Como já era esperado, o contato com as pessoas seria o momento da mudança entre o visto com os olhos e os contatos e as relações humanas.
Tudo começou numa "assembleia" no Bairro Militar, perto da comunidade SP, onde está em implantação o Centro Educacional. Havia uma polêmica sobre o Regulo, chefe tradicional e dono da terra.
Independente da polêmica do Regulo, o curioso foi a reação das pessoas à nossa chegada. Claro, éramos ETs chegando de carro, brancos e falando uma outra lingua, porque apesar deles falarem Português, a língua do povo aqui é o Crioulo (clique aqui para ler o post sobre essa lingua do Leonardo Campos, estagiário da UNESCO aqui em Guine-Bissau).
Mas, aos poucos, fomos nos aproximando e, claro a receptividade foi imediata. Nuno, o menino desta foto conversou comigo e me ajudou a tirar as demais fotos.
No final, as crianças dando adeus dizem mais do que qualquer palavra. Não acham?
quarta-feira, 8 de junho de 2011
terça-feira, 7 de junho de 2011
Saneamento Básico em Guiné-Bissau.
Saneamento básico.
Um tema caro para os guineenses. Na rua principal da capital, Bissau, você encontra a mensagem: "O Paludismo é a principal causa de mortes e doenças na Guiné- Bissau. Ajude a combatê-lo!"
Paludismo é o nome técnico para Malária, causada por protozoários parasitas.
Um tema caro para os guineenses. Na rua principal da capital, Bissau, você encontra a mensagem: "O Paludismo é a principal causa de mortes e doenças na Guiné- Bissau. Ajude a combatê-lo!"
Paludismo é o nome técnico para Malária, causada por protozoários parasitas.
Caminhando pelas ruas não é difícil de entender as razões dessa "epidemia".~
Na foto abaixo você vê uma delas. A rampinha cobre o esgoto que corre a céu aberto e na altura da rua. A maioria das casas têem essa rampinha e o esgoto correndo a frente delas. É como se você andasse pela Avenida Paulista e a sua direita corresse um pequeno córrego de esgoto com algumas rampinhas na porta de cada edifício para entrar neles.
Logo se percebe o quanto de mosquito, ratos e outros transmissores deve-se ter por ali. Mas, infelizmente, isso não é tudo. Parece que não há coleta de lixo, então, pelas ruas, pequenos "lixões" se instalam.
Mas fico mal de descrever Bissau desse jeito, afinal sei que todo bairro/cidade com problemas também tem sua riqueza e coisas muito interessantes.
Por isso, não vou ficar a descrever catástrofes e a colocar o país como o fim do mundo. O que eu vejo aqui não é muito além do que já vi no complexo da maré - RJ, em algumas áreas da Vila Albertina, ou em muitos bairros de Salvador - BA.
Só que não dá para ignorar tudo isso nas primeiras impressões do lugar. Mesmo porque, nosso primeiro sentido é a visão. O conhecimento, o contato e as relações virão depois e , creio, é nessa área que tudo irá mudar.
Guine-Bissau
É realmente muito dificil fazer um primeiro texto sobre esta nova experiência que é estar na África e, em especial, Guiné-Bissau.
Bissau é um país a leste do continente, o que seria a "continuação" do estado do Pernambuco quando supostamente os continentes eram juntos.
Então, pra começar, dá pra dizer que a "geografia" daqui é muito semelhante. Clima quente, por vezes árido, com muita terra e poeira e, claro, isso determina muita coisa.
Exibir mapa ampliado
Por exemplo:
as roupas usadas são em geral leves e com cores.
Nos bairros pobres, as casas são feitas com tijolos de barro, construidos com a terra tirada do chão.
Bissau é um país a leste do continente, o que seria a "continuação" do estado do Pernambuco quando supostamente os continentes eram juntos.
Então, pra começar, dá pra dizer que a "geografia" daqui é muito semelhante. Clima quente, por vezes árido, com muita terra e poeira e, claro, isso determina muita coisa.
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Por exemplo:
as roupas usadas são em geral leves e com cores.
Nos bairros pobres, as casas são feitas com tijolos de barro, construidos com a terra tirada do chão.
Claro que dizer bairro pobre, em termos sociais e econômicos, é um eufemismo. Porque não existe bairro rico. Mas mesmo dentro da homogeneidade da pobreza há uma diferença social gritante. E é dessa diferença que surge o trabalho que estou fazendo aqui, de cooperação na implementação de um projeto social na Comunidade São Paulo.
Mas disso volto a falar depois. Termino essa primeira impressão apenas dizendo que, com muitas diferenças, o que vejo aqui não é muito díspare do que já vi em minhas muitas andanças pelo nordeste brasileiro, especialmente no seu sertão.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
Proteção à mulher: Divulgue!
| Casa de Saúde atenderá vítimas de estupro |
"O mais importante é ela procurar ajuda em até 72 horas", diz Rosiane Mattar, coordenadora do Serviço de Violência Sexual da Unifesp.
Apesar de ser possível realizar o aborto legal nesses casos, a mulher
pode evitar a gravidez (ou seja, nem faz sentido falar em aborto, pois a gravidez ainda não existe) se o atendimento inicial ocorrer nesse prazo de três dias. "Muitas mulheres violentadas fingem que nada aconteceu e tentam esquecer. Percebem depois que estão grávidas", diz Fátima Ferreira