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domingo, 4 de outubro de 2015

Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência.

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Para as noveleiras e os noveleiros de plantão há uma perplexidade em entender porque a novela A Regra do Jogo, da rede globo de televisão tem a pior audiência da história de uma novela dita do "horário nobre" na rede de televisão que sempre deteve o maior poder econômico no Brasil.

Escrevo então como comunicador para que possamos refletir sobre esse fenômeno.





Em primeiro lugar nunca fez tanto sentido pensar na frase que sempre acompanhou as telenovelas. Algo como: "Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência." A telenovela sempre teve, merecidamente, um lugar pesado na crítica dos intelectuais da comunicação e da sociologia. Isso se dava, principalmente, por ela retratar uma imagem falsa do país onde só haviam ricos e classe média, ninguém trabalhava ou passava necessidade. Como a televisão aberta era o único meio de televisão e com o largo alcance que ela teve nos anos 80 e início dos 90 com praticamente todas as casas possuindo pelo menos um aparelho, esse retrato falso tornava-se manipulador de uma sociedade que não condizia com a realidade. Muito embora o maior problema sempre esteve nesse embate ficção x realidade, pois esta confusão era geradora da manipulação ideológica advinda da telenovela. Uma obra de ficção realista e que raras vezes explorava a fantasia, o lúdico ou o absurdo como linguagem gerava na verdade uma realidade ficcionada.


Eis que o Brasil mudou radicalmente nos anos 2000. Ampla parcela da população teve acesso a internet e aos canais pagos e as novas gerações foram migrando para outros veículos e outras formas de entretenimento. Soma-se a isso a penetração intensa das chamadas "séries" estadunidenses, ou de outros países, ganhando preferência entre os jovens e adultos dos 30 aos 40 anos. 


Ora, como linguagem, as séries são muito mais segmentadas do que as telenovelas. Elas tratam de temas específicos para públicos específicos. Sex and The City, por exemplo, era uma série voltada ao público feminino. Game of Thrones, público jovem. Married With Children, famílias de classe média. E assim por diante. 

Por outro lado, principalmente depois de Avenida Brasil, as classes populares e os bairros da periferia começaram a ser tratados e retratados mais próximos da realidade. Aparentemente isso se deu pela necessidade de reconhecimento e visibilidade dos mais pobres, o que quebrou radicalmente o paradigma dos anos 80 e 90 que foi sintetizado pelo carnavalesco Joaozinho Trinta: "Quem gosta de pobreza é intelectual. Pobre gosta de ver luxo e riqueza" (a frase exata não é essa, mas tá aproximada)

O pobre em ascensão também quer se ver representado na tela.

Por esse breve relato vê-se que o quebra-cabeças para entender a tal "baixa audiência" da novela é bem mais complexo do que dizer que há uma rejeição às novelas da Globo desde Babilônia ou atribuir essa queda ao sucesso da novela bíblica da record. 

O que me parece mais concreto é dizer que chegamos numa nova era da televisão brasileira onde as tvs abertas deverão cada vez mais segmentar seus públicos e apostar nessa segmentação para sobreviver. Acabou a era do monopólio global sobre o gosto do telespectador e nada irá recuperar isso porque é impossível agradar a todos. 20 pontos no ibope é um sucesso nessa nova era.


As pessoas que consideram A Regra do Jogo uma novela violenta não passarão a gostar dela se os capítulos ficarem cheios dos núcleos de humor. Assim como os que têm vibrado com a marca policial da novela, que começou mais parecida com uma série, inclusive com a inovação de títulos que conduzem a leitura dos capítulos, desistiriam de acompanhá-la se essa trama for diminuída. A direção da Globo precisa decidir: pra quem será essa novela?

E apostar nisso para fortalecê-la na sua audiência e no público que irá acompanhá-la por isso. 


(Nos próximos dias escreverei uma postagem sobre alguns porques de Verdades Secretas ser vista como sucesso e A Regra do Jogo como fracasso sendo que ambas tem a mesma pontuação de audiência)


sexta-feira, 6 de março de 2015

Os dramas humanos que reverberam em você.

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Comecei essa semana, com quase dois anos de atraso, a assistir a 2ª temporada do Sessão de Terapia, na GNT.
E, durante os episódios, fui me perguntando: por que gosto tanto dessa série? será que muita gente gosta? quem será o público dela?

