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Vivemos num tempo onde lutas contra o machismo, o racismo ou outros temas da identidade e da representatividade ganham, por vezes, ares autoritários. Isso não ocorre por uma má-intenção de certos grupos, mas por parte de seus integrantes terem no seu ideal, naturalizado conceitos ultrapassados relacionados ao tema.
Por muito tempo a questão identitária do sujeito esteve atrelada a uma condição de classe, etnia ou sexo. E por ser algo relacionado a questões imutáveis,
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segunda-feira, 15 de junho de 2015
sexta-feira, 6 de março de 2015
Os dramas humanos que reverberam em você.
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Comecei essa semana, com quase dois anos de atraso, a assistir a 2ª temporada do Sessão de Terapia, na GNT.
E, durante os episódios, fui me perguntando: por que gosto tanto dessa série? será que muita gente gosta? quem será o público dela?
Como linguagem, a série é uma espécie de narração sem ação. Nada, ou quase nada, acontece em cena. As ações estão nas falas, no que é dito. Nem os atores e as atrizes se mexem muito. A força da palavra, das intenções, das pausas e dos ritmos é que movimentam a cena.
Para além disso, que já é muito interessante, são as personalidades o que me fascinam. Os dramas humanos, suas angústias, dúvidas e inquietações e como cada um de nós carrega dentro de si muitos destes sentimentos.
Como é difícil falar do sentimento, como é foda sentir, como nos enganamos, nos sujeitamos, nos desmerecemos cotidianamente.
Já tive momentos da vida em que isso foi muito gritante. Por hora, e por sorte, não estou num destes.
Mas quem nunca se colocou nestas situações?
Tenho pena, embora compreenda, de quem foge da análise. Fazer terapia, ao menos uma vez na vida, é essencial para todas e todos. É um baita passo que se dá na vida onde, com muita dor e sofrimento, se vai adiante.
Assistí-la com calma e apresso e observar tudo isso nos eleva, nos faz também se perceber. Sessão de terapia não é uma série sobre terapia. É também uma consulta pra quem assiste. É uma sessão para a personagem e para si mesmo.
Comecei essa semana, com quase dois anos de atraso, a assistir a 2ª temporada do Sessão de Terapia, na GNT.
E, durante os episódios, fui me perguntando: por que gosto tanto dessa série? será que muita gente gosta? quem será o público dela?
Como linguagem, a série é uma espécie de narração sem ação. Nada, ou quase nada, acontece em cena. As ações estão nas falas, no que é dito. Nem os atores e as atrizes se mexem muito. A força da palavra, das intenções, das pausas e dos ritmos é que movimentam a cena.
Para além disso, que já é muito interessante, são as personalidades o que me fascinam. Os dramas humanos, suas angústias, dúvidas e inquietações e como cada um de nós carrega dentro de si muitos destes sentimentos.
Como é difícil falar do sentimento, como é foda sentir, como nos enganamos, nos sujeitamos, nos desmerecemos cotidianamente.
Já tive momentos da vida em que isso foi muito gritante. Por hora, e por sorte, não estou num destes.
Mas quem nunca se colocou nestas situações?
Tenho pena, embora compreenda, de quem foge da análise. Fazer terapia, ao menos uma vez na vida, é essencial para todas e todos. É um baita passo que se dá na vida onde, com muita dor e sofrimento, se vai adiante.
Assistí-la com calma e apresso e observar tudo isso nos eleva, nos faz também se perceber. Sessão de terapia não é uma série sobre terapia. É também uma consulta pra quem assiste. É uma sessão para a personagem e para si mesmo.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
A razão do sucesso de Avenida Brasil.
(clique no título acima para ver a postagem completa)
Na próxima sexta, 19, termina a telenovela Avenida Brasil. Enorme sucesso, este fenômeno televisivo causou espanto na mídia por, pela primeira vez, atingir e cativar o público masculino e o feminino juntos.
As explicações para isso são muitas e não conseguirei aqui listá-las todas, mas a principal receita de sucesso desta novela é ela ser a antítese do politicamente correto.
O público tá de saco cheio de ficção certinha e em Avenida Brasil o autor João Emanuel Carneiro reverteu e inverteu tudo.
- Carminha apanha quando apronta, a despeito da Lei Maria da Penha.
- Todos os personagens quando tem um problema enchem a cara, afogam as mágoas no álcool.
- A poligamia de Cadinho é aceita e assumida por suas 03 mulheres e pela comunidade.
- A evangélica que era atriz pornô se desconverte e abandona a religião pra voltar a vida de prazer.
- A mais gostosa se assume como maria chuteira e faz disso seu trunfo pra pegar todo mundo.
- Mas ela ainda faz mais e tenta ( e consegue por um tempo) atrair sexualmente um gay.
- Roni, o gay em questão, consegue seu namorado no esquema casamento a 3.
e por aí vai...
Avenida Brasil traz então uma questão que deve e precisa ser debatida: ficção precisa ser politicamente correta?
É claro que tem os caga-regras que acham que deve (ver aqui a crítica do Leonardo Sakamoto). Talvez se ele assistisse a toda a novela, como assume que não faz, entenderia que Carminha de ingênua não tem nada, mas isso é outra história...
Por fim, essa questão da novela que trago ao debate é a central razão de seu sucesso e não o retrato da nova classe C, como alguns acham. Tem muita novela que tenta retratar essa camada social e não consegue exatamente por tratá-la da forma mais burguesa existente no Brasil. Não adianta colocar os personagens na favela se eles agem como moradores de ipanema.
O que está em jogo é o retrato ficcional de uma sociedade que, na prática, é cheia de moral às avessas, onde os valores conservadores não penetram com tanta força e onde o prazer e o impulso falam mais alto do que a razão. E quem somos nós para julgá-los?
PS: Eu acharia ruim se a novela fizesse apologia a violência doméstica, por exemplo, ou outras questões sociais complexas, mas não é o caso em Av Brasil.
Na próxima sexta, 19, termina a telenovela Avenida Brasil. Enorme sucesso, este fenômeno televisivo causou espanto na mídia por, pela primeira vez, atingir e cativar o público masculino e o feminino juntos.
As explicações para isso são muitas e não conseguirei aqui listá-las todas, mas a principal receita de sucesso desta novela é ela ser a antítese do politicamente correto.
O público tá de saco cheio de ficção certinha e em Avenida Brasil o autor João Emanuel Carneiro reverteu e inverteu tudo.
- Carminha apanha quando apronta, a despeito da Lei Maria da Penha.
- Todos os personagens quando tem um problema enchem a cara, afogam as mágoas no álcool.
- A poligamia de Cadinho é aceita e assumida por suas 03 mulheres e pela comunidade.
- A evangélica que era atriz pornô se desconverte e abandona a religião pra voltar a vida de prazer.
- A mais gostosa se assume como maria chuteira e faz disso seu trunfo pra pegar todo mundo.
- Mas ela ainda faz mais e tenta ( e consegue por um tempo) atrair sexualmente um gay.
- Roni, o gay em questão, consegue seu namorado no esquema casamento a 3.
e por aí vai...
Avenida Brasil traz então uma questão que deve e precisa ser debatida: ficção precisa ser politicamente correta?
É claro que tem os caga-regras que acham que deve (ver aqui a crítica do Leonardo Sakamoto). Talvez se ele assistisse a toda a novela, como assume que não faz, entenderia que Carminha de ingênua não tem nada, mas isso é outra história...
Por fim, essa questão da novela que trago ao debate é a central razão de seu sucesso e não o retrato da nova classe C, como alguns acham. Tem muita novela que tenta retratar essa camada social e não consegue exatamente por tratá-la da forma mais burguesa existente no Brasil. Não adianta colocar os personagens na favela se eles agem como moradores de ipanema.
O que está em jogo é o retrato ficcional de uma sociedade que, na prática, é cheia de moral às avessas, onde os valores conservadores não penetram com tanta força e onde o prazer e o impulso falam mais alto do que a razão. E quem somos nós para julgá-los?
PS: Eu acharia ruim se a novela fizesse apologia a violência doméstica, por exemplo, ou outras questões sociais complexas, mas não é o caso em Av Brasil.
domingo, 30 de setembro de 2012
Há que descobrir o instante já.
(clique no título acima para ver a postagem completa)
Um peixe fora d'água. Essa expressão antiga ainda diz muito quando tentamos entender aquela sensação de estar fora do sistema, seja ele qual for.
