da Copa de 2014. Se o Brasil não se mostrar preparado para a empreitada, Dilma sofrerá as consequências do descrédito global.


No mais, desta vez dirijo minha pergunta aos leitores em lugar dos meus botões: qual é a mídia chapa-branca?



 
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Tabela comprova: sp na contramão

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Disse no texto "Às vezes, dá pena do paulistano" que SP vai na contra-mão do Brasil. Isso não é achismo, idealismo ou coisa e tal. É fato.
Basta olhar essa tabela. Ela mostra o crescimento do PIB por Estado Brasileiro, de 2003 à 2009 e já classifica os estados por ordem de crescimento acumulado.
O Estado com mais indústrias e população do país está a frente de apenas 6, dos 27 em questão?
Pobre Paulista|
clique e veja a tabela: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_estados_do_Brasil_por_crescimento_do_PIB

 
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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Às vezes, dá pena do paulistano.

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Tem dias que eu tenho raiva. Outros, pena de quem continua a morar em SP. Hoje é um desses dias.
Tenho lido a briga de foice, ou de bicos que está para se decidir os candidatos a prefeitura da capital.
Por enquanto, o único confirmado é o petista Fernando Haddad, candidato do ex-presidente Lula e que foi ministro da Educação dele. 
Os demais têem se movimentado nos bastidores para decidir quem apoia quem. Acho estranha a passividade da esquerda paulista em já articular uma campanha. Ivan Valente ou Gianazzi, ambos do PSOL, não mostraram as caras ainda e assim fica difícil criar uma alternativa numa cidade com a população do tamanho de um Estado.


Pela direita conservadora, muito provavelmente o candidato será o José Serra, o último derrotado na eleição presidencial e que tem contra ele as denúncias de desvio de dinheiro documentadas do livro A Privataria Tucana bem como o fato de ter abandonado a prefeitura e deixado de "presente" Kassab, o prefeito mais impopular desde Celso Pitta (que aliás foi seu chefe, pois Kassab foi secretário de Pitta).


E ainda terão pela frente Gabriel Chalita, PMDB, Netinho PC do B e Celso Russomano, da tchurma do Maluf (isso se ele mesmo não sair canditato também) , só que agora no PRB. Os três últimos, aliás, com grande penetração na periferia e no voto das pessoas mais simples, o que pode complicar a disputa.
O curioso é que com tantos nomes, se você perguntar a um paulistano quem você gostaria que fosse prefeito ou prefeita da cidade, muito provavelmente nenhum desses seria citado. Ou seja, é o completo distanciamento da política com o povo. Enquanto os partidos debatem, fazem acordos e costuram alianças, o povo não sabe de nada e quando souber, aí terá que escolher entre o "menos pior".
Agora o que me dá pena no dia de hoje é a quase certeza que Serra será novamente eleito. Isso porque o paulistano médio tem se tornado cada vez mais conservador e individualista e vê nele um representante dos privilégios adquiridos. Também me dá pena porque São Paulo vai continuar na contra-mão do Brasil, ou seja, enquanto o país e a maioria dos estados e cidades investem, crescem e melhoram as condições de vida de todas as classes sociais, a economia de São Paulo se retrai, as pessoas mais interessadas em melhorar o lugar onde vivem começam a se mudar para outras cidades, a população mais pobre vê suas moradias serem "acidentalmente" incendiadas, os artistas de rua são proibidos de trabalhar, a Controlar desvia dinheiro em nome de uma inspeção ambiental, etc, etc, etc. Tudo isso, com Serra, terá continuidade!
Ou desde já o paulistano cansado disso começa a se movimentar e dessa vez milita por um candidato diferente, ou Serra e a turminha do Kassab ficarão mais 4 anos destruindo essa que já foi a cidade modelo para o resto do país.


atualizando: antes que falem bobagem, se eu pudesse escolher meus cadidatos seria Erundina com Ivan Valente de vice.


 
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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Esse Kassab!

(clique no título acima para ver a postagem completa)
O prefeito da cidade São Paulo não perde uma oportunidade de criar "dificuldades" pra vender "facilidades". Depois da Cidade Limpa e da inspeção veicular (vide Controlar e a roubalheira demotucana) agora, em meio ao acidente de São Bernardo e do RJ ele diz que vai criar uma lei obrigando os edifícios a fazerem inspeção a cada 5 anos com "engenheiros técnicos autorizados".
Perai!
A função da prefeitura não é fiscalizar? Que ele contrate técnicos para vistoriar prédios.
Mas em sua lógica neoliberal conservadora, a obrigação de fazer  inspeção é do próprio edifício que, claro, além do IPTU que já paga deve pagar para os "técnicos" aprovarem se está tudo ok a cada 5 anos. É a lógica invertida.
Esse Kassab!

Ah, só pra lembrar, esse Kassab só é prefeito porque um tal de Jose Serra o colocou como vice e depois abandonou a prefeitura de São Paulo!

 
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domingo, 5 de fevereiro de 2012

A diáspora haitiana e a "africanização" paulista.