Como linguagem, a série é uma espécie de narração sem ação. Nada, ou quase nada, acontece em cena. As ações estão nas falas, no que é dito. Nem os atores e as atrizes se mexem muito. A força da palavra, das intenções, das pausas e dos ritmos é que movimentam a cena.

Para além disso, que já é muito interessante, são as personalidades o que me fascinam. Os dramas humanos, suas angústias, dúvidas e inquietações e como cada um de nós carrega dentro de si muitos destes sentimentos.
Como é difícil falar do sentimento, como é foda sentir, como nos enganamos, nos sujeitamos, nos desmerecemos cotidianamente.



Já tive momentos da vida em que isso foi muito gritante. Por hora, e por sorte, não estou num destes.
Mas quem nunca se colocou nestas situações?
Tenho pena, embora compreenda, de quem foge da análise. Fazer terapia, ao menos uma vez na vida, é essencial para todas e todos. É um baita passo que se dá na vida onde, com muita dor e sofrimento, se vai adiante.
Assistí-la com calma e apresso e observar tudo isso nos eleva, nos faz também se perceber. Sessão de terapia não é uma série sobre terapia. É também uma consulta pra quem assiste. É uma sessão para a personagem e para si mesmo.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A razão do sucesso de Avenida Brasil.

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Na próxima sexta, 19, termina a telenovela Avenida Brasil. Enorme sucesso, este fenômeno televisivo causou espanto na mídia por, pela primeira vez, atingir e cativar o público masculino e o feminino juntos.
As explicações para isso são muitas e não conseguirei aqui listá-las todas, mas a principal receita de sucesso desta novela é ela ser a antítese do politicamente correto.

O público tá de saco cheio de ficção certinha e em Avenida Brasil o autor João Emanuel Carneiro reverteu e  inverteu tudo.
- Carminha apanha quando apronta, a despeito da Lei Maria da Penha.
- Todos os personagens quando tem um problema enchem a cara, afogam as mágoas no álcool.
- A poligamia de Cadinho é aceita e assumida por suas 03 mulheres e pela comunidade.
- A evangélica que era atriz pornô se desconverte e abandona a religião pra voltar a vida de prazer.
- A mais gostosa se assume como maria chuteira e faz disso seu trunfo pra pegar todo mundo.
- Mas ela ainda faz mais e tenta ( e consegue por um tempo) atrair sexualmente um gay.
- Roni, o gay em questão, consegue seu namorado no esquema casamento a 3.
e por aí vai...
Avenida Brasil traz então uma questão que deve e precisa ser debatida: ficção precisa ser politicamente correta?
É claro que tem os caga-regras que acham que deve (ver aqui a crítica do Leonardo Sakamoto). Talvez se ele assistisse a toda a novela, como assume que não faz, entenderia que Carminha de ingênua não tem nada, mas isso é outra história...
Por fim, essa questão da novela que trago ao debate é a central razão de seu sucesso e não o retrato da nova classe C, como alguns acham. Tem muita novela que tenta retratar essa camada social e não consegue exatamente por tratá-la da forma mais burguesa existente no Brasil. Não adianta colocar os personagens na favela se eles agem como moradores de ipanema. 
O que está em jogo é o retrato ficcional de uma sociedade que, na prática, é cheia de moral às avessas, onde os valores conservadores não penetram com tanta força e onde o prazer e o impulso falam mais alto do que a razão. E quem somos nós para julgá-los?

PS: Eu acharia ruim se a novela fizesse apologia a violência doméstica, por exemplo, ou outras questões sociais complexas, mas não é o caso em Av Brasil.

 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

David Lynch no Roda Viva

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Se você já o conhece, vale a pena ver a entrevista.
Se não o conhece, vale a pena conhecer-lo, mas principalmente ver seus filmes.
Desfrute!


 
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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Avenida Brasil põe em risco a credibilidade ao defender teses religiosas.

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A novela Avenida Brasil entrou no último sábado, 28/07, numa temática muito perigosa. A novela, que vem ganhando cada vez mais popularidade e respeitabilidade junto à crítica pode ver tudo desabar em busca de agradar a audiência.


Engana-se quem pensa que estou falando da vingança de Nina em Carminha.