E hoje, o sistema é rcuel. Especialmente no mundo do trabalho. Chegamos a um nível que para manter padrões econômicos e poder "possuir" todos os ipads, iphones, tablets e tvs HD precisamos trabalhar, trabalhar e trabalhar. 8, 10, 12 horas por dia, não importa. E ainda é preciso deixar o celular ligado porque você tem de estar disponível para eventualidades que seu chefe ou seu subordinado precisem.
O curioso, e lamentável (por que não?) é que as últimas gerações acham isso normal, ou ainda, desejável.
E vá você dizer que não deseja trabalhar 40 horas por semana!
O teto desaba sobre sua cabeça e todas as piores coisas são pensadas a seu respeito: vagabundo, deprimido, incapaz, sonhador (como se sonhar fosse ruim), etc e tal.
Mas isso não é tudo. Você mesmo passa a se questionar se não é isso mesmo. E aí, a sensação do peixe fora d'água só cresce e fica difícil lidar com isso.
E eis que você vê, como que causalmente, uma lua cheia no céu, ou os pássaros cantando ao amanhecer e, assim, bem bucolicamente você se dá conta de que nada disso importa. Que o instante já é o mais interessante e que a todos os momentos é preciso estar presente. O tempo não passa rápido! Somos nós que não o aproveitamos suficientemente.
As pessoas não são más, mas você que escolhe errado com quem anda.
Aquela música não é ruim, mas você é quem pouco se permite experimentar o diferente.
E assim, tentando ver a vida de outra maneira as coisas começam a se re-encaixar e a fazer sentido novamente.
Mas cuidado, porque a roda viva vai chegar novamente e se você não estiver preparado ela certamente levará seu destino pra lá.
Dica cultural: Leia a livro infantil "A Mulher que matou os peixes" de Clarice Lispector.
Um peixe fora d'água. Essa expressão antiga ainda diz muito quando tentamos entender aquela sensação de estar fora do sistema, seja ele qual for.
E hoje, o sistema é rcuel. Especialmente no mundo do trabalho. Chegamos a um nível que para manter padrões econômicos e poder "possuir" todos os ipads, iphones, tablets e tvs HD precisamos trabalhar, trabalhar e trabalhar. 8, 10, 12 horas por dia, não importa. E ainda é preciso deixar o celular ligado porque você tem de estar disponível para eventualidades que seu chefe ou seu subordinado precisem.
O curioso, e lamentável (por que não?) é que as últimas gerações acham isso normal, ou ainda, desejável.
E vá você dizer que não deseja trabalhar 40 horas por semana!
O teto desaba sobre sua cabeça e todas as piores coisas são pensadas a seu respeito: vagabundo, deprimido, incapaz, sonhador (como se sonhar fosse ruim), etc e tal.
Mas isso não é tudo. Você mesmo passa a se questionar se não é isso mesmo. E aí, a sensação do peixe fora d'água só cresce e fica difícil lidar com isso.
E eis que você vê, como que causalmente, uma lua cheia no céu, ou os pássaros cantando ao amanhecer e, assim, bem bucolicamente você se dá conta de que nada disso importa. Que o instante já é o mais interessante e que a todos os momentos é preciso estar presente. O tempo não passa rápido! Somos nós que não o aproveitamos suficientemente.
As pessoas não são más, mas você que escolhe errado com quem anda.
Aquela música não é ruim, mas você é quem pouco se permite experimentar o diferente.
E assim, tentando ver a vida de outra maneira as coisas começam a se re-encaixar e a fazer sentido novamente.
Mas cuidado, porque a roda viva vai chegar novamente e se você não estiver preparado ela certamente levará seu destino pra lá.
Dica cultural: Leia a livro infantil "A Mulher que matou os peixes" de Clarice Lispector.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Educação Proibida
(clique no título acima para ver a postagem completa)
Muitas vezes nos perguntamos: como nossa sociedade chegou a isso?
Bem, uma das respostas está no sistema educacional que temos.
Este filme, Educação Proibida, faz um bom retrato disso e serve para que cada um de nós pensemos não só os porques de estarmos assim, mas se assim queremos continuar.
Tire um tempo para assistir, vale a pena!
(se você não entende espanhol clique onde esta escrito legendas, logo no início do filme)
Muitas vezes nos perguntamos: como nossa sociedade chegou a isso?
Bem, uma das respostas está no sistema educacional que temos.
Este filme, Educação Proibida, faz um bom retrato disso e serve para que cada um de nós pensemos não só os porques de estarmos assim, mas se assim queremos continuar.
Tire um tempo para assistir, vale a pena!
(se você não entende espanhol clique onde esta escrito legendas, logo no início do filme)
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Avenida Brasil põe em risco a credibilidade ao defender teses religiosas.
(clique no título acima para ver a postagem completa)
A novela Avenida Brasil entrou no último sábado, 28/07, numa temática muito perigosa. A novela, que vem ganhando cada vez mais popularidade e respeitabilidade junto à crítica pode ver tudo desabar em busca de agradar a audiência.
Engana-se quem pensa que estou falando da vingança de Nina em Carminha.
O problema em questão é o casamento de Suelen e Roni que coloca uma tese conservadora, preconceituosa e preocupante em cena:
"Todo gay só é gay porque nunca teve mulher ou o problema do homosexual é falta de testosterona".
Uma tese defendida pelos evangélicos e demais homofóbicos para aumentar a intolerância.
A ciência cada vez mais tem tratado o assunto de maneira oposta, deixando clara que a homossexualidade é uma orientação determinada por vários fatores, sendo que nenhum deles inclui o biológico (caso do hormônio testosterona).
Essa tese defendida pelos religiosos inclui outras afirmações como a recente imagem que circula pelas redes sociais onde uma senhora afirma que nunca encontrou na bíblia nenhuma referência a homossexuais. querendo com isso dizer que isto não é normal.
O mais preocupante disso tudo é que a novela quer agradar a massa e a massa amaria acreditar nessa tese. O autor João Emanuel Carneiro, que tão bem tem escrito essa novela e, aliás, feito uma das mais interessantes novelas dos últimos tempos ao lado de A favorita e Cordel Encantado, pode jogar por terra toda a credibilidade da crítica se insistir nessa história e ir contrário a todas as lutas pelos direitos humanos que cada vez mais são maltratados com casos frequentes de violência homofóbica (clique aqui para ver os casos).
A novela Avenida Brasil entrou no último sábado, 28/07, numa temática muito perigosa. A novela, que vem ganhando cada vez mais popularidade e respeitabilidade junto à crítica pode ver tudo desabar em busca de agradar a audiência.
Engana-se quem pensa que estou falando da vingança de Nina em Carminha.
"Todo gay só é gay porque nunca teve mulher ou o problema do homosexual é falta de testosterona".
Uma tese defendida pelos evangélicos e demais homofóbicos para aumentar a intolerância.
A ciência cada vez mais tem tratado o assunto de maneira oposta, deixando clara que a homossexualidade é uma orientação determinada por vários fatores, sendo que nenhum deles inclui o biológico (caso do hormônio testosterona).
Essa tese defendida pelos religiosos inclui outras afirmações como a recente imagem que circula pelas redes sociais onde uma senhora afirma que nunca encontrou na bíblia nenhuma referência a homossexuais. querendo com isso dizer que isto não é normal.
O mais preocupante disso tudo é que a novela quer agradar a massa e a massa amaria acreditar nessa tese. O autor João Emanuel Carneiro, que tão bem tem escrito essa novela e, aliás, feito uma das mais interessantes novelas dos últimos tempos ao lado de A favorita e Cordel Encantado, pode jogar por terra toda a credibilidade da crítica se insistir nessa história e ir contrário a todas as lutas pelos direitos humanos que cada vez mais são maltratados com casos frequentes de violência homofóbica (clique aqui para ver os casos).
Falta educação pra quem vai ao cinema.
(clique no título acima para ver a postagem completa)
Começo a achar que terei de abandonar um dos meus maiores prazeres: ir ao cinema!
Está ficando insuportável assistir qualquer filme em qualquer sala. Não entendo a necessidade das pessoas comentarem com as outras o que estão vendo durante o filme.
Até entendo que as vezes da vontade de falar: olha isso, bla bla bla.
Mas será impossível guardar seu comentário pro final, naquele chop ou pizza depois?
Antigamente isso era muito comum nos cinemarks e shoppings do gênero. Por isso, eu fugia e sempre ia a cinemas alternativos.