(clique no título acima para ver a postagem completa)


bem interessante a matéria. Principalmente pela temática e por imaginar que a cidade de São Paulo, com isso, tente a aumentar consideravelmente sua "africanização". Saberão os ultra-conservadores lidar com esse novo público? Ou o preconceito, até então contra os nordestinos, mudará de lado. Veja que eles são "mão de obras" de postos que ninguém quer ocupar.


São Paulo já tem seu reduto haitiano e consulado vira "agência de empregos"

Rodrigo Bertolotto
Do UOL, em São Paulo

Até dezembro último, Gislene Silva era mais uma dessas secretárias da avenida Paulista, cuidando da agenda, atendendo contatos e marcando reuniões para seu chefe. Agora ela é um dos elos para os imigrantes haitianos em São Paulo conseguirem entrar na sociedade e economia brasileiras.


Gislene recebe e organiza todas as empresas e as pessoas atrás da mão de obra que está vindo do Caribe via Peru e Acre. "É muita gente ligando. São postos que muitos brasileiros se negam a ocupar. Peço sempre para os empregadores potenciais mandarem um e-mail com todos os detalhes do trabalhador que estão procurando", conta a secretária na sede consular.


Refugiados haitianos falam sobre perspectivas no Brasil e outros vídeos - UOL Notícias



Outro elo é Brunel Cadet, um haitiano com seis meses de Brasil que arrumou função dentro do consulado após varios encontros e reivindicações com George Antoine, o cônsul do país mais pobre do continente na cidade mais rica da América Latina.
Há algum tempo, Brunel estava dividido entre aceitar um emprego como ajudante de cadeirante ou a possibilidade de ter um posto no próprio consulado. A segunda posição foi o que aconteceu. Agora ele é a ponte entre os cerca de 1.600 haitianos na cidade e a economia formal do Brasil.
A maioria deles está concentrada nas ruas da Baixada do Glicério, um região degradada do centro paulistano com forte presença de moradores de rua (muitos vivem da reciclagem de lixo) e dos usuários de drogas expulsos da vizinha cracolândia recentemente. Os haitianos estão alojados na Casa do Migrante e em pensões da rua dos Estudantes, formando por lá uma "Little Haiti", como é conhecido o reduto haitiano de Miami (antes do Brasil, os EUA e o Canadá eram o principal destino dos haitianos). Na igreja Nossa Senhora da Paz, localizada na rua do Glicério, já teve até missa em créole (língua local) para os recém-chegados.
"Meus patrícios preferem vir para São Paulo porque aqui o salário é mais alto que no Acre ou no Amazonas. Lá se consegue uma média de R$ 900 por mês. Aqui dá para ganhar o dobro ou mais", conta o rapaz de 32 anos que deixou mulher e dois filhos em Porto Príncipe, a capital caribenha devastada por um terremoto em janeiro de 2010, fato que serviu de estopim para a nova diáspora haitiana.

Ele analisa as ofertas de emprego que aparecem no consulado. Depois, com seu português apenas funcional, faz uma primeira visita ao empregador, e ao final conversa com seus conterrâneos sobre as condições e lista os interessados.

"O pessoal prefere mais construção civil, porque pode aprender um metier, além da estabilidade das grandes obras e o dinheiro das horas-extras. Quanto mais serviço, melhor, assim mandam mais dinheiro para o Haiti", revela Brunel, que está organizando uma associação dos haitianos na cidade.
Dezenas deles estão trabalhando na reforma do Complexo Esportivo Constâncio Vaz Guimarães, no Ibirapuera. A empresa responsável pela obra, a Recoma, afirma que eles são de empresas terceirizadas que atuam na obra. Por outro lado, a Recoma não quer que TVs e e jornais entrevistem os trabalhadores para evitar qualquer tipo de notícia negativa na obra pública, mesmo estando em situação regular no país. 
Já para as mulheres (menos de 20% da leva migratória), há muita vaga de empregada doméstica que durma no serviço. Para os casais, há gente querendo caseiros para sítios, além de auxiliares de garçom ou cozinheiro para restaurantes.
Um grupo de 24 haitianos partiu de ônibus fretado para a cidade paranaense de Ibiporã, cidade vizinha a Londrina, para trabalhar em empresas de logística por lá. "É um trabalho braçal de carga e descarga, mas é para a gente melhorar de vida", resume Sadrac Darcelin, que trabalhava como contador em Porto Príncipe até o terremoto de 2010 arrassar a empresa em que trabalhava e, consequentemente, sua carreira.
"Quero aprender bem o português e ter uma profissão boa aqui no Brasil para depois chamar minha família para cá", diz Darcelin na porta do minibus que o levará por mais uma estrada rumo ao sonhado emprego. Um caminho que começou pelo aeroporto de Santo Domingo (na vizinha República Dominicana), passou por Panamá, Equador, Peru, Acre e, finalmente, São Paulo.
"A orientação do governo haitiano é que ajudemos os compatriotas que chegam para que isso sirva de exemplo para quem busca uma vida melhor em nosso país", conta o consul George Antoine, que está no posto em São Paulo há 30 anos. "Nunca imaginei que o consulado fosse virar uma agência de emprego, mas a força das circunstâncias nos levou a isso. Estamos tentando cadastrar todos. A limitação que o governo brasileiro estabeleceu em janeiro está até nos ajudando a conseguir organizar as coisas", completa o diplomata.




 
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