O problema em questão é o casamento de Suelen e Roni que coloca uma tese conservadora, preconceituosa e preocupante em cena:


"Todo gay só é gay porque nunca teve mulher ou o problema do homosexual é falta de testosterona".


Uma tese defendida pelos evangélicos e demais homofóbicos para aumentar a intolerância.


A ciência cada vez mais tem tratado o assunto de maneira oposta, deixando clara que a homossexualidade é uma orientação determinada por vários fatores, sendo que nenhum deles inclui o biológico (caso do hormônio testosterona).


Essa tese defendida pelos religiosos inclui outras afirmações como a recente imagem que circula pelas redes sociais onde uma senhora afirma que nunca encontrou na bíblia nenhuma referência a homossexuais. querendo com isso dizer que isto não é normal.




 O mais preocupante disso tudo é que a novela quer agradar a massa e a massa amaria acreditar nessa tese. O autor João Emanuel Carneiro, que tão bem tem escrito essa novela e, aliás, feito uma das mais interessantes novelas dos últimos tempos ao lado de A favorita e Cordel Encantado, pode jogar por terra toda a credibilidade da crítica se insistir nessa história e ir contrário a todas as lutas pelos direitos humanos que cada vez mais são maltratados com casos frequentes de violência homofóbica (clique aqui para ver os casos).

 
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sábado, 12 de maio de 2012

A inspiração Luislinda faz história.

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Existem pessoas que nos inspiram. Nos tocam em alguma região do cérebro que nos faz repensar tudo. 
Tive esse prazer assistindo ao programa Espelho, do Canal Brasil, apresentado pelo ator Lázaro Ramos. Ele entrevistou a desembargadora Luislinda Valois.
Minha intenção aqui não é retratar ou descrever a entrevista, mas apenas dizer que ela vale a pena, porque mexe com conceitos, com preconceitos. A capacidade de superação, ou como alguns preferem chamar, de resiliência de algumas pessoas devem inspiram àqueles que se sentem um pouco perdidos ou confusos.
Outra vertente deste programa é a curiosidade em ler seu livro: O Negro no Século XXI.


A obra traz reflexões sobre a participação dos negros na sociedade atual, abordando temas como educação, profissionalização e lazer, além do tratamento dispensado aos negros durante os julgamentos e a falta de magistrados  nas diversas instâncias do Poder Judiciário.


Programa Espelho: http://programaespelho.blogspot.com.br/


 
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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Zeca Carmargo e Avenida Brasil

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Nem toda unanimidade é burra