Mas agora...
Nem nos cineclubes se tem silêncio.
E aí não dá, porque a visão do filme fica enviesada. É como se alguém pusesse um destaque no que você vê e você passa a ver não o que a sua subjetividade quer apreciar com o filme, mas o que a pessoa atrás quer que você veja.
Algumas tentativas eu já fiz: fazer psiu, virar no meio do filme e pedir silêncio, mudar de lugar...
Mas, está cada vez mais frequente.
E com você, acontece igual? Te incomoda?
Começo a achar que terei de abandonar um dos meus maiores prazeres: ir ao cinema!
Está ficando insuportável assistir qualquer filme em qualquer sala. Não entendo a necessidade das pessoas comentarem com as outras o que estão vendo durante o filme.
Até entendo que as vezes da vontade de falar: olha isso, bla bla bla.
Mas será impossível guardar seu comentário pro final, naquele chop ou pizza depois?
Antigamente isso era muito comum nos cinemarks e shoppings do gênero. Por isso, eu fugia e sempre ia a cinemas alternativos.
Mas agora...
Nem nos cineclubes se tem silêncio.
E aí não dá, porque a visão do filme fica enviesada. É como se alguém pusesse um destaque no que você vê e você passa a ver não o que a sua subjetividade quer apreciar com o filme, mas o que a pessoa atrás quer que você veja.
Algumas tentativas eu já fiz: fazer psiu, virar no meio do filme e pedir silêncio, mudar de lugar...
Mas, está cada vez mais frequente.
E com você, acontece igual? Te incomoda?
sábado, 12 de maio de 2012
A inspiração Luislinda faz história.
(clique no título acima para ver a postagem completa)
Existem pessoas que nos inspiram. Nos tocam em alguma região do cérebro que nos faz repensar tudo.
Tive esse prazer assistindo ao programa Espelho, do Canal Brasil, apresentado pelo ator Lázaro Ramos. Ele entrevistou a desembargadora Luislinda Valois.
Minha intenção aqui não é retratar ou descrever a entrevista, mas apenas dizer que ela vale a pena, porque mexe com conceitos, com preconceitos. A capacidade de superação, ou como alguns preferem chamar, de resiliência de algumas pessoas devem inspiram àqueles que se sentem um pouco perdidos ou confusos.
Outra vertente deste programa é a curiosidade em ler seu livro: O Negro no Século XXI.
A obra traz reflexões sobre a participação dos negros na sociedade atual, abordando temas como educação, profissionalização e lazer, além do tratamento dispensado aos negros durante os julgamentos e a falta de magistrados nas diversas instâncias do Poder Judiciário.
Programa Espelho: http://programaespelho.blogspot.com.br/
Existem pessoas que nos inspiram. Nos tocam em alguma região do cérebro que nos faz repensar tudo.
Tive esse prazer assistindo ao programa Espelho, do Canal Brasil, apresentado pelo ator Lázaro Ramos. Ele entrevistou a desembargadora Luislinda Valois.
Minha intenção aqui não é retratar ou descrever a entrevista, mas apenas dizer que ela vale a pena, porque mexe com conceitos, com preconceitos. A capacidade de superação, ou como alguns preferem chamar, de resiliência de algumas pessoas devem inspiram àqueles que se sentem um pouco perdidos ou confusos.
Outra vertente deste programa é a curiosidade em ler seu livro: O Negro no Século XXI.
A obra traz reflexões sobre a participação dos negros na sociedade atual, abordando temas como educação, profissionalização e lazer, além do tratamento dispensado aos negros durante os julgamentos e a falta de magistrados nas diversas instâncias do Poder Judiciário.
Programa Espelho: http://programaespelho.blogspot.com.br/
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Homossexualidade na rede.
(clique no título acima para ver a postagem completa)
A internet parece ter tomado o lugar dos antigos guetos urbanos e se tornado passagem quase obrigatória para gays no processo de autodescoberta
Historicamente, em geral, homens e mulheres mantiveram seus anseios homoeróticos em segredo, o que lhes dava a sensação de serem únicos e viverem o fardo de um desejo secreto sem ter com quem compartilhar temores e sofrimentos. Alijadas do espaço público, sexualidades marginalizadas foram se restringindo a locais de encontros e espaços reduzidos das grandes cidades, restando pouca ou nenhuma opção para a maioria dos homo-orientados que viviam – e ainda vivem – em cidades médias, pequenas, na zona rural ou mesmo na periferia das metrópoles. A despeito das polêmicas e imprecisões, esses territórios foram chamados, inicialmente, de guetos.
Segundo os antropólogos Júlio Assis Simões e Isadora Lins França, nos anos 90, no Brasil, o gueto – ou “meio” – começou a dar lugar a um circuito comercial complexo e geograficamente amplo. A partir de 1997, a internet comercial iniciou o processo de expansão no Brasil, transferindo, ampliando e até mesmo recriando o espaço para a socialização de sexualidades dissidentes. A rede ampliou códigos do universo lésbico e gay metropolitano (sobretudo de São Paulo e do Rio de Janeiro) para o resto do país e o inseriu no circuito internacional.
Hoje, a internet parece ter tomado o lugar dos antigos guetos urbanos e se tornado passagem quase obrigatória para homossexuais no processo de autodescoberta, em seus
contatos sexuais ou amorosos e na criação de redes de apoio. Afirmações como “sou fora do meio” ou “procuro alguém fora do meio (como eu)” são recorrentes nos anúncios sexuais, na apresentação em bate-papos on-line ou mesmo nos perfis de redes de relacionamento e reafirmam a perspectiva de que os pontos de encontro de culturas sexuais não hegemônicas seriam marginais, perigosos e, sobretudo, denunciariam uma identidade “socialmente perseguida”. Um olhar mais atento sobre essas autoapresentações revela também que a rede é tida como forma de socialização “limpa”, capaz de manter a crença de que a vida social é (ou deveria permanecer) heterossexual.
A necessidade de encontrar alguém para falar de seu desejo – seja para criar uma relação amorosa ou fazer amigos, seja simplesmente para compartilhar dores – converte a internet no mais novo meio de controle da sexualidade. Ao colocar o sexo em palavras, a rede se distancia das “regras” que marcavam o antigo “meio”, ou seja, o silêncio sobre o que se fazia. Mas que não se imagine tratarse de um avanço, pois a web, ao trazer o sexo ao discurso, faz também com que os internautas ampliem o papel da sexualidade em sua vida e na própria forma como se compreendem.
No primeiro volume de sua História da sexualidade, o filósofo e historiador francês Michel Foucault (1926-1984) explorou em detalhes o fenômeno histórico que trouxe a sexualidade para o discurso desde a técnica cristã da confissão até a psicanálise. Segundo ele, o dispositivo histórico da sexualidade se caracteriza pela inserção do sexo em formas de regulação baseadas em uma rede de discursos. No presente, não seria exagero afirmar que a internet é um dos meios sociais de controle sexual.
Entrar na web para falar do próprio desejo constitui um exercício subjetivo que pode reforçar a impressão de que tudo não passa de “sexualidade”, pensamento reconfortante para homens que são incentivados desde a infância a separar amor de sexo. O reconforto dessa divisão estaria na aceitação de sua vida amorosa se fosse construída como heterossexual (e quiçá reprodutiva) no espaço público da vida familiar e do trabalho e como homo-orientada apenas em segredo, desvinculada da afetividade ou do compromisso duradouro.
Fonte: Revista Mente Cérebro
A internet parece ter tomado o lugar dos antigos guetos urbanos e se tornado passagem quase obrigatória para gays no processo de autodescoberta
Historicamente, em geral, homens e mulheres mantiveram seus anseios homoeróticos em segredo, o que lhes dava a sensação de serem únicos e viverem o fardo de um desejo secreto sem ter com quem compartilhar temores e sofrimentos. Alijadas do espaço público, sexualidades marginalizadas foram se restringindo a locais de encontros e espaços reduzidos das grandes cidades, restando pouca ou nenhuma opção para a maioria dos homo-orientados que viviam – e ainda vivem – em cidades médias, pequenas, na zona rural ou mesmo na periferia das metrópoles. A despeito das polêmicas e imprecisões, esses territórios foram chamados, inicialmente, de guetos.Segundo os antropólogos Júlio Assis Simões e Isadora Lins França, nos anos 90, no Brasil, o gueto – ou “meio” – começou a dar lugar a um circuito comercial complexo e geograficamente amplo. A partir de 1997, a internet comercial iniciou o processo de expansão no Brasil, transferindo, ampliando e até mesmo recriando o espaço para a socialização de sexualidades dissidentes. A rede ampliou códigos do universo lésbico e gay metropolitano (sobretudo de São Paulo e do Rio de Janeiro) para o resto do país e o inseriu no circuito internacional.
