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domingo, 6 de maio de 2012
domingo, 4 de março de 2012
A homofobia na educação brasileira.
(clique no título acima para ver a postagem completa)
De vez em quando escrevo aqui textos que, creio, podem provocar a reflexão de educadores e arte/educadores (clique aqui para ver o que já publiquei).
Hoje escrevo sobre um tema muito presente na minha experiência de arte-educador e que gerou um desejo de me especializar na temática como vertente de trabalho: a homofobia e os direitos sociais.
A fase da pré-adolescência e adolescência é o momento mais fácil de se detectar a orientação sexual dos
educandos. E em algumas crianças, os sinais são gritantes.
É incrível como em quase todos os ambientes, rico ou pobre, formal ou informal, os educadores e cordenadores não sabem como lidar com essa informação, muitas vezes reproduzindo discursos preconceituosos e reafirmando atitudes homofóbicas dos demais colegas de turma da criança.
Sendo assim, para começar a tratar desse tema no blog reproduzo um trecho do TCC de Marcelo Ricardo Prata, do curso de Serviço Social da PUC-RJ que chama:
Serviço Social e Homossexualidade.
fazem questão de silenciar, causando assim, a exclusão de vários meninos e meninas do núcleo escolar. Para melhor entendermos o conceito de exclusão, recorro a Sposatti, que nos mostra que:
Não seria oportuno, no âmbito da educação escolar, uma reflexão sobre o assunto? Poderíamos continuar indiferentes à problemática da sexualidade.
Diriam, assim, alguns educadores: “Se não sou homossexual, o que tenho a ver com os que o são?”. Exatamente, por se ter nossa orientação sexual resolvida, devemos ter uma preocupação com aqueles que, sendo crianças ou
adolescentes, estão se definindo sexualmente para a vida?
Ao fazer referência às escolas públicas, a questão da homossexualidade sofre com um preconceito muito acentuado. Nas escolas privadas, pouco se discute,
pouco se fala, pouco se reflete, gerando, não poucas vezes, comportamentos sutilmente agressivos de professores com relação aos alunos homossexuais, sejam meninos ou meninas. Nestas escolas privadas, aceita-se o matriculado,
mas não se tolera o educando com tendência homossexual. A diferença entre escola pública e privada, nesse particular, é que, naquela, não há o princípio de tolerância.
É na escola que meninos e meninas aprendem ou apreendem o convívio social com o resto da sociedade, já que a educação escolar não pode ser vista como o único meio de aprendizado, mas a continuação e aprimoramento dos saberes passados pelo convívio familiar, principalmente quando se pensa em educação e relação com o corpo. Para completar esta afirmação é preciso definir e
conceituar Educação, segundo Brandão:
“Não há uma forma única, nem um
modelo único de Educação a escola não
é o único lugar onde ela acontece e,
talvez nem seja o melhor, o ensino
escolar, não é essa a sua única pratica e
o professor profissional não é o seu
único praticante”.
(BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação?
As últimas pesquisas sobre sexualidade na escola revelam dados preocupantes, dignos de serem urgente e amplamente debatidos. Dados estes que precisam ser reconstruídos na direção da transformação da sociedade, combatendo (e
não reproduzindo) as diversas formas de exclusão. Uma direção em que o eixo é a promoção da cidadania: o respeito às diferenças, à convivência democrática com a diversidade, rumo à inclusão e a uma maior justiça social. Apresento a
seguir, o perfil dos professores brasileiros, de escolas públicas e privadas, nas 27 Unidades da União, segundo pesquisa feita pela UNESCO (Organização das
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em parceria com o Ministério a Educação:
O referido índice de intolerância surpreende e preocupa, considerando dentre outras questões, o “poder” de influência dos professores, que nos jovens chega a ser maior que a dos próprios pais.
Outra pesquisa intitulada “Juventudes e Sexualidade” realizada pela Unesco no ano de 2000, em 14 capitais (dentre estas, Recife), com 16.422 alunos, 3.099
educadores e 4.532 pais e mães de alunos(as) de 241 escolas, revelam que:
Estes últimos dados indicam, que mesmo aparentemente liberais, os jovens dessa geração também têm seus traços de intolerância. Neste tocante presenciamos no cotidiano escolar alunos humilhando outros só porque são
homossexuais, reproduzindo a “homofobia” ainda muito presente na nossa
sociedade, contribuindo assim para a exclusão social e a injustiça de quem as
sofre.
No âmbito da educação escolar, precisamos acirrar as reflexões e ações, pois não podemos continuar tratando com “invisibilidade” a sexualidade que está presente na escola com toda a sua complexidade e diversidade, pois ainda nos
defrontamos com posturas machistas, sexistas, preconceituosas e indiferentes no cotidiano escolar, tais como: “se não sou homossexual, o que tenho a ver
com os que são?”; uma travesti que prefere usar seu nome feminino, em vez do de batismo, e o professor insiste em chamá-la pelo nome de batismo. E onde fica o respeito em não tratá-la como ela prefere (como se reconhece).? E a
professora que não aceita o aluno de brinco na escola? E a professora que solicita nas entrelinhas das inquietações apontadas nas capacitações sobre sexualidade, “receitas” para corrigir as “tendências homossexuais dos(as)
alunos(as)?
Ainda com a idéia de que a orientação sexual é uma opção, de que é aprendido,
de que você pode educar uma pessoa para ser heterossexual ou homossexual.