por ZECA CAMARGO


Pense comigo: se todos concordassem com a frase “clássica” – enunciada por ninguém menos que um dos nossos maiores escritores, Nelson Rodrigues -, ela própria resumiria um pensamento burro. Concorda? Sei que esse jogo logístico pode parecer um pouco pesado para começar o post de hoje – e prometo não me alongar na dissecação dele. Uso a citação apenas como uma defesa. Sim, porque eu mesmo estou aqui hoje para elogiar um trabalho que assim que estreou já se tornou uma unanimidade: o de João Emanuel Carneiro, em “Avenida Brasil”- a nova novela das 21h. Ou eu deveria dizer “o novo filme das 21h”?
A dúvida tem fundamento: quando assisti ao primeiro capítulo na última segunda-feira, por mais de uma vez eu tive a sensação de que o que eu estava vendo estava mais para a linguagem do filme do que a da novela. Não em detrimento do próprio formato da teledramaturgia brasileira – cuidadosamente construído ao longo de décadas -, mas mais como uma genial elevação de patamar sugerida pelo autor, como se mais uma vez ele quisesse reinventar o gênero. Coisa que, claro, já está conseguindo.
(Aos cínicos de plantão, é com certa relutância e certo constrangimento que eu devo deixá-los à vontade para achar que existe uma arma na minha cabeça me obrigando a escrever algo bom sobre a nova atração maior da emissora onde eu trabalho. Os elogios que vou fazer a seguir – frutos do enorme prazer que o acompanhamento dos três primeiros capítulos de “Avenida Brasil” me deu – não são mais do que as considerações de um grande fã de novelas, uma paixão que já deixei claro em vários momentos aqui mesmo neste blog. Blog este, que vive de cultura pop – especialmente cultura pop que agrada este que vos escreve. E “Avenida Brasil”, adivinhe, cai exatamente nesta categoria. Agora, se vocês acham que isso faz parte de um complô para, hum, alavancar a audiência – diga-se, de um produto que prescinde disso (sem falar que o “poder de tiro” deste modesto espaço é ínfimo se comparado a outras ferramentas que a própria TV poderia usar para isso) -, vá em frente. Elabore sua “teoria conspiratória” num comentário aqui mesmo, ou então saia twittando sua “descoberta”. Aos que já me conhecem de longa data e sabem do meu compromisso com o que é escrito aqui, vamos em frente. Vai ser um prazer).
Eu falava então sobre a proeza de João Emanuel em associar a linguagem de cinema à de novela, sem prejuízo de nenhuma das partes. Mais de uma pessoa com quem conversei na terça-feira – e algumas que viram o capítulo comigo na segunda – admitiram que várias vezes se esqueciam de que aquilo era uma novela. A captação – que já foi recurso de algumas outras produções (notoriamente aquelas reservadas para o horário das 18h) – certamente colaborava para esse diferencial. Mas havia ainda a iluminação – certamente mais elaborada. E os enquadramentos. E a profundidade dos personagens. Eu poderia me estender aqui por cada um desses aspectos da novela, mas, para não ir muito longe, vou ficar apenas naquele que eu considero mais crucial para o sucesso da novela, e que melhor define o grande trunfo do autor: a capacidade de João Emanuel de confeccionar um ótimo roteiro.
Digamos que você não viu a estreia de “Avenida Brasil”, e alguém chega até você contando sobre um capítulo sensacional que viu outro dia numa novela. “Teve final de campeonato”, descreve esse alguém, “madrasta malvada desmascarada, um golpe revelado, um pedido de casamento e até uma armadilha para um homem que tem duas mulheres”. Nossa! – pensaria você: isso é um enredo digno de um ótimo final de novela. Pois João Emanuel jogou tudo isso no primeiro capítulo de “Avenida Brasil”. E sem a menor preocupação de ficar sem assunto dali em diante. Sua história começa já no meio – sem alienar nem um pouco quem vê. Como ele consegue isso? Bom, primeiro dispensando os canais tradicionais de apresentação de personagens. Por exemplo, não precisamos suportar dezenas de capítulos nos convencendo de que fulana é boazinha para depois nos surpreendermos com sua “guinada” para o mal. Em uma das primeiras cenas – e em menos de cinco minutos -, Carminha (magistralmente interpretada por Adriana Esteves) disse ao que veio: acaba com a vida da enteada para em seguida se fazer passar por madrasta dedicada quando o pai Genésio (Tony Ramos, em uma participação especial) chega em casa.
Economizando a atenção – mas não a inteligência – do telespectador, o autor ainda usa outro truque para eletrizar um primeiro capítulo. No lugar de nos enrolar com dúvidas sobre as intenções – e a intensidade amorosa – do craque que decide a tal final do campeonato, Tufão (Murilo Benício, apostando na veia cômica que sempre faz muito bem), para com Monalisa (Heloísa Périssé, ainda colhendo os elogios por sua atuação em “Dercy de verdade”), o roteiro resolve tudo rapidinho: da promessa incerta de um namoro ao pedido de casamento, em pouco mais de dois blocos! E para registrar sua heroína nos corações e mentes de quem está assistindo, João Emanuel não hesita: “descaradamente” nos apresenta a adorável Rita (vivida nessa fase inicial da novela, que se passa em 1999, pela não menos adorável Mel Maia), a enteada de Carminha.

