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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Tá foda essa história do RJ

Seus fascistas do caralho.
Comemorem mesmo a entrada da polícia carioca nas favelas.
Afinal, temos a polícia mais honesta do mundo não é?
Não dá pra ver esse vídeo e não se revoltar!



E TEM MAIS

domingo, 28 de novembro de 2010

Circo armado no RJ só engana quem quer.

É impossível falar sobre o que está acontecendo no Rio de Janeiro e não citar o filme
Tropa de Elite (clique aqui pra ver o que achei do filme).






Vou tentar então não repetir o que muito bem já disse o Marcelo Freixo (clique aqui para ler).


Lembrando então do filme: o primeiro começa falando sobre o trabalho do BOPE pra controlar os morros na visita do Papa ao Brasil.


Não é  muito diferente do que a gente vê hoje. Só é mais escancarado.


O governo do RJ está fazendo o show pra inglês ver que a mídia golpista queria. Eu não estou aqui defendendo que o Estado continue ausente dos morros, das favelas, mas não é a polícia quem vai resolver o problema da violência no RJ.


Porque o que está sendo feito é a velha limpeza "étnica" e a tática de aproveitar do tema combate ao tráfico pra matar indiscriminadamente os pobres e pretos das favelas cariocas e, assim, diminuir um pouco dessa "gentalha" como a elite define os moradores da periferia.
O confronto, a meu ver, seria necessário nessa intensidade para desarticular o tráfico se já houvesse uma política pública de valorização dos demais moradores, dando saneamento básico, moradia, saúde e educação descente pros que moram ali.


Porque na atual situação, muito traficantes serão presos e mortos, mas o sistema que leva a criação destes personagens continua existindo e, em pouco tempo, outros assumirão seus postos.


Ou alguém duvida disso?

A crise no RJ

por Marcelo Freixo, na Folha de S. Paulo, via Vermelho
Dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marcham em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar.
Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias. Não defendem ideologia. Não disputam o Estado. Não há sequer expectativa de vida.
Só conhecem a barbárie. A maioria
não concluiu o ensino fundamental e sabe que vai morrer ou ser presa.
As imagens aéreas na TV, em tempo real, são terríveis: exibem pessoas que tanto podem matar como se tornar cadáveres a qualquer hora. A cena ocorre após a chegada das forças policiais do Estado à Vila Cruzeiro e ao Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro.
O ideal seria uma rendição, mas isso é difícil de acontecer. O risco de um banho de sangue, sim, é real, porque prevalece na segurança pública a lógica da guerra. O Estado cumpre, assim, o seu papel tradicional. Mas, ao final, não costuma haver vencedores.
Saco de cocaína apreendida no Morro do Alemão
Esse modelo de enfrentamento não parece eficaz. Prova disso é que, não faz tanto tempo assim, nesta mesma gestão do governo estadual, em 2007, no próprio Complexo do Alemão, a polícia entrou e matou 19. E eis que, agora, a polícia vê a necessidade de entrar na mesma favela de novo.
Tem sido assim no Brasil há tempos. Essa lógica da guerra prevalece no Brasil desde Canudos. E nunca proporcionou segurança de fato. Novas crises virão. E novas mortes. Até quando? Não vai ser um Dia D como esse agora anunciado que vai garantir a paz.
Essa analogia à data histórica da 2ª Guerra Mundial não passa de fraude midiática.
Essa crise se explica, em parte, por uma concepção do papel da polícia que envolve o confronto armado com os bandos do varejo das drogas. Isso nunca vai acabar com o tráfico. Este existe em todo lugar, no mundo inteiro. E quem leva drogas e armas às favelas?
É preciso patrulhar a baía de Guanabara, portos, fronteiras, aeroportos clandestinos. O lucrativo negócio das armas e drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado. Ter a polícia que mais mata e que mais morre no mundo não resolve.
Falta vontade política para valorizar e preparar os policiais para enfrentar o crime onde o crime se organiza – onde há poder e dinheiro. E, na origem da crise, há ainda a desigualdade. É a miséria que se apresenta como pano de fundo no zoom das câmeras de TV. Mas são os homens armados em fuga e o aparato bélico do Estado os protagonistas do impressionante espetáculo, em narrativa estruturada pelo viés maniqueísta da eterna “guerra” entre o bem e o mal.
Como o “inimigo” mora na favela, são seus moradores que sofrem os efeitos colaterais da “guerra”, enquanto a crise parece não afetar tanto assim a vida na zona sul, onde a ação da polícia se traduziu no aumento do policiamento preventivo. A violência é desigual.
É preciso construir mais do que só a solução tópica de uma crise episódica. Nem nas UPPs se providenciou ainda algo além da ação policial. Falta saúde, creche, escola, assistência social, lazer.
O poder público não recolhe o lixo nas áreas em que a polícia é instrumento de apartheid. Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública terá de passar pela garantia dos direitos básicos dos cidadãos da favela.
Da população das favelas, 99% são pessoas honestas que saem todo dia para trabalhar na fábrica, na rua, na nossa casa, para produzir trabalho, arte e vida. E essa gente — com as suas comunidades tornadas em praças de “guerra”– não consegue exercer sequer o direito de dormir em paz.
Quem dera houvesse, como nas favelas, só 1% de criminosos nos parlamentos e no Judiciário…
*Marcelo Freixo é deputado estadual (PSOL-RJ), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.