Hoje, a internet parece ter tomado o lugar dos antigos guetos urbanos e se tornado passagem quase obrigatória para homossexuais no processo de autodescoberta, em seus
contatos sexuais ou amorosos e na criação de redes de apoio. Afirmações como “sou fora do meio” ou “procuro alguém fora do meio (como eu)” são recorrentes nos anúncios sexuais, na apresentação em bate-papos on-line ou mesmo nos perfis de redes de relacionamento e reafirmam a perspectiva de que os pontos de encontro de culturas sexuais não hegemônicas seriam marginais, perigosos e, sobretudo, denunciariam uma identidade “socialmente perseguida”. Um olhar mais atento sobre essas autoapresentações revela também que a rede é tida como forma de socialização “limpa”, capaz de manter a crença de que a vida social é (ou deveria permanecer) heterossexual.
A necessidade de encontrar alguém para falar de seu desejo – seja para criar uma relação amorosa ou fazer amigos, seja simplesmente para compartilhar dores – converte a internet no mais novo meio de controle da sexualidade. Ao colocar o sexo em palavras, a rede se distancia das “regras” que marcavam o antigo “meio”, ou seja, o silêncio sobre o que se fazia. Mas que não se imagine tratarse de um avanço, pois a web, ao trazer o sexo ao discurso, faz também com que os internautas ampliem o papel da sexualidade em sua vida e na própria forma como se compreendem.
No primeiro volume de sua História da sexualidade, o filósofo e historiador francês Michel Foucault (1926-1984) explorou em detalhes o fenômeno histórico que trouxe a sexualidade para o discurso desde a técnica cristã da confissão até a psicanálise. Segundo ele, o dispositivo histórico da sexualidade se caracteriza pela inserção do sexo em formas de regulação baseadas em uma rede de discursos. No presente, não seria exagero afirmar que a internet é um dos meios sociais de controle sexual.
Entrar na web para falar do próprio desejo constitui um exercício subjetivo que pode reforçar a impressão de que tudo não passa de “sexualidade”, pensamento reconfortante para homens que são incentivados desde a infância a separar amor de sexo. O reconforto dessa divisão estaria na aceitação de sua vida amorosa se fosse construída como heterossexual (e quiçá reprodutiva) no espaço público da vida familiar e do trabalho e como homo-orientada apenas em segredo, desvinculada da afetividade ou do compromisso duradouro.
Fonte: Revista Mente Cérebro
segunda-feira, 2 de abril de 2012
A perda do mundo real.
(clique no título acima para ver a postagem completa)
Uma vez divaguei aqui sobre Amizades (clique aqui para ver).
Retomando a ideia de que para se manter uma amizade verdadeira é preciso muito esforço, tenho avançado nessas questões porque tenho tido a sensação de que isso tem se tornado uma utopia, cada vez mais difícil de se concretizar no mundo do séc XXI.
Eu, que sou um internauta dos mais assíduos, não consigo aceitar que para muitos o encontro virtual basta. A vida, que pulsa a partir do encontro, tem deixado de pulsar graças as tecnologias.
Tecnologias que exigem que as pessoas trabalhem cada vez mais horas para adquirí-las.
E que, por consequencia, dêem cada vez menos atenção à vida real.
Quando aqui e alí, pessoas debatem sobre os malefícios dela, são tachados de retrógrados ou antiquados. Eu não quero dizer que estou contra a tecnologia, mas o problema é o uso que a humanidade tem feito dela.
Cito aqui um caso pessoal apenas para exemplificar o pensamento.
Quando escrevi a divagação linkada acima, estava num outro continente, isolado de todas as pessoas mais próximas e cotidianas. E, curiosamente, essas pessoas davam mostras efusivas de sentir falta da minha presença, e, admito, a recíproca era verdadeira. Então, 4 meses depois volto à terra natal. E eis que quase nenhuma destas pessoas deu 1 ou 2h da sua vida para sentar e saber como foram as coisas, como eu estou nesse momento e quais os planos futuros. Somado todo o período, já são 7 meses de diferença.
Não, essa não é uma postagem para reclamar de ninguém e nem cobrar nada. Mas é desse fato que vem a reflexão, e não tem como não citá-lo.
Voltando então a ela, pergunto:
- Quais os desejos reais das pessoas?
- Que valores hoje são seguidos e difundidos?
- O que restará de uma humanidade cada vez mais isolada em seu mundo virtual?
Mais pra frente voltarei ao tema para fazer uma conexão entre o estudo do livro "Cidade de Muros" de Tereza Caldeira e o isolamento e a solidão gerados pela perda dos vínculos de amizade.
Uma vez divaguei aqui sobre Amizades (clique aqui para ver).
Retomando a ideia de que para se manter uma amizade verdadeira é preciso muito esforço, tenho avançado nessas questões porque tenho tido a sensação de que isso tem se tornado uma utopia, cada vez mais difícil de se concretizar no mundo do séc XXI.
Eu, que sou um internauta dos mais assíduos, não consigo aceitar que para muitos o encontro virtual basta. A vida, que pulsa a partir do encontro, tem deixado de pulsar graças as tecnologias.
Tecnologias que exigem que as pessoas trabalhem cada vez mais horas para adquirí-las.
E que, por consequencia, dêem cada vez menos atenção à vida real.
Quando aqui e alí, pessoas debatem sobre os malefícios dela, são tachados de retrógrados ou antiquados. Eu não quero dizer que estou contra a tecnologia, mas o problema é o uso que a humanidade tem feito dela.
Cito aqui um caso pessoal apenas para exemplificar o pensamento.
Quando escrevi a divagação linkada acima, estava num outro continente, isolado de todas as pessoas mais próximas e cotidianas. E, curiosamente, essas pessoas davam mostras efusivas de sentir falta da minha presença, e, admito, a recíproca era verdadeira. Então, 4 meses depois volto à terra natal. E eis que quase nenhuma destas pessoas deu 1 ou 2h da sua vida para sentar e saber como foram as coisas, como eu estou nesse momento e quais os planos futuros. Somado todo o período, já são 7 meses de diferença.
Não, essa não é uma postagem para reclamar de ninguém e nem cobrar nada. Mas é desse fato que vem a reflexão, e não tem como não citá-lo.
Voltando então a ela, pergunto:
- Quais os desejos reais das pessoas?
- Que valores hoje são seguidos e difundidos?
- O que restará de uma humanidade cada vez mais isolada em seu mundo virtual?
Mais pra frente voltarei ao tema para fazer uma conexão entre o estudo do livro "Cidade de Muros" de Tereza Caldeira e o isolamento e a solidão gerados pela perda dos vínculos de amizade.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Zeca Camargo: "Rita Lee pode dizer o que quiser"
(clique no título acima para ver a postagem completa)
do g1
Raras vezes fiquei tão feliz por ter me tornado um jornalista musical quanto nas oportunidades que tive de entrevistar Rita Lee. E elas foram várias – desde o tempo em que eu era um repórter num jornal mesmo, de papel (acredite: houve uma época onde as pessoas se informavam desse jeito!), na “Folha de S.Paulo”, até mais recentemente no programa que hoje apresento (“Fantástico”), passando, claro, por incontáveis encontros dos meus idos tempos de MTV. Não me lembro de Rita ter me decepcionado em nenhuma dessas vezes. E não digo isso por simples deslumbramento.
Sempre fui fã assumido de Rita. Por questão de uma geração, minha introdução ao seu trabalho não foi pelos Mutantes – banda que fui conhecer justamente depois de já muito admirar seu trabalho solo, pois ainda era criança quando eles estavam no auge – mas pela sua carreira solo. Dela, só tenho boas lembranças. “Tutti frutti” foi uma espécie de analgésico que me ajudou a atravessar a adolescência – e mesmo na sua fase mais pop, onde boa parte do seu público “antigo” começou a desconfiar da credibilidade de Rita (ao mesmo tempo em que uma audiência ainda maior ia sendo conquistada com sucessos como “Lança perfume”, “Saúde”, “Desculpe o auê” e quejandos), eu continuava um admirador fiel.