Por chamadas na programação, “vazamentos de informação” (wikileaks do entertenimento!), e mais um bom boca a boca, sabemos que cada um desses personagens vai ter um desdobramento forte e elaborado. Mas, para que esperar um punhado de capítulos para jogar o telespectador no olho do furacão? Como fez em “A favorita”, João Emanuel não tem nenhuma restrição quanto a desmontar as estruturas convencionais – lembra-se quando, nessa sua novela anterior, um assassinato importante era desvendado antes mesmo de chegarmos à metade da duração prevista da história no ar? A aposta esperta do autor é a de que o público – e seja ele de que classe for – é mais inteligente do que podem sugerir as histórias convencionais. Num incansável e tentador desafio, é como se ele estivesse oferecendo um lugar numa carrinho prestes a descer numa acidentada montanha russa – para citar Bette Davies em “A malvada”, é como se ele sussurrasse no nosso ouvido: “Fasten your seatbelts, it’s going to be a bumpy night” (ou, em português, “Apertem seus cintos, vai ser uma noite turbulenta”). Vai resistir? O prejuízo será seu.
A citação à Bette Davis não é tão gratuita quanto você possa presumir. João Emanuel traz a herança de bons roteiros clássicos de Hollywood na bagagem – o que nem chega a ser uma novidade (Gilberto Braga, por exemplo, recorreu brilhantemente a “Alma em suplício”, “Mildred Pierce” no original, para construir um de seus maiores sucessos, “Vale tudo”). Mas ele não faz disso sua única fonte de inspiração. Como observou bem uma amiga que assistia ao capítulo de ontem comigo, com as dramáticas cenas no lixão – onde Rita é deixada por Carminha, depois da morte de Genésio -, a referência é diretamente literária: Charles Dickens. (E, ao observar isso fiquei pensando nos comentários sobre o “esforço” de “Avenida Brasil” em falar tão diretamente com a classe C… Será que o criador de “Oliver Twist”, “A pequena Dorrit” e “Grandes esperanças”, entre outros, já tinha essas preocupações na Inglaterra vitoriana? Eu, claro, divago…).
E além de todas essas referências, tem o talento pessoal de João Emanuel, já comprovado em vários trabalho anteriores – em um dos meu primeiros posts, eu já estava aqui declarando-me fã do autor. E é justamente por esse “conjunto” da obra, que nós sabemos que podemos esperar reviravoltas – e muitas -, em “Avenida Brasil”. Não estou falando de mudanças gratuitas de rumo, quando personagens, sem nenhuma explicação, “aprontam” algo inesperado – um velho recurso desesperado, um remendo para a falta de imaginação, que até mesmo Hollywood parece não se importar mais de usar, e que está mais para a leviana pantomima circense do que para a coerência de uma história que deveria ser bem contada para agradar o “respeitável público”… Falo, ao contrário, de uma narrativa engenhosa, que o público já está praticamente esperando – e que, pela amostra desses primeiros três capítulos, o próprio público já está disposto a aplaudir em coro. Nem que seja só para desafiar a frase de Nélson Rodrigues…

 
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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Laerte toca nas feridas.

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Nos últimos dois anos tem sido comum a presença do cartunista Laerte em programas de entrevista ou em matérias de revista e internet. 


Não muito pela sua produção artística, mas pelo fato de ter "virado mulher". Laerte com essa mudança (você pode entender melhor pelas próprias palavras dele na entrevista abaixo) mexe com conceitos e preconceitos. A verdade é que sua transformação após ter uma carreira estabelecida abre as portas pra que ele esteja nesses lugares e, assim, provoque à quem o vê.


Teria uma travesti a mesma possibilidade de divulgar seu trabalho se surgisse desde o princípio como travesti?


A pergunta é retórica, pois é claro que não! Caso assim fosse, qual travesti vem despontando por seu trabalho nos meios de comunicação? A própria Lea T está num mercado muito mais ligado as questões do corpo e para mim não conta.´


Infelizmente se uma travesti resolver ser cartunista, apresentadora de programa de televisão, repórter, ministra ou qualquer outra coisa não terá espaço tão facilmente nos meios de comunicação de massa.


Sendo assim, a figura de Laerte é um importante estandarte da causa dos transexuais, travestis e trangêneros. Ele abre as portas do conhecimento para que possamos pensar sobre o que é ser homem e o que é ser mulher.


Por fim, acho que finalmente descobri a razão para eu gostar tanto de ver, ouvir e ler entrevistas. Quando faço isso, humanizo pensamentos distintos do meu e passo a refletir sobre aquela persona. E nisso, acabo por fazer um exercício de auto-conhecimento e mudança pessoal.


Confira a entrevista! Vale a pena.



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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Apavorante.

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No universo das séries televisivas, é difícil escolher uma para assistir, pois são dezenas. 
Quase nunca escrevo delas aqui, mas dessa vez não da para escapar. Eu estava lendo sobre o resultado do Globo de Ouro 2012 (clique aqui para ver) quando me chamou atenção o nome da série "America Horror Story". No mesmo dia, ou no dia seguinte, não lembro ao certo um amigo diz: 
"- To vendo uma série fantática"
A própria.
Decidi então baixá-la. Acabo de assistir ao primeiro capítulo (a série acabou a sua primeira temporada agora em dezembro).
É a primeira vez que vejo uma série de terror. Mas não aquele terror piegas que dá vontade de rir. Desde a primeira cena você percebe: é para dar medo!
E dá!
Compartilho o link (clique aqui) do primeiro episódio. Tire as crianças da sala e divirta-se, se você for capaz. kkkk


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Como comentar uma notícia na televisão.