Para além da situação extrema do assassinato, muitas outras formas de
violência vêm sendo apontadas, envolvendo familiares, vizinhos, colegas de
trabalho ou de instituições públicas como a escola, as forças armadas, a justiça
ou a polícia, os números da violência são alarmantes, conforme nos mostra
Mott:
Quando falo em escolarização formal penso no sistema educacional que não consegue lidar com casos tão específicos quanto os dos homossexuais masculinos e femininos; travestis ou transgêneros, apesar dos Parâmetros
Curriculares Nacionais estabelecerem que:
O ambiente escolar é responsável pelo grande número de jovens agredidos por causa de sua orientação sexual, já que as crianças não têm em suas famílias acesso ao diferente, ao plural e, ao entrarem para a escola excluem de seus
meios tudo aquilo que não lhes parece normal em âmbito familiar. Não raro encontramos um menino ou uma menina sendo “massacrados” por piadinhas e apelidos maldosos, simplesmente por não estarem cumprindo seus papéis
A homossexualidade dentro da escola é tratada do mesmo modo como é tratada fora dela, ou seja, a partir dos papéis sociais/sexuais impostos pela sociedade a homens e mulheres na vida cotidiana. As relações de poder também estão presentes no imaginário popular no que diz respeito à sexualidade humana, já que o poder está relacionado à masculinidade, enquanto ao feminino cabe a delicadeza e a sensibilidade. Neste ambiente, podemos observar que as
relações sexuais também passam pelo crivo social dos papéis sexuais/sociais.
A idéia de que o homossexual ativo é aquele que domina a relação e, o passivo é o que se deixa dominar (o que exerce no caso dos homens o papel da mulher) ocorre em inúmeras sociedades. Neste Brasil que chamamos – ou pelo menos
achamos ser – livre de preconceitos não seria diferente: a regra social é quem dita o que homens e mulheres devem cumprir para que sejam aceitos por ela,
imprimindo sua marca machista nos sujeitos, conforme nos mostra Fry:
em grupo. Ela precisa pregar a tolerância e não a intolerância, como podemos observar com este presente trabalho. Professores e profissionais da área devem
abrir seus olhos, livrando-os da cortina imposta pela sociedade burguesa moralista e trabalharem a favor da ética e do respeito ao próximo, sem distinções.
De vez em quando escrevo aqui textos que, creio, podem provocar a reflexão de educadores e arte/educadores (clique aqui para ver o que já publiquei).
Hoje escrevo sobre um tema muito presente na minha experiência de arte-educador e que gerou um desejo de me especializar na temática como vertente de trabalho: a homofobia e os direitos sociais.
A fase da pré-adolescência e adolescência é o momento mais fácil de se detectar a orientação sexual dos
educandos. E em algumas crianças, os sinais são gritantes.
É incrível como em quase todos os ambientes, rico ou pobre, formal ou informal, os educadores e cordenadores não sabem como lidar com essa informação, muitas vezes reproduzindo discursos preconceituosos e reafirmando atitudes homofóbicas dos demais colegas de turma da criança.
Sendo assim, para começar a tratar desse tema no blog reproduzo um trecho do TCC de Marcelo Ricardo Prata, do curso de Serviço Social da PUC-RJ que chama:
Serviço Social e Homossexualidade.
1.3 – A homofobia na escola
A escola, depois da família, é o segundo grupo social mais importante para os indivíduos, já que é neste complexo grupo que o sujeito aprimora seus
conhecimentos trazidos de casa e passa a conhecer outros universos. Em setratando de civilização brasileira, avançamos muito pouco com relação às idéias
sobre o corpo, a alma e a sexualidade inculcadas no século XVI. A situação é ainda mais acentuada quando fazemos referência às questões de ordem sexual
no âmbito da educação escolar. Este tema é, em geral, visto com olhar “enviesado”, estreito, apesar da sociedade democrática ter escolhido a partir do
século XVIII, as instituições de ensino, em todos os níveis, para acolher as
grandes questões que inquietam o meio social. A homossexualidade é tema que educadores, sejam diretores, coordenadores ou professores, com ou sem pósgraduação,
fazem questão de silenciar, causando assim, a exclusão de vários meninos e meninas do núcleo escolar. Para melhor entendermos o conceito de exclusão, recorro a Sposatti, que nos mostra que:
“Exclusão social é a impossibilidade de
poder partilhar da sociedade e leva a
vivência da privação, da recusa, do
abandono e da expulsão, inclusive com
violência de uma parcela significativa da
população, por isso, a exclusão social
não é só pessoal, não se trata de um
processo individual, embora atinja
pessoas, mas de uma lógica que está
presente nas varias formas econômicas,
sociais, culturais e políticas da sociedade
brasileira. Esta situação de privação
coletiva é que está se entendendo por
exclusão social”.
(SPOSATTI, Adaiza. Mapa da Exclusão/inclusão
social na cidade de São Paulo. EDUC,
São Paulo, 1996, p. 05.)
Não seria oportuno, no âmbito da educação escolar, uma reflexão sobre o assunto? Poderíamos continuar indiferentes à problemática da sexualidade.
Diriam, assim, alguns educadores: “Se não sou homossexual, o que tenho a ver com os que o são?”. Exatamente, por se ter nossa orientação sexual resolvida, devemos ter uma preocupação com aqueles que, sendo crianças ou
adolescentes, estão se definindo sexualmente para a vida?
Ao fazer referência às escolas públicas, a questão da homossexualidade sofre com um preconceito muito acentuado. Nas escolas privadas, pouco se discute,
pouco se fala, pouco se reflete, gerando, não poucas vezes, comportamentos sutilmente agressivos de professores com relação aos alunos homossexuais, sejam meninos ou meninas. Nestas escolas privadas, aceita-se o matriculado,
mas não se tolera o educando com tendência homossexual. A diferença entre escola pública e privada, nesse particular, é que, naquela, não há o princípio de tolerância.