Se alguém vier falar mal de “Caso sério”, “Ôrra meu” e “Atlântida”, entre outros sucessos duvidosos, vai arrumar confusão comigo. (Podemos até argumentar que a “Rita dos anos 70” – de “Jardins da Babilônia”, “Eu e meu gato”, “Papai me empresta o carro”, “Doce vampiro”, “Mania de você”, e, claro, todo o “Fruto proibido” – tinha uma outra pegada, mas isso seria levar a discussão que quero levantar para outro canto, e sobretudo hoje não posso divagar…).
Levanto toda essa bola para tentar passar para você a dimensão do que significava para mim entrevistar Rita Lee. E não apenas da primeira vez que isso aconteceu, mas em todas as entrevistas que fiz com ela. Ser chamado por alguém que sempre foi uma referência tão forte para mim de “Zequinha”, como acabou acontecendo com o passar dos anos, era não apenas um sinal de intimidade – conquistada justamente nesses encontros –, mas um discreto elogio não-intencional: era como se Rita tivesse me dado a honra de fazer parte de um círculo muito exclusivo de pessoas que ela resolvia chamar por um diminutivo carinhoso. Coisas de um fã que de repente vira repórter e às vezes não sabe direito qual de seus dois lados é mais forte…
Por uma amiga em comum – Mônica Figueiredo, que foi minha diretora na “Capricho”, em meados dos anos 90 – tive ainda a chance de conhecer Rita mais de perto. A amizade das duas vinha de outras décadas – e eu, que era não apenas um editor-chefe dedicado, mas também um admirador de Mônica, peguei uma deliciosa (e frutífera) “carona” nesse convívio. O que só reforçou toda o amor e o respeito que eu tinha por Rita Lee.
De tantas coisas que ela tem para se tirar o chapéu, talvez a que mais me encanta até hoje é sua honestidade. Rita usou essa carta na manga durante toda sua vida – e não apenas em sua música. Em todas as entrevistas que fiz com ela, era isso que mais que encantava: para câmera (ou apenas para o repórter), ela dizia o que pensava – mesmo que fosse uma revelação que pudesse pesar contra ela. Entre tantas passagens assim, lembro-me de umas boas que saíram de uma ocasião em 2004 – um feliz encontro em que Rita estava extremamente à vontade.
Alguns pontos altos:
“Eu experimentei Botox outro dia… Ficou mais leve, mas o combinado era eu ficar parecida com a Gisele Bündchen”.
“Me colocaram um pino de titânio – eu tenho um lado bem tortinho aqui, ó – mas eu gosto dele…”.
“Deixa cair… tá bom… eu não posso reclamar… depois de tudo que eu fiz Zequinha, meu filho…”.
Como não gostar de uma mulher assim? Todas essas frases, porém – e todas as outras que já ouvi (direta ou indiretamente) Rita dizer – ficaram menores quando, no sábado passado, durante o que foi anunciado como seu “show de despedida dos palcos”, Rita Lee disse o seguinte:
“Vocês não têm o direito de usar a força na meninada – que não tá fazendo nada! Cadê o responsável, eu quero falar! Esse show é meu, não é de vocês! Esse show é minha despedida do palco, e vocês continuam tendo que guardar as pessoas – não agredir. Seus cachorros – coitados dos cachorros…”.
A, hum, “colocação” não foi dita, claro, em uma entrevista íntima, mas diante de uma plateia de milhares de sergipanos (o show foi em Aracaju), que foi surpreendida pelo que parecia ser uma revista de policiais à procura de drogas. Rita – que, como ela mesma disse então, é do tempo da ditadura, ficou deveras incomodada com o que ela julgou ser truculência na ação – para não falar da arbitrariedade da própria atitude. (Já imaginou se o mesmo “choque de ordem” fosse determinado em outros tantos shows e festivais que agora acontecem no Brasil? De destino obrigatório para artistas em ascensão e já consagrados, passaríamos à escala a ser evitada – para não dizer “motivo de piada” anacrônica – para o melhor da música atual. Mas eu, enfim, divago…). Diante do que via, Rita não se conteve – soltou o verbo.
Seu discurso foi bem maior – e bem mais forte – do que o breve trecho que citei acima. Além dessa reportagem que você pode conferir aqui mesmo no G1, não é nada difícil encontrar na própria internet dezenas de outros registros (alguns até mais completos) de seu discurso. Mas nem é preciso analisar muito seu texto para entender porque o protesto de Rita – que com propriedade impecável insistia: “Esse show é meu, não é de vocês!” – fez com que ela fosse detida pela própria polícia. “Cachorros”, a bem dizer, foi a palavra mais “carinhosa” que ela usou para criticar os homens da lei. Talvez se ela tivesse ficado por aí, a confusão teria sido abafada. Mas aí Rita mandou um “filhos da puta”. E pronto…
Em seu depoimento oficial, Rita Lee disse que agiu movida pelo “calor das emoções” – certamente um resumo bem vago para definir a somatória de todas as experiências de cantora nessa sua trajetória de anos – de fato, ela passou por toda a montanha-russa de mudanças políticas e sociais, que toda uma geração (talvez duas), que hoje faz o que quer (seja num show de rock, no meio de uma multidão, ou no quintal da sua casa, na frente de seus pais), nem desconfia que essa mesma liberdade teve que ser muito batalhada. E por gente como Rita Lee! Isso, como você pode imaginar, deixa uma marca nas pessoas. Do seu lado, a polícia de Sergipe soltou uma nota dizendo que não houve, naquela noite, nenhuma ação que justificasse “os insultos proferidos pela cantora Rita Lee durante sua apresentação”.
Observando apenas as imagens, não é muito simples decidir quem estava mais com a razão. O que me parece é que a situação criada tem muito pouco a ver com o que estava acontecendo em si, e mais com os registros de coisas passadas. Rita, como ela mesmo disse – e eu acabei de ressaltar aqui – tem sua cota de experiências com truculência militar e repressão de todo tipo na história de sua carreira (que, como toda boa roqueira, se confunde com sua própria história de vida). E a própria polícia – ainda que não especificamente de Sergipe (cujo passado específico desconheço) – sabe que tem na sua história momentos de exagero que em nada contribuíram para criar uma imagem positiva – não só com a geração de Rita, como com as que vieram depois dela. As duas coisas misturadas, numa noite de (citando Rita) fortes emoções, deu nisso!
Poderia ter sido apenas mais um capítulo de um longo livro – que felizmente nunca acabará de ser escrito – chamado: “It’s ony rock n’roll but I like it”. Mas a detenção de Rita ganhou, inevitavelmente uma repercussão nacional – e em mais de uma roda de conversa que participei neste domingo, dividiu opiniões. Como provoquei logo de início – ali acima, no título do post de hoje – eu acho sim que Rita Lee pode dizer o que quiser. Aliás, qualquer cidadão pode ter o direito de dizer o que quiser – até mesmo Rafinha Bastos. Não estou com isso, vale explicar, comparando os dois artistas, muito menos o conteúdo do que eles disseram (Rita na noite de sábado, e Rafinha na sua infeliz – e o que seria última – participação no “CQC”). O que é importante – e aí a analogia faz sentido – é que cada um que diz o que quer deve ter noção do peso de suas palavras. E eu não tenho nenhuma dúvida que Rita sabia exatamente o quanto as suas pesavam.
No contexto de tudo que foi dito, não vejo as palavras da cantora como uma provocação – mas sim uma reação. Não estou, de maneira alguma, desafiando eu também as autoridades, nem questionando o que define a sensibilidade desses profissionais (públicos, é bom lembrar) a ponto de considerar um ou outro ataque como “desacato”. A lei e suas interpretações estão aí para isso mesmo – e imagino que o processo vá se desenrolar nos próximos dias, como é de se esperar. O que quero mais hoje aqui é saber da sua opinião: Por tudo que ela representou esses anos todos para mim – e eu diria (sem medo de errar) até para o Brasil! -, eu digo mais uma vez: Rita Lee pode dizer o que quiser. Será que você colocaria um ponto de interrogação nessa frase?
Enquanto você pensa, deixa eu mandar um “correio elegante” para a Rita? Aqui vai: “Meu amor, justamente por episódios como os deste fim-de-semana que eu torço para que essa conversa de despedida dos palcos não seja a sério… Diz pra mim que você tá só dando uma de Frank Sinatra, vai? E que a gente ainda vai ter muitas e muitas chances de se despedir de você? Bejo!”.