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Não sei se o comentarista continuará empregado depois desse comentário, pois sabemos que há muito a TV Cultura não é mais uma televisão independente, mas que é louvável ver uma avaliação tão lúcida sobre a ocupação e a reintegração do Pinheirinho, isso é.
E ainda atento para a simbologia que ele chama de "caricatural" do poder institucionalizado representado nas vestimentas dos moradores. Vale a pena pensar sobre isso!
Ah, se toda a tv comercial no Brasil fizesse análises tão lúcidas... Teríamos um outro país nascendo.




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domingo, 25 de setembro de 2011

Aí sim, uma novela.

Impossível não escrever nada depois de ver o final da novela Cordel Encantado.
Raras vezes eu vi uma produção tão bem acabada, inteligente e ousada como essa, na televisão brasileira.
É "chover no molhado" dizer da qualidade visual, dos figurinos impecáveis e cenários idem.
Então, pra não dizer o que todo mundo já disse vou tratar de dois assuntos importantes do meu ponto de vista.


1. Direitos Humanos
2. Referências culturais/históricas




A relação com os direitos humanos nessa novela foi pouco salientada por críticos e fãs, mas ela veio de uma maneira muito forte e presente para, de alguma maneira, mexer com o ideário de muita gente. No conflito tipo folhetinesco onde ora o vilão se dá bem, ora mal, chamou-me a atenção os momentos onde o vilão mor, Timóteo Cabral (Tiago Gagliasso) era capturado pelos mocinhos. 


Depois de tantas maldades, crimes e atitudes  pouco louváveis do vilão, cada vez que ele era capturado eu, como provavelmente a maioria da população que viu a telenovela, queria vê-lo sofrendo, quiçá sendo executado. No entanto, com exceção dos cangaceiros, cuja lei e a ordem é louvavelmente baseada na violência a quem é violento, nada acontecia com ele, pois a nobreza (aqui numa liberdade poética, pois os nobres na história sempre foram os mais sanguinários) e o povo de Brogodó intercediam a favor do vilão, pois como ser-humano deveria, ainda que prisioneiro, ser tratado com dignidade.


Em outro momento, quando estava para morrer, sua irmã, que outrora sofreu muito com os seus atos, quer saber como ele está, sente-se apiedada e, quando este morre, chora a perda de um irmão. 


Ainda que todos estes atos de caridade estivessem calcados, reforçados e explícitos na doutrina cristã destes personagens, é louvável que as autoras Duca Rachid e Thelma Guedes tenham provocado os telespectadores em tempos onde, pelo menos no Brasil, o "olho por olho, dente por dente" esteja cada vez mais em voga.


Claro que, melhor ainda, seria se o vilão, tocado por estes atos, sofresse paulatina transformação causada pela insistência das pessoas em transformá-lo, mas aí deixaria de ser novela, onde o vilão tem que durar até o final.


Já com relação às referências, para mim, a grande sacada desta novela foi aproveitar-se do que de bom já se produziu na história da humanidade. A literatura de cordel, o tropicalismo que elas mesmo citam na última cena, mas também as histórias de cavalaria que compõem a cultura nordestina tradicional, a história de Antonio Conselheiro na figura do beato Miguezinho (Matheus Nachtergaele), a humanização e heroização do cangaço, sempre visto nas escolas como bandidos sanguinários quando, na verdade, era uma reação a exploração e violência coronelista do sertão e, por fim, a linda referência ao clássico Romeu e Julieta, de Shakespeare, quando Aurora/Açucena (Bianca Bin) toma o veneno que a despertará horas depois e Jesuíno (Cauã Reymond) a encontra "morta", se desespera, arma-se o funeral (lindamente, aliás) e, sozinho na "cripta" resolve despedir-se de sua julieta com um beijo, no exato momento em que ela desperta.