É na escola que meninos e meninas aprendem ou apreendem o convívio social com o resto da sociedade, já que a educação escolar não pode ser vista como o único meio de aprendizado, mas a continuação e aprimoramento dos saberes passados pelo convívio familiar, principalmente quando se pensa em educação e relação com o corpo. Para completar esta afirmação é preciso definir e
conceituar Educação, segundo Brandão:
“Não há uma forma única, nem um
modelo único de Educação a escola não
é o único lugar onde ela acontece e,
talvez nem seja o melhor, o ensino
escolar, não é essa a sua única pratica e
o professor profissional não é o seu
único praticante”.
(BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação?
26ª edição, Editora Brasiliense, Coleção
Primeiros Passos, São
Paulo, 1991. p.09.)
Paulo, 1991. p.09.)
As últimas pesquisas sobre sexualidade na escola revelam dados preocupantes, dignos de serem urgente e amplamente debatidos. Dados estes que precisam ser reconstruídos na direção da transformação da sociedade, combatendo (e
não reproduzindo) as diversas formas de exclusão. Uma direção em que o eixo é a promoção da cidadania: o respeito às diferenças, à convivência democrática com a diversidade, rumo à inclusão e a uma maior justiça social. Apresento a
seguir, o perfil dos professores brasileiros, de escolas públicas e privadas, nas 27 Unidades da União, segundo pesquisa feita pela UNESCO (Organização das
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em parceria com o Ministério a Educação:
81% declararam ser mulheres
18,5% declararam ser homens
59,7% declararam ser inadmissível que uma pessoa possa ter
experiências homossexuais
21% declararam não desejar ter como vizinhos homossexuais
(UNESCO. IN: Folha de PE, 25/02/2004.)
O referido índice de intolerância surpreende e preocupa, considerando dentre outras questões, o “poder” de influência dos professores, que nos jovens chega a ser maior que a dos próprios pais.
Outra pesquisa intitulada “Juventudes e Sexualidade” realizada pela Unesco no ano de 2000, em 14 capitais (dentre estas, Recife), com 16.422 alunos, 3.099
educadores e 4.532 pais e mães de alunos(as) de 241 escolas, revelam que:
27% dos alunos declararam que não gostariam de ter homossexuais
como colegas de classe.
35% dos pais(os homens mais preconceituosos: chegando a 60% em
Recife) e mães de alunos declararam que não gostariam que seus filhos
tivessem homossexuais como colegas de classe.
15% dos alunos declararam que consideram a homossexualidade doença
(UNESCO. IN: Folha de PE, 25/02/2004.)
como colegas de classe.
35% dos pais(os homens mais preconceituosos: chegando a 60% em
Recife) e mães de alunos declararam que não gostariam que seus filhos
tivessem homossexuais como colegas de classe.
15% dos alunos declararam que consideram a homossexualidade doença
(UNESCO. IN: Folha de PE, 25/02/2004.)
Estes últimos dados indicam, que mesmo aparentemente liberais, os jovens dessa geração também têm seus traços de intolerância. Neste tocante presenciamos no cotidiano escolar alunos humilhando outros só porque são
A homofobia, aversão a pessoas que têm atração sexual por pessoas do mesmo sexo, tem sido enfrentada pelo Governo Federal através do
Programa Brasil sem homofobia , lançado em maio de 2004, que possui uma variedade de
ações para promover o respeito à diversidade sexual, como por exemplo, o direito à Educação, que visa promover valores de respeito à paz e a não
discriminação por orientação sexual.
No âmbito da educação escolar, precisamos acirrar as reflexões e ações, pois não podemos continuar tratando com “invisibilidade” a sexualidade que está presente na escola com toda a sua complexidade e diversidade, pois ainda nos
defrontamos com posturas machistas, sexistas, preconceituosas e indiferentes no cotidiano escolar, tais como: “se não sou homossexual, o que tenho a ver
com os que são?”; uma travesti que prefere usar seu nome feminino, em vez do de batismo, e o professor insiste em chamá-la pelo nome de batismo. E onde fica o respeito em não tratá-la como ela prefere (como se reconhece).? E a
professora que não aceita o aluno de brinco na escola? E a professora que solicita nas entrelinhas das inquietações apontadas nas capacitações sobre sexualidade, “receitas” para corrigir as “tendências homossexuais dos(as)
alunos(as)?
Ainda com a idéia de que a orientação sexual é uma opção, de que é aprendido,
de que você pode educar uma pessoa para ser heterossexual ou homossexual.
Para além da situação extrema do assassinato, muitas outras formas de
violência vêm sendo apontadas, envolvendo familiares, vizinhos, colegas de
trabalho ou de instituições públicas como a escola, as forças armadas, a justiça
ou a polícia, os números da violência são alarmantes, conforme nos mostra
Mott:
“A violência letal contra
homossexuais - e mais especialmente
contra travestis e transgêneros - é, sem
dúvida, uma das faces mais trágicas da
discriminação por orientação sexual ou
homofobia no Brasil. Tal violência tem
sido denunciada com bastante
veemência pelo Movimento GLTB, por
pesquisadores de diferentes
universidades brasileiras e pelas
organizações da sociedade civil, que têm
procurado produzir dados de qualidade
sobre essa situação. Com base em uma
série de levantamentos feitos a partir de
notícias sobre a violência contra
homossexuais publicadas em jornais
brasileiros, os dados divulgados pelo
movimento homossexual são alarmantes,
revelando que nos últimos anos centenas
de gays, travestis e lésbicas foram
assassinados no País. Muitos deles,
como Édson Néris, morreram
exclusivamente pelo fato de ousarem
homossexuais - e mais especialmente
contra travestis e transgêneros - é, sem
dúvida, uma das faces mais trágicas da
discriminação por orientação sexual ou
homofobia no Brasil. Tal violência tem
sido denunciada com bastante
veemência pelo Movimento GLTB, por
pesquisadores de diferentes
universidades brasileiras e pelas
organizações da sociedade civil, que têm
procurado produzir dados de qualidade
sobre essa situação. Com base em uma
série de levantamentos feitos a partir de
notícias sobre a violência contra
homossexuais publicadas em jornais
brasileiros, os dados divulgados pelo
movimento homossexual são alarmantes,
revelando que nos últimos anos centenas
de gays, travestis e lésbicas foram
assassinados no País. Muitos deles,
como Édson Néris, morreram
exclusivamente pelo fato de ousarem
manifestar publicamente sua orientação
sexual e afetiva”.