O refrão nosso de cada dia: “The drugs don’t work”, The Verve.
Ok, eu admito: essa canção não é exatamente uma raridade – nem uma faixa obscura para a qual eu quero chamar sua atenção (como é o caso de boa parte das indicações que você conhece por aqui). Mas eu a ouvi por acaso neste fim-de-semana – e por uma (sempre) estranha associação de ideias, eu conectei uma das músicas mais bonitas do Verve (na verdade, uma das músicas mais bonitas que já foram feitas sobre degeneração e o fim inevitável que espera por todos nós – wow!), com os eventos descritos no post acima. Se você já a conhece (como eu acho que é o caso), aproveite para ouvi-la de novo. Se nunca a escutou, desculpe: ela vai fazer você chorar.
do g1
Raras vezes fiquei tão feliz por ter me tornado um jornalista musical quanto nas oportunidades que tive de entrevistar Rita Lee. E elas foram várias – desde o tempo em que eu era um repórter num jornal mesmo, de papel (acredite: houve uma época onde as pessoas se informavam desse jeito!), na “Folha de S.Paulo”, até mais recentemente no programa que hoje apresento (“Fantástico”), passando, claro, por incontáveis encontros dos meus idos tempos de MTV. Não me lembro de Rita ter me decepcionado em nenhuma dessas vezes. E não digo isso por simples deslumbramento.
Sempre fui fã assumido de Rita. Por questão de uma geração, minha introdução ao seu trabalho não foi pelos Mutantes – banda que fui conhecer justamente depois de já muito admirar seu trabalho solo, pois ainda era criança quando eles estavam no auge – mas pela sua carreira solo. Dela, só tenho boas lembranças. “Tutti frutti” foi uma espécie de analgésico que me ajudou a atravessar a adolescência – e mesmo na sua fase mais pop, onde boa parte do seu público “antigo” começou a desconfiar da credibilidade de Rita (ao mesmo tempo em que uma audiência ainda maior ia sendo conquistada com sucessos como “Lança perfume”, “Saúde”, “Desculpe o auê” e quejandos), eu continuava um admirador fiel.
Se alguém vier falar mal de “Caso sério”, “Ôrra meu” e “Atlântida”, entre outros sucessos duvidosos, vai arrumar confusão comigo. (Podemos até argumentar que a “Rita dos anos 70” – de “Jardins da Babilônia”, “Eu e meu gato”, “Papai me empresta o carro”, “Doce vampiro”, “Mania de você”, e, claro, todo o “Fruto proibido” – tinha uma outra pegada, mas isso seria levar a discussão que quero levantar para outro canto, e sobretudo hoje não posso divagar…).
Levanto toda essa bola para tentar passar para você a dimensão do que significava para mim entrevistar Rita Lee. E não apenas da primeira vez que isso aconteceu, mas em todas as entrevistas que fiz com ela. Ser chamado por alguém que sempre foi uma referência tão forte para mim de “Zequinha”, como acabou acontecendo com o passar dos anos, era não apenas um sinal de intimidade – conquistada justamente nesses encontros –, mas um discreto elogio não-intencional: era como se Rita tivesse me dado a honra de fazer parte de um círculo muito exclusivo de pessoas que ela resolvia chamar por um diminutivo carinhoso. Coisas de um fã que de repente vira repórter e às vezes não sabe direito qual de seus dois lados é mais forte…
Por uma amiga em comum – Mônica Figueiredo, que foi minha diretora na “Capricho”, em meados dos anos 90 – tive ainda a chance de conhecer Rita mais de perto. A amizade das duas vinha de outras décadas – e eu, que era não apenas um editor-chefe dedicado, mas também um admirador de Mônica, peguei uma deliciosa (e frutífera) “carona” nesse convívio. O que só reforçou toda o amor e o respeito que eu tinha por Rita Lee.
De tantas coisas que ela tem para se tirar o chapéu, talvez a que mais me encanta até hoje é sua honestidade. Rita usou essa carta na manga durante toda sua vida – e não apenas em sua música. Em todas as entrevistas que fiz com ela, era isso que mais que encantava: para câmera (ou apenas para o repórter), ela dizia o que pensava – mesmo que fosse uma revelação que pudesse pesar contra ela. Entre tantas passagens assim, lembro-me de umas boas que saíram de uma ocasião em 2004 – um feliz encontro em que Rita estava extremamente à vontade.
Alguns pontos altos:
“Eu experimentei Botox outro dia… Ficou mais leve, mas o combinado era eu ficar parecida com a Gisele Bündchen”.
“Me colocaram um pino de titânio – eu tenho um lado bem tortinho aqui, ó – mas eu gosto dele…”.
“Deixa cair… tá bom… eu não posso reclamar… depois de tudo que eu fiz Zequinha, meu filho…”.
Como não gostar de uma mulher assim? Todas essas frases, porém – e todas as outras que já ouvi (direta ou indiretamente) Rita dizer – ficaram menores quando, no sábado passado, durante o que foi anunciado como seu “show de despedida dos palcos”, Rita Lee disse o seguinte:
“Vocês não têm o direito de usar a força na meninada – que não tá fazendo nada! Cadê o responsável, eu quero falar! Esse show é meu, não é de vocês! Esse show é minha despedida do palco, e vocês continuam tendo que guardar as pessoas – não agredir. Seus cachorros – coitados dos cachorros…”.
A, hum, “colocação” não foi dita, claro, em uma entrevista íntima, mas diante de uma plateia de milhares de sergipanos (o show foi em Aracaju), que foi surpreendida pelo que parecia ser uma revista de policiais à procura de drogas. Rita – que, como ela mesma disse então, é do tempo da ditadura, ficou deveras incomodada com o que ela julgou ser truculência na ação – para não falar da arbitrariedade da própria atitude. (Já imaginou se o mesmo “choque de ordem” fosse determinado em outros tantos shows e festivais que agora acontecem no Brasil? De destino obrigatório para artistas em ascensão e já consagrados, passaríamos à escala a ser evitada – para não dizer “motivo de piada” anacrônica – para o melhor da música atual. Mas eu, enfim, divago…). Diante do que via, Rita não se conteve – soltou o verbo.
Seu discurso foi bem maior – e bem mais forte – do que o breve trecho que citei acima. Além dessa reportagem que você pode conferir aqui mesmo no G1, não é nada difícil encontrar na própria internet dezenas de outros registros (alguns até mais completos) de seu discurso. Mas nem é preciso analisar muito seu texto para entender porque o protesto de Rita – que com propriedade impecável insistia: “Esse show é meu, não é de vocês!” – fez com que ela fosse detida pela própria polícia. “Cachorros”, a bem dizer, foi a palavra mais “carinhosa” que ela usou para criticar os homens da lei. Talvez se ela tivesse ficado por aí, a confusão teria sido abafada. Mas aí Rita mandou um “filhos da puta”. E pronto…
Em seu depoimento oficial, Rita Lee disse que agiu movida pelo “calor das emoções” – certamente um resumo bem vago para definir a somatória de todas as experiências de cantora nessa sua trajetória de anos – de fato, ela passou por toda a montanha-russa de mudanças políticas e sociais, que toda uma geração (talvez duas), que hoje faz o que quer (seja num show de rock, no meio de uma multidão, ou no quintal da sua casa, na frente de seus pais), nem desconfia que essa mesma liberdade teve que ser muito batalhada. E por gente como Rita Lee! Isso, como você pode imaginar, deixa uma marca nas pessoas. Do seu lado, a polícia de Sergipe soltou uma nota dizendo que não houve, naquela noite, nenhuma ação que justificasse “os insultos proferidos pela cantora Rita Lee durante sua apresentação”.
Observando apenas as imagens, não é muito simples decidir quem estava mais com a razão. O que me parece é que a situação criada tem muito pouco a ver com o que estava acontecendo em si, e mais com os registros de coisas passadas. Rita, como ela mesmo disse – e eu acabei de ressaltar aqui – tem sua cota de experiências com truculência militar e repressão de todo tipo na história de sua carreira (que, como toda boa roqueira, se confunde com sua própria história de vida). E a própria polícia – ainda que não especificamente de Sergipe (cujo passado específico desconheço) – sabe que tem na sua história momentos de exagero que em nada contribuíram para criar uma imagem positiva – não só com a geração de Rita, como com as que vieram depois dela. As duas coisas misturadas, numa noite de (citando Rita) fortes emoções, deu nisso!