Com tantas qualidades, Cordel Encantado é daquelas coisas que daqui a 15, 20 anos as pessoas vão falar: "lembra daquela novela...."


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Pérola: Chico, Salgado e Saramago

Num tempo distante, mas nem tanto, Jô Soares fazia boas entrevistas. 
Num tempo distante, mas nem tanto, o MST não sofria um processo de criminalização pelos meios de comunicação de massa.
Num tempo distante, mas nem tanto, aconteceu essa entrevista.
"Meu tempo é hoje."


Assista!



CONTINUA











terça-feira, 30 de agosto de 2011

A USP, a burguesia paulista e a educação no Brasil.

A principal qualidade do programa de televisão A LIGA são suas pautas. Eles têm trazido pra televisão aberta assuntos socialmente muito importantes e com uma visão bastante interessante dos temas. 


Depois do trabalho escravo ( clique aqui para ver) , agora o tema é EDUCAÇÃO.


Paradoxalmente, sua maior qualidade é também seu problema, pois evidentemente as pautas não são de domínio da equipe, exceção, claro, a Thaíde. E por isso, soa as vezes um deslumbramento e um olhar do burguesinho sobre o mundo real que irrita.


No mais, neste episódio, a grande sacada foi colocar a USP no seu devido lugar: uma faculdade elitizada e incapaz de absorver a população que não seja de higienópolis, morumbi, alphaville e que, com raras exceções, resiste a democratização e a universalização do seu ensino.


Vale a pena tirar um tempinho pra assistir, especialmente o segundo bloco.





CONTINUA















sábado, 2 de julho de 2011

Ó Minas Gerais

Última hora: ah, o destino. Após ter publicado essa postagem, morreu Itamar Franco. Sabe quem é o suplente que assumirá sua vaga no senado? Zeze Perrela. Pobre Brasil!


Quantas vezes você vê nas matérias dos telejornais nacionais notícias sobre Minas Gerais? Minas Gerais, o estado que tem a 2ª maior população do país.


Descubra porque vendo esse documentário!




quinta-feira, 30 de junho de 2011

Estamos vivendo um novo 1968 mundial?

Muito, mas muito interessante esse debate entre Marcos Nobre e Gil Giardelli no programa Entre Aspas, da Globo News.
Ainda mais para mim, que sou um agitador cultural, ver reflexões sobre o poder das mídias digitais nessa nova configuração de mobilização juvenil é um alento e um motivador para continuar lutando.


Além, é claro, do insólito de ver Marx sendo citado positivamente num programa das organizações Globo.


O que você acha desse debate?



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Finalizando a 1ª ida a Guiné Bissau

Para terminar o relato de minha ida a Guiné-Bissau, publico aqui 4 pequenas matérias da Rede Brasil sobre o país e um vídeo recordação que fiz com fotos e momentos que lá vivi. Se puder, deixe um comentário aqui no blog. (Não precisa ter registro. Quando clicar em comentarios abaixo da caixa de comentário  escolha a identidade nome/url)





Netos de Bandim





Maior parte de Guiné Bissau vive na informalidade




À noite, Guiné-Bissau vive à luz de velas





Minha Viagem Concluída


terça-feira, 21 de junho de 2011

"Com alguém que fez valer o seu voto"

Pra quem combate o preconceito e a discrimicação essa é uma entrevista que deve ser vista.
Com isso, na semana da maior Parada LGBT do mundo farei um especial sobre o tema. Confira!
Para ver o que já 
publiquei antes, 
clique aqui






quarta-feira, 25 de maio de 2011

Ney salva o Roda

Já que a bancada, tirando a Marilia Gabriela, é bem fraca e, diria, até bem escrota, o Roda Viva podia deixar de lado temas políticos pra não ficar panfletando a favor da direita e entrevistar sempre pessoas importantes pra arte, a cultura e o comportamento como foi essa do Ney Matogrosso.
Quem não viu, tem de ver! Vale muito a pena.



sexta-feira, 6 de maio de 2011

Educação: Entrevista com Rubem Alves

Com tanto absurdo que tem acontecido somente podemos creer em algo positivo ouvindo pessoas como ele.
Coração de Estudante: Entrevista com Rubem Alves: "Vale a pena ver a entrevista do educador Rubem Alves no programa Provocações da TV Cultura, que foi ao ar nesta terça-feira, 3 de maio."

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" A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte" Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sérgio Britto