( MOTT, Luiz. Os homossexuais.
As vítimas principais da violência.
IN: G.Velho, Alvito(orgs.). cidadania e
violência. Editora UFRJ/Editora
2FGV, 1996. p. 50.)
Muitas vezes os professores não apenas silenciam, mas colaboram ativamente na reprodução de tal violência, já que muitos não gostariam de ter alunos homossexuais, mas alguns consideram que as brincadeiras não são manifestações de agressão, naturalizando e banalizando expressões de preconceito e, esquecendo-se da violência simbólica imbutida no discurso. Não podemos falar em violência escolar, sem definirmos em algum momento o que é e, que representa a violência, como nos mostra Costa:
“Violência é o emprego desejado da
agressividade com fins destrutivos.
Agressões físicas , brigas, conflitos
podem ser expressões de agressividade
humana, mas não necessariamente
expressões de violência, a ação é
traduzida como violência pela vítima,
pelo agente ou pelo observador. A
violência ocorre quando há o desejo ou
intenção de destruição”
agressividade com fins destrutivos.
Agressões físicas , brigas, conflitos
podem ser expressões de agressividade
humana, mas não necessariamente
expressões de violência, a ação é
traduzida como violência pela vítima,
pelo agente ou pelo observador. A
violência ocorre quando há o desejo ou
intenção de destruição”
(COSTA, Jurandir Freire. IN: FUKUI, L.
Segurança nas escolas. IN: Zaluar, Alba
(org.). Violência e educação.
Editora Cortez, São Paulo, 1992, p. 103.)
A violência no âmbito escolar não pode ser reduzida apenas ao plano físico. Neste ambiente plural as agressões vão desde um apelido “inocente” até chegar às agressões físicas de fato.
A idéia da a violência física associada com a criminalidade faz com que a violência simbólica passe despercebida pelos
bancos escolares. Também não podemos deixar de mencionar, que a violência ocorrida no espaço escolar vem de fora dele, por causa das questões sociais, já que em muitos casos, algumas crianças que passaram ou que ali estão sofrem ou sofreram por violência anterior a escolar. Nunam define três tipos de violência doméstica que acabam se repetindo no espaço escolar:
“Agressão física pode ser caracterizada
por qualquer comportamento, que utilize
força física, cuja conseqüência são
danos corporais ou destruição de
propriedade; a violência psicológica
tende a se manifestar através de
intimidação, humilhação, ameaças,
agressões verbais, isolamento social e
dependência financeira forçada e a
agressão sexual está relacionada a atos
sexuais não-consensuais ou que visam
humilhar o parceiro com relação a seu
corpo, desempenho sexual ou
sexualidade”.
(Nunan, Adriana. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
ENTRE CASAIS HOMOSSEXUAIS: O
SEGUNDO ARMÁRIO? 2003. Rio de Janeiro.)
Curriculares Nacionais estabelecerem que:
“Se a escola que se deseja deve ter uma
visão integrada das experiências vividas
pelos alunos, buscando desenvolver o
prazer pelo conhecimento, é necessário
que ela reconheça que desempenha um
papel importante na educação para uma
sexualidade ligada à vida, à saúde, ao
prazer e ao bem-estar, que integra as
diversas dimensões do ser humano
envolvidas nesse aspecto”
(BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental.
Parâmetros Curriculares Nacionais: pluralidade
cultural, orientação
sexual. Brasília, MEC, SEF, 1997. p. 80.)
O ambiente escolar é responsável pelo grande número de jovens agredidos por causa de sua orientação sexual, já que as crianças não têm em suas famílias acesso ao diferente, ao plural e, ao entrarem para a escola excluem de seus
meios tudo aquilo que não lhes parece normal em âmbito familiar. Não raro encontramos um menino ou uma menina sendo “massacrados” por piadinhas e apelidos maldosos, simplesmente por não estarem cumprindo seus papéis
sociais: menino joga bola e, menina brinca de boneca. O que não corresponde a esta realidade está fora da normalidade e é errado. Esta intolerância se mostra mais agressiva e mais visível, quando o adolescente homossexual começa a
demonstrar sinais claros de se tornar um possível travesti ou transgênero na idade adulta como nos mostra Mott, acerca da homossexualidade adolescente:
‘’Geralmente, quando ainda estão
cursando o ensino fundamental, por volta
dos 13 ou 14 anos, as jovens travestis
começam os processos de hormonização,
depois vem a siliconização e o
preconceito. A família, principalmente no
Nordeste, não aceita e o garoto é expulso
de casa. O único meio de vida é a
prostituição. Costumo comparar a
travesti a uma ilha, só que ao invés de
estar cercada de água por todos os lados
está cercada pela violência”
cursando o ensino fundamental, por volta
dos 13 ou 14 anos, as jovens travestis
começam os processos de hormonização,
depois vem a siliconização e o
preconceito. A família, principalmente no
Nordeste, não aceita e o garoto é expulso
de casa. O único meio de vida é a
prostituição. Costumo comparar a
travesti a uma ilha, só que ao invés de
estar cercada de água por todos os lados
está cercada pela violência”
A homossexualidade dentro da escola é tratada do mesmo modo como é tratada fora dela, ou seja, a partir dos papéis sociais/sexuais impostos pela sociedade a homens e mulheres na vida cotidiana. As relações de poder também estão presentes no imaginário popular no que diz respeito à sexualidade humana, já que o poder está relacionado à masculinidade, enquanto ao feminino cabe a delicadeza e a sensibilidade. Neste ambiente, podemos observar que as
relações sexuais também passam pelo crivo social dos papéis sexuais/sociais.