Poderia ter sido apenas mais um capítulo de um longo livro – que felizmente nunca acabará de ser escrito – chamado: “It’s ony rock n’roll but I like it”. Mas a detenção de Rita ganhou, inevitavelmente uma repercussão nacional – e em mais de uma roda de conversa que participei neste domingo, dividiu opiniões. Como provoquei logo de início – ali acima, no título do post de hoje – eu acho sim que Rita Lee pode dizer o que quiser. Aliás, qualquer cidadão pode ter o direito de dizer o que quiser – até mesmo Rafinha Bastos. Não estou com isso, vale explicar, comparando os dois artistas, muito menos o conteúdo do que eles disseram (Rita na noite de sábado, e Rafinha na sua infeliz – e o que seria última – participação no “CQC”). O que é importante – e aí a analogia faz sentido – é que cada um que diz o que quer deve ter noção do peso de suas palavras. E eu não tenho nenhuma dúvida que Rita sabia exatamente o quanto as suas pesavam.
No contexto de tudo que foi dito, não vejo as palavras da cantora como uma provocação – mas sim uma reação. Não estou, de maneira alguma, desafiando eu também as autoridades, nem questionando o que define a sensibilidade desses profissionais (públicos, é bom lembrar) a ponto de considerar um ou outro ataque como “desacato”. A lei e suas interpretações estão aí para isso mesmo – e imagino que o processo vá se desenrolar nos próximos dias, como é de se esperar. O que quero mais hoje aqui é saber da sua opinião: Por tudo que ela representou esses anos todos para mim – e eu diria (sem medo de errar) até para o Brasil! -, eu digo mais uma vez: Rita Lee pode dizer o que quiser. Será que você colocaria um ponto de interrogação nessa frase?
Enquanto você pensa, deixa eu mandar um “correio elegante” para a Rita? Aqui vai: “Meu amor, justamente por episódios como os deste fim-de-semana que eu torço para que essa conversa de despedida dos palcos não seja a sério… Diz pra mim que você tá só dando uma de Frank Sinatra, vai? E que a gente ainda vai ter muitas e muitas chances de se despedir de você? Bejo!”.
O refrão nosso de cada dia: “The drugs don’t work”, The Verve.
Ok, eu admito: essa canção não é exatamente uma raridade – nem uma faixa obscura para a qual eu quero chamar sua atenção (como é o caso de boa parte das indicações que você conhece por aqui). Mas eu a ouvi por acaso neste fim-de-semana – e por uma (sempre) estranha associação de ideias, eu conectei uma das músicas mais bonitas do Verve (na verdade, uma das músicas mais bonitas que já foram feitas sobre degeneração e o fim inevitável que espera por todos nós – wow!), com os eventos descritos no post acima. Se você já a conhece (como eu acho que é o caso), aproveite para ouvi-la de novo. Se nunca a escutou, desculpe: ela vai fazer você chorar.
Rita Lee!
(clique no título acima para ver a postagem completa)
Eu ja era fã, agora ainda mais. É assim que tem que tratar pm no brasil!
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
A amizade continua sempre que quiseres.
Essa postagem começa clicando aqui...
... O que tenho visto é que a distância não rompe os laços de amizade quando eles são fortes e sinceros. E digo isso sem medo de ser piegas.
Na verdade, o tempo só filtra quem realmente foi importante ou não. Mas isso não quer dizer que a amizade por si só se manterá viva.
É preciso um esforço enorme em mantê-la cotidiana, ainda que o cotidiano nos tenha afastado.
E é nesse ponto que muitas amizades se perdem, pois não é um trabalho fácil rearranjar sua vida para incluir nela de volta aquelas pessoas tão boas que um dia você já conviveu.
Numa época que o virtual é tão forte e o apelo ao trabalho incessante tão intenso, organizar a vida pra fazer dela momentos de prazer e felicidade constantes é complexo.
Tenho um prazer enorme em saber que 2011 foi um ano de retomada de muitas dessas amizades.
Fe, Iva, Clau, Su, Ju voltaram com força total ao meu dia-a-dia. Outros continuam sempre presentes, mesmo com minha mudança de endereço e trabalho, como Mag,Pati, Deia, Li, Line, Gu, Juli entre outros tantos que não vou poder citar todos, que continuam fazendo parte cotidianamente da minha história.
E você, tem batalhado pra manter ao seu lado quem realmente importa?
terça-feira, 18 de outubro de 2011
A amizade sobrevive à distância?
Já escrevi aqui algo próximo a esse tema, mas como à pouco conversava sobre isso com uma amiga resolvi desenvolver novamente o tema.
Tenho 33 anos e já vivi bastante coisa. Especialmente porque não sou uma pessoa acomodada ou que gosta de um cotidiano entendiante.
E nessas andanças de diversos empregos, projetos, faculdades, escolas, cidades e países conheci muita, mas muita gente interessante e que, cada um a seu tempo, teve suas pessoas especiais onde laços fortes de amizade foram criados.
Pois bem. Os laços que criamos são circunstâncias que a vida nos traz. Conhecemos uma pessoa na faculdade e durante 4 ou 5 anos convivemos todos os dias com ela. Ou entramos num projeto que dura 6 meses, mas onde você fica tão imerso nele que foi como se durasse o tempo do outro.
Mas, de repente, a circunstância encerra seu ciclo: você se forma, o projeto acaba etc...
Com isso vem a distância porque, afinal, a vida não para e você vai criar novos laços em outros lugares.
Essa distância rompe os laços de amizade que pareciam tão sólidos? Terão sido superficiais os encontros da vida?
A vida, aliás, é de fato efêmera?
clique aqui para continuar
Tenho 33 anos e já vivi bastante coisa. Especialmente porque não sou uma pessoa acomodada ou que gosta de um cotidiano entendiante.
E nessas andanças de diversos empregos, projetos, faculdades, escolas, cidades e países conheci muita, mas muita gente interessante e que, cada um a seu tempo, teve suas pessoas especiais onde laços fortes de amizade foram criados.
Pois bem. Os laços que criamos são circunstâncias que a vida nos traz. Conhecemos uma pessoa na faculdade e durante 4 ou 5 anos convivemos todos os dias com ela. Ou entramos num projeto que dura 6 meses, mas onde você fica tão imerso nele que foi como se durasse o tempo do outro.
Mas, de repente, a circunstância encerra seu ciclo: você se forma, o projeto acaba etc...
Com isso vem a distância porque, afinal, a vida não para e você vai criar novos laços em outros lugares.
Essa distância rompe os laços de amizade que pareciam tão sólidos? Terão sido superficiais os encontros da vida?
A vida, aliás, é de fato efêmera?
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domingo, 18 de setembro de 2011
Sangue de barata
Este blog, nos próximos meses estará mais voltado à realidade Africana, uma vez que tenho um novo trabalho aqui na Guiné-Bissau (clique aqui para ver o que já publiquei em outra ocasião neste país): representante das organizações brasileiras (aqui você pode ver que projeto é esse).
Antes desta primeira postagem, é importante ressaltar que este é um blog pessoal e não reflete aqui, necessariamente a opinião do projeto que eu represento, mas as minhas impressões e relatos do que vejo neste continente, neste país e nesta cidade: Bissau.
Para ver relatos oficiais do projeto sugiro: www.goldeletra.org.br
Pois bem, como esta não é a primeira vez que aqui estou, vou direto ao ponto deste texto.
Há que se ter muito sangue frio para se viver e se relacionar por Bissau. E isso é muito óbvio pelo simples motivo de que sou estrangeiro e branco.
Neste país, onde a independência da exploração portuguesa tem menos de 40 anos (dia 24 de setembro completará mais um aniversário) o branco é imediatamente associado ao explorador. E mais ainda se você insiste em querer dominá-los pela língua. O português é a língua oficial, mas não é a da população, que fala o Crioulo (aqui a explicação do wikipedia e aqui a de Leo Spicacci , brasileiro que já esteve aqui).
Ocorre, que essa cisão reflete nas relações e, muitas vezes, acirra o preconceito. O simples fato de ter de conviver com o diferente não necessariamente quebra o preconceito e o que estou vendo aqui é que muitas vezes o reforça.
Assim, para muitos que cá estão, os guineenses são lesos, fedidos, devagares e incapazes de ter fácil compreensão de algo.