A idéia de que o homossexual ativo é aquele que domina a relação e, o passivo é o que se deixa dominar (o que exerce no caso dos homens o papel da mulher) ocorre em inúmeras sociedades. Neste Brasil que chamamos – ou pelo menos
achamos ser – livre de preconceitos não seria diferente: a regra social é quem dita o que homens e mulheres devem cumprir para que sejam aceitos por ela,
imprimindo sua marca machista nos sujeitos, conforme nos mostra Fry:
‘O menino é chamado de bicha, não
simplesmente porque se supõe que ele
goste de manter relações homossexuais,
mas porque ele é “efeminado
simplesmente porque se supõe que ele
goste de manter relações homossexuais,
mas porque ele é “efeminado
(desempenha o papel feminino) e porque
se mantiver um relação homossexual
desempenhará um papel femininamente
passivo. O rapaz que desempenha o
papel masculino e que poderia ser o
parceiro sexual da bicha(por tanto
mantendo uma relação homossexual), é
chamado de homem ou de machão.”
se mantiver um relação homossexual
desempenhará um papel femininamente
passivo. O rapaz que desempenha o
papel masculino e que poderia ser o
parceiro sexual da bicha(por tanto
mantendo uma relação homossexual), é
chamado de homem ou de machão.”
Por isso, é importantíssimo ao se falar de homossexualidade, falarmos dos papéis sociais aos quais homens e mulheres são submetidos em nossa sociedade. Ao homem, cabe a virilidade e o sustento da casa e, às mulheres a delicadeza e o cuidado com a casa - mantendo-a sempre limpa e organizada,
bem como a educação dos filhos. No âmbito escolar, o aluno “passivo” sempre é punido e o “ativo” permanece sempre como o machão, já que a passividade é um traço extremamente feminino. Esta movimentação é o que denominamos a divisão sexual da sociedade. A escola deve cumprir seu papel como educador, porém as culturas, as religiões e os gêneros devem ser respeitados e discutidosem grupo. Ela precisa pregar a tolerância e não a intolerância, como podemos observar com este presente trabalho. Professores e profissionais da área devem
abrir seus olhos, livrando-os da cortina imposta pela sociedade burguesa moralista e trabalharem a favor da ética e do respeito ao próximo, sem distinções.
É neste contexto contraditório de papéis sociais/sexuais que aparece a violência contra homossexuais, já que para sociedade, o correto, o certo, o normal é que um homem aja socialmente – refiro-me a atitudes - como o homem ditado por ela e se relacione sexualmente com uma mulher e vice-versa, o contrário está caracterizado como anormal, errado.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Transporte, um direito social
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A locomoção nas cidades, especialmente nos grandes centros urbanos, é um enorme problema para a população em geral, mas sobretudo para os trabalhadores que dependem do transporte coletivo para deslocar-se de casa para o trabalho.
Representa também um grande desafio para os gestores públicos que devem responder com uma política de transporte capaz de atender aos vários aspectos da questão, como as grandes distâncias a serem percorridas; o trânsito caótico em ruas e avenidas onde automóveis e coletivos disputam freneticamente o espaço exíguo para um tráfego intenso; e o elevado custo do serviço.
Medidas pontuais têm sido adotadas, mas que se revelam ineficazes para resolver um problema estrutural das regiões metropolitanas. Pouco adiantam faixas exclusivas para ônibus ou rodízio de carros distribuído nos dias da semana se a frota cresce, estimulado, inclusive, por essa medida que leva parte dos usuários a adquirir mais um veículo com outra placa.
É preciso considerarmos ainda o problema tarifário e a qualidade do serviço. O preço da passagem é muito alto para um grande número de usuários obrigados a fazer parte do percurso a pé para diminuir o número de viagens e, consequentemente, as suas despesas. É verdade que parte dos custos do serviço é subsidiado pelas prefeituras com recursos do orçamento municipal, o que também acaba onerando o usuário do serviço, pois ele também paga imposto.
Quando administramos a cidade de São Paulo, e considerando injusto que um serviço essencial para o funcionamento da cidade como o transporte coletivo fosse bancado exclusivamente pelo usuário e pelo poder público, tentamos implantar uma política tarifária que distribuísse os custos do sistema pela sociedade como um todo, através de um mecanismo denominado "Tarifa Zero".
A proposta era que o transporte coletivo fosse pago por meio de impostos e taxas municipais, a exemplo dos serviços de saúde, educação, coleta e destino do lixo etc., e que constituiriam um Fundo Municipal de Transporte.
A ideia provocou a ira de setores da sociedade, movidos por uma campanha de mídia contra a proposta, usando argumentos preconceituosos, como: "os ônibus vão estar lotados de bêbados e de desocupados", ou ainda, "se for de graça, haverá vandalismo e os ônibus serão depredados".
Tais argumentos, além de falaciosos, demonstram o descompromisso daquela parte da sociedade com o interesse da cidade como espaço comum de vivência e de construção coletiva de cidadania.
A Câmara de vereadores, por sua vez, engrossou o coro dos profetas do caos e rejeitou a proposta, negando os recursos previstos para sua implantação, no projeto de lei orçamentária, movidos, inclusive, por mesquinhos interesses eleitorais.
A ideia, porém, não morreu e, após exatos 21 anos, volta revitalizada pela ação de um movimento liderado por jovens que abraçou a causa e luta pela Tarifa Zero.
Recentemente, lançou em São Paulo uma campanha para a coleta de assinaturas em um Projeto de Lei de iniciativa popular a ser apresentado à Câmara Municipal propondo a criação de Fundo Municipal de Transporte para sustentar a Tarifa Zero e, assim, garantir um transporte público de qualidade acessível a todos os paulistanos.
De outra parte, estamos apresentando uma proposta de Emenda Constitucional (PEC) na Câmara dos Deputados incluindo no artigo 6º da Constituição Federal o Transporte como um direito social.
--------
Luiza Erundina é deputada federal e foi votada por este bloqueiro que, por isso, a acompanha e a fiscaliza.
fonte do texto:
Curiosamente, ou não, o programa A Liga da última semana também tratou do tema.
segue:
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Pérola: Chico, Salgado e Saramago
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Trabalho escravo no Brasil.
A última postagem que fiz foi sobre o tema trabalho (clique aqui para ver). E não é que ontem, no programa A Liga o
tema era esse. Assista!
tema era esse. Assista!
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Emprego, trabalho e alienação.
Um bom e bonito debate foi travado ontem no curso de serviço social da Unifesp Baixada Santista..
A partir do texto de Suzana Albornoz, O trabalho na balança de valores (clique aqui pra ler), fizemos algumas ponderações interessantes.
Por um lado, é verdade que o conceito de trabalho mudou ao longo da história e hoje é muito mais complexo do que há alguns anos atrás. Entre os intelectuais há cada vez mais gente levando em conta que o trabalho não é só uma forma de gerar renda. Ele está ligado a satisfação pessoal, ao prazer físico e ou estético e que, outras atividades além do labor, também podem ser consideradas parte do trabalho.
No entanto, é preciso criar diálogos entre o mundo intelectual e o mundo real, pois este está impregnado e incorporado do pensamento do trabalho como utilidade, como geração de renda e do velho conceito protestante de que "o trabalho dignifica o homem".
O serviço social preocupado com a emancipação do indivíduo tem de buscar caminhos para quebrar esses conceitos arraigados. O que se vê no mundo real é muita gente indo na onda do trabalho que Marx aponta como "alienado". São, a todo instante, oferecidos cursos de pedreiro, marcenaria, auxiliares de escritório e outros do gênero que tem como função desenvolver a mão-de-obra barata que está cada vez mais escassa para a burguesia.
E, assim, se reproduz o ciclo de pobreza, pois o indivíduo "apto" a ser marceneiro voltará a marginalização caso o mercado pare de investir em marcenaria. Ao passo que o indivíduo emancipado saberia buscar outras alternativas caso o seu trabalho de marcenaria fosse mudando de direção.
Um exemplo mais didático:
Suponhamos que há 2 décadas atrás, fossem oferecidos aos pobres curso de digitação. O que estariam fazendo estas pessoas hoje?
Por isso, é preciso ter a dimensão do coletivo e do que garanta a autonomia do cidadão, e não somente o do resultado imediato. O trabalho responsável deve saber dialogar como o valor dominante, mas na perspectiva de modificá-lo, ou ao menos, o de questioná-lo.
O trabalho alienado pode ser oferecido como necessidade urgente, mas precisa estar atrelado a um processo emancipador, ou será, mais uma vez, a política do Pão e Circo.
A partir do texto de Suzana Albornoz, O trabalho na balança de valores (clique aqui pra ler), fizemos algumas ponderações interessantes.
Por um lado, é verdade que o conceito de trabalho mudou ao longo da história e hoje é muito mais complexo do que há alguns anos atrás. Entre os intelectuais há cada vez mais gente levando em conta que o trabalho não é só uma forma de gerar renda. Ele está ligado a satisfação pessoal, ao prazer físico e ou estético e que, outras atividades além do labor, também podem ser consideradas parte do trabalho.
No entanto, é preciso criar diálogos entre o mundo intelectual e o mundo real, pois este está impregnado e incorporado do pensamento do trabalho como utilidade, como geração de renda e do velho conceito protestante de que "o trabalho dignifica o homem".
O serviço social preocupado com a emancipação do indivíduo tem de buscar caminhos para quebrar esses conceitos arraigados. O que se vê no mundo real é muita gente indo na onda do trabalho que Marx aponta como "alienado". São, a todo instante, oferecidos cursos de pedreiro, marcenaria, auxiliares de escritório e outros do gênero que tem como função desenvolver a mão-de-obra barata que está cada vez mais escassa para a burguesia.
E, assim, se reproduz o ciclo de pobreza, pois o indivíduo "apto" a ser marceneiro voltará a marginalização caso o mercado pare de investir em marcenaria. Ao passo que o indivíduo emancipado saberia buscar outras alternativas caso o seu trabalho de marcenaria fosse mudando de direção.
Um exemplo mais didático:
Suponhamos que há 2 décadas atrás, fossem oferecidos aos pobres curso de digitação. O que estariam fazendo estas pessoas hoje?
Por isso, é preciso ter a dimensão do coletivo e do que garanta a autonomia do cidadão, e não somente o do resultado imediato. O trabalho responsável deve saber dialogar como o valor dominante, mas na perspectiva de modificá-lo, ou ao menos, o de questioná-lo.
O trabalho alienado pode ser oferecido como necessidade urgente, mas precisa estar atrelado a um processo emancipador, ou será, mais uma vez, a política do Pão e Circo.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
IX Conferência Municipal de Assistência Social de Santos
Hoje, 22 e amanhã, ocorre em Santos a IX Conferência Municipal de Assistência Social como o subtema:
Os avanços na consolidação do SUAS (Serviço Único de Assistência Social), com a valorização dos trabalhadores e a qualificação da gestão dos serviços, programas, projetos e benefícios.
A partir das 18h com o credenciamento até as 17h30 do sábado, 23 , a área de Assistência Social irá definir seu posicionamento para a Conferência Regional e, por conseguinte, a Nacional que definirá as diretrizes do setor nos próximos 02 anos.
Participe!
Local: UniSanta - Rua Cesário Mota, nº 08, 4º andar.
Programação:
dia 22
18h - credenciamento
19h - abertura oficial
19h45 - Apresentação do Conferido das Deliberações da VIII Conferência.
20h30 - Controle Social
20h45 - Inclusão Produtiva
21h - Fórum Estadual dos Trabalhadores do SUAS
dia 23
8h - credenciamento
9h - Aprovação do Regimento Interno da IX Conferência
9h15 - Trabalho dos Grupos Temáticos
13h - Lanche comunitário
Plenária Final
14 - Eleição Delegados
14h30 - Apresentação e Deliberação das propostas e moções da IX Conferência.
17h30 - Encerramento
Os avanços na consolidação do SUAS (Serviço Único de Assistência Social), com a valorização dos trabalhadores e a qualificação da gestão dos serviços, programas, projetos e benefícios.
A partir das 18h com o credenciamento até as 17h30 do sábado, 23 , a área de Assistência Social irá definir seu posicionamento para a Conferência Regional e, por conseguinte, a Nacional que definirá as diretrizes do setor nos próximos 02 anos.
Participe!
Local: UniSanta - Rua Cesário Mota, nº 08, 4º andar.
Programação:
dia 22
18h - credenciamento
19h - abertura oficial
19h45 - Apresentação do Conferido das Deliberações da VIII Conferência.
20h30 - Controle Social
20h45 - Inclusão Produtiva
21h - Fórum Estadual dos Trabalhadores do SUAS
dia 23
8h - credenciamento
9h - Aprovação do Regimento Interno da IX Conferência
9h15 - Trabalho dos Grupos Temáticos
13h - Lanche comunitário
Plenária Final
14 - Eleição Delegados
14h30 - Apresentação e Deliberação das propostas e moções da IX Conferência.
17h30 - Encerramento
domingo, 26 de junho de 2011
Diretrizes do Brasil sem Miséria
Pra quem se interessa, o lançamento com as diretrizes do Programa Brasil Sem Miséria.
Clique aqui pra ler mais sobre o que eu publiquei sobre o plano
Clique aqui para ler sobre a área de serviço social deste blog.
Clique aqui pra ler mais sobre o que eu publiquei sobre o plano
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terça-feira, 7 de junho de 2011
Saneamento Básico em Guiné-Bissau.
Saneamento básico.
Um tema caro para os guineenses. Na rua principal da capital, Bissau, você encontra a mensagem: "O Paludismo é a principal causa de mortes e doenças na Guiné- Bissau. Ajude a combatê-lo!"
Paludismo é o nome técnico para Malária, causada por protozoários parasitas.
Um tema caro para os guineenses. Na rua principal da capital, Bissau, você encontra a mensagem: "O Paludismo é a principal causa de mortes e doenças na Guiné- Bissau. Ajude a combatê-lo!"
Paludismo é o nome técnico para Malária, causada por protozoários parasitas.
Caminhando pelas ruas não é difícil de entender as razões dessa "epidemia".~
Na foto abaixo você vê uma delas. A rampinha cobre o esgoto que corre a céu aberto e na altura da rua. A maioria das casas têem essa rampinha e o esgoto correndo a frente delas. É como se você andasse pela Avenida Paulista e a sua direita corresse um pequeno córrego de esgoto com algumas rampinhas na porta de cada edifício para entrar neles.
Logo se percebe o quanto de mosquito, ratos e outros transmissores deve-se ter por ali. Mas, infelizmente, isso não é tudo. Parece que não há coleta de lixo, então, pelas ruas, pequenos "lixões" se instalam.
Mas fico mal de descrever Bissau desse jeito, afinal sei que todo bairro/cidade com problemas também tem sua riqueza e coisas muito interessantes.
Por isso, não vou ficar a descrever catástrofes e a colocar o país como o fim do mundo. O que eu vejo aqui não é muito além do que já vi no complexo da maré - RJ, em algumas áreas da Vila Albertina, ou em muitos bairros de Salvador - BA.
Só que não dá para ignorar tudo isso nas primeiras impressões do lugar. Mesmo porque, nosso primeiro sentido é a visão. O conhecimento, o contato e as relações virão depois e , creio, é nessa área que tudo irá mudar.
Guine-Bissau
É realmente muito dificil fazer um primeiro texto sobre esta nova experiência que é estar na África e, em especial, Guiné-Bissau.
Bissau é um país a leste do continente, o que seria a "continuação" do estado do Pernambuco quando supostamente os continentes eram juntos.
Então, pra começar, dá pra dizer que a "geografia" daqui é muito semelhante. Clima quente, por vezes árido, com muita terra e poeira e, claro, isso determina muita coisa.