O que é muitas vezes difícil de entender é que o ritmo, a cultura, a língua e o clima criam hábitos e culturas que não são as nossas e que o diferente é que deve se adaptar e não o contrário.
Nesse ponto me sinto tranquilo. Muito, claro, pela ampla vivência baiana, que me faz adorar o tempo diferente das coisas acontecerem. O jeito diferente das pessoas se relacionarem e outras coisas mais.
Alguns dizem que é uma questão de tempo: uma hora eu me irritarei com isso tudo. Será?
Uma coisa é certa: me irrito por enquanto com essa visão colonizadora. Mas fico quieto, só observando...
Antes desta primeira postagem, é importante ressaltar que este é um blog pessoal e não reflete aqui, necessariamente a opinião do projeto que eu represento, mas as minhas impressões e relatos do que vejo neste continente, neste país e nesta cidade: Bissau.
Para ver relatos oficiais do projeto sugiro: www.goldeletra.org.br
Pois bem, como esta não é a primeira vez que aqui estou, vou direto ao ponto deste texto.
Há que se ter muito sangue frio para se viver e se relacionar por Bissau. E isso é muito óbvio pelo simples motivo de que sou estrangeiro e branco.
Neste país, onde a independência da exploração portuguesa tem menos de 40 anos (dia 24 de setembro completará mais um aniversário) o branco é imediatamente associado ao explorador. E mais ainda se você insiste em querer dominá-los pela língua. O português é a língua oficial, mas não é a da população, que fala o Crioulo (aqui a explicação do wikipedia e aqui a de Leo Spicacci , brasileiro que já esteve aqui).
Ocorre, que essa cisão reflete nas relações e, muitas vezes, acirra o preconceito. O simples fato de ter de conviver com o diferente não necessariamente quebra o preconceito e o que estou vendo aqui é que muitas vezes o reforça.
Assim, para muitos que cá estão, os guineenses são lesos, fedidos, devagares e incapazes de ter fácil compreensão de algo.
O que é muitas vezes difícil de entender é que o ritmo, a cultura, a língua e o clima criam hábitos e culturas que não são as nossas e que o diferente é que deve se adaptar e não o contrário.
Nesse ponto me sinto tranquilo. Muito, claro, pela ampla vivência baiana, que me faz adorar o tempo diferente das coisas acontecerem. O jeito diferente das pessoas se relacionarem e outras coisas mais.
Alguns dizem que é uma questão de tempo: uma hora eu me irritarei com isso tudo. Será?
Uma coisa é certa: me irrito por enquanto com essa visão colonizadora. Mas fico quieto, só observando...
quer ver as fotos que
estou a tirar?
domingo, 28 de agosto de 2011
A imbecilidade do UFC
Nós somos aquilo que produzimos.
Quando eu digo nós, quero dizer a espécie humana.
Essa pobre espécie que sempre consegue descer mais ao fundo do poço quando se pensa que não há mais o que descer.
Foi essa a sensação ao ver, meio que obrigado, porque todos no restaurante estavam vendo, a vitória de Anderson Silva no UFC.
Triste espécie que paralisa para ver um cara chutar a cabeça do outro, jogá-lo no chão e começar a socá-lo por diversão sua e alheia.
Hoje, que tanto avançamos na ciência e na medicina e sabemos o quão frágil são nossos orgãos internos e o quanto alguns "traumas" podem afetar o seu funcionamento para o resto da vida, aplaudir, paralisar e se divertir com tamanha imbecilidade é mais uma demonstração de como somos perversos.
E assim vamos em frente, esperando, mas não acreditando, que todas aquelas crianças e adolescentes que foram "presenteados" com tal show tenham o discernimento de saber que não é divertido ser violento e agredir , socar, bater, arregaçar alguém, ainda que eles tenham visto todos se divertindo e aplaudindo aquilo.
Quando eu digo nós, quero dizer a espécie humana.
Essa pobre espécie que sempre consegue descer mais ao fundo do poço quando se pensa que não há mais o que descer.
Foi essa a sensação ao ver, meio que obrigado, porque todos no restaurante estavam vendo, a vitória de Anderson Silva no UFC.
Triste espécie que paralisa para ver um cara chutar a cabeça do outro, jogá-lo no chão e começar a socá-lo por diversão sua e alheia.
Hoje, que tanto avançamos na ciência e na medicina e sabemos o quão frágil são nossos orgãos internos e o quanto alguns "traumas" podem afetar o seu funcionamento para o resto da vida, aplaudir, paralisar e se divertir com tamanha imbecilidade é mais uma demonstração de como somos perversos.
E assim vamos em frente, esperando, mas não acreditando, que todas aquelas crianças e adolescentes que foram "presenteados" com tal show tenham o discernimento de saber que não é divertido ser violento e agredir , socar, bater, arregaçar alguém, ainda que eles tenham visto todos se divertindo e aplaudindo aquilo.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Desejo e vocação
Se você também trabalha com crianças e jovens deve ter um tempo de concentração para assistir a essa palestra.Não adianta ver com pressa ou fazendo outras coisas. Tem que se concentrar!
Nela, muito será dito para que você pense em coisas como:
O que voce vai ser quando crescer?
a vida já tem que ter uma finalidade.
O olhar do outro me faz existir.
Eu tenho que ser útil.
Vivemos num estado de DEMANDA.
Obedecer e servir deve ser melhor que criar ou se afundar no caos?
O que faz com que escolhamos um caminho a seguir?
Sempre que acreditamos que nosso desejo deve servir a um objetivo, nós já fomos fraudados.
Vivemos numa sociedade que cultiva a falta em nós desde o princípio.
Tudo o que nos acontece pode ser um preenchimento. Até um mau encontro. Não é fácil transformá-lo em afirmação.
Spinoza: "O homem livre, afirmativo, no que menos pensa é na morte"
Desejo e Vocação from Escola Nômade de Filosofia on Vimeo.
Devir é um conceito filosófico que qualifica a mudança constante
Nela, muito será dito para que você pense em coisas como:
O que voce vai ser quando crescer?
a vida já tem que ter uma finalidade.
O olhar do outro me faz existir.
Eu tenho que ser útil.
Vivemos num estado de DEMANDA.
Obedecer e servir deve ser melhor que criar ou se afundar no caos?
O que faz com que escolhamos um caminho a seguir?
Sempre que acreditamos que nosso desejo deve servir a um objetivo, nós já fomos fraudados.
Vivemos numa sociedade que cultiva a falta em nós desde o princípio.
Tudo o que nos acontece pode ser um preenchimento. Até um mau encontro. Não é fácil transformá-lo em afirmação.
Spinoza: "O homem livre, afirmativo, no que menos pensa é na morte"
Desejo e Vocação from Escola Nômade de Filosofia on Vimeo.
Devir é um conceito filosófico que qualifica a mudança constante
terça-feira, 12 de julho de 2011
Aprendendo a ser com a criança.
Costumo sempre abordar aqui temas de comportamento, preconceito, educação, etc...
Este videozinho é sensacional para esclarecer algumas coisas.
Afinal, o que é natural e o que não é?
Veja bem como a criança assimila a informação, se diverti, entende a partir da lógica humanitária do amor entre as pessoas e tranquilamente aceita como parte da vida ao dizer: "vou jogar ping pong. Vocês podem vir também."
Quando se debate o que é nato ou inato, o que se aprende, o que é uma questão de hábito, cultura e educação deve se levar em conta a reação dessa criança e usá-la como parâmetro, pois é assim que somos. O preconceito e a intolerância existe por uma dificuldade de assimilarmos novas informações e introjetarmos situações "novas" como"naturais".
Este videozinho é sensacional para esclarecer algumas coisas.
Afinal, o que é natural e o que não é?
Veja bem como a criança assimila a informação, se diverti, entende a partir da lógica humanitária do amor entre as pessoas e tranquilamente aceita como parte da vida ao dizer: "vou jogar ping pong. Vocês podem vir também."
Quando se debate o que é nato ou inato, o que se aprende, o que é uma questão de hábito, cultura e educação deve se levar em conta a reação dessa criança e usá-la como parâmetro, pois é assim que somos. O preconceito e a intolerância existe por uma dificuldade de assimilarmos novas informações e introjetarmos situações "novas" como"naturais".
terça-feira, 5 de julho de 2011
SP, capital da intolerância
Mais um ataque de intolerância na cidade. Por sorte, dessa vez os agressores foram presos em flagrante. Até quando veremos isso... (clique aqui para continuar)
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