Exibir mapa ampliado
Por exemplo:
as roupas usadas são em geral leves e com cores.
Nos bairros pobres, as casas são feitas com tijolos de barro, construidos com a terra tirada do chão.
Bissau é um país a leste do continente, o que seria a "continuação" do estado do Pernambuco quando supostamente os continentes eram juntos.
Então, pra começar, dá pra dizer que a "geografia" daqui é muito semelhante. Clima quente, por vezes árido, com muita terra e poeira e, claro, isso determina muita coisa.
Exibir mapa ampliado
Por exemplo:
as roupas usadas são em geral leves e com cores.
Nos bairros pobres, as casas são feitas com tijolos de barro, construidos com a terra tirada do chão.
Claro que dizer bairro pobre, em termos sociais e econômicos, é um eufemismo. Porque não existe bairro rico. Mas mesmo dentro da homogeneidade da pobreza há uma diferença social gritante. E é dessa diferença que surge o trabalho que estou fazendo aqui, de cooperação na implementação de um projeto social na Comunidade São Paulo.
Mas disso volto a falar depois. Termino essa primeira impressão apenas dizendo que, com muitas diferenças, o que vejo aqui não é muito díspare do que já vi em minhas muitas andanças pelo nordeste brasileiro, especialmente no seu sertão.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Proteção à mulher: Divulgue!
| Casa de Saúde atenderá vítimas de estupro |
"O mais importante é ela procurar ajuda em até 72 horas", diz Rosiane Mattar, coordenadora do Serviço de Violência Sexual da Unifesp.
Apesar de ser possível realizar o aborto legal nesses casos, a mulher
pode evitar a gravidez (ou seja, nem faz sentido falar em aborto, pois a gravidez ainda não existe) se o atendimento inicial ocorrer nesse prazo de três dias. "Muitas mulheres violentadas fingem que nada aconteceu e tentam esquecer. Percebem depois que estão grávidas", diz Fátima Ferreira Bortoletti, psicóloga integrante da equipe.
"Dependendo de como a mulher é recebida, se dá a reabilitação dela ou não", diz Eleonora Menicucci, do Centro de Estudos em Saúde Coletiva da Unifesp, parceira da Obstetrícia e do Departamento de Enfermagem no projeto.
Por isso, é importante o profissional que a atende ser preparado para a situação. "Basta um olhar para que a mulher se sinta discriminada. Ela é culpada pela sociedade: `Como você não reagiu?', perguntam. As pessoas se esquecem de que, naquela hora, a mulher entra em estado de choque", diz a psicóloga Caroline Parsit Ribeiro Vivone, também da equipe.
Segundo Fátima, muitas acabam largando o trabalho e tendo graves problemas emocionais. As psicólogas acompanham as pacientes até que elas voltem ao serviço e consigam retomar relacionamentos afetivos, muitas vezes prejudicados pela agressão. "Elas passam a ver em qualquer homem um possível estuprador. Por isso, se isolam", diz.
A vítima do estupro também poderá tomar remédios para evitar doenças como Aids, hepatite, sífilis e outras. Ao chegar à Casa, a mulher será recebida pelas enfermeiras, orientada sobre exames que fará e a medicação necessária. "É muito importante ela tomar os remédios. Muitas acabam parando por causa dos efeitos colaterais, como vômitos constantes", diz Rosiane.
Ampliação
O centro também atenderá outros casos delicados com o serviço de medicina fetal. Ele vai ser dirigido a mulheres que têm abortos espontâneos habituais, gravidez nas trompas e gestações de fetos com algum tipo de má-formação. A casa também dará apoio psicoprofilático a adolescentes grávidas e outras gestantes, isto é, ensinará às mães sobre o parto, cuidados com o recém-nascido, aleitamento materno e nutrição.
Roteiro do socorro
A mulher violentada poderá procurar diretamente a Casa de Saúde da Mulher Prof. Dr. Domingos Delascio - nome do ex-professor homenageado pela universidade. Caso a violência tenha ocorrido à noite, ela deve procurar um pronto-socorro (como o do Hospital São Paulo) para receber os cuidados de emergência e recolher material que poderá ser usado como prova no processo contra o agressor. No dia seguinte, ela será encaminhada para a Casa de Saúde da Mulher.
Depois de também receber os cuidados médicos necessários, ela é encaminhada para as psicólogas do serviço. "No começo, elas vêm três vezes por semana. Não conseguem ficar sozinhas. Muitas vezes, nem contam para a família", diz a psicóloga Fátima.
O trabalho dessas profissionais só pára quando a mulher já se sente bem para retomar a sua vida. "Muitas têm problemas com seus companheiros, perda de libido, fobias e medos", diz Rosiane. "Aqui elas serão acolhidas e respeitadas", conclui Eleonora Menicucci.
O que fazer em caso de violência sexual
A mulher não precisa ir à delegacia para fazer boletim de ocorrência logo em seguida ao estupro. Ela deve procurar assistência médica, na Casa de Saúde da Mulher ou outro serviço. Se for à noite, procurar um pronto-socorro, como o do Hospital São Paulo.
Não é preciso fazer laudo pericial no Instituto Médico Legal. O laudo médico serve como prova, se a vítima quiser processar o agressor.
A gravidez pode ser evitada. As chances são maiores se procurar um médico em até 72 horas depois da violência.
A mulher pode evitar adquirir doenças como Aids, hepatite e outras se procurar apoio médico e tomar todos os medicamentos necessários.
Onde fica
A Casa de Saúde da Mulher funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na Rua Borges Lagoa, 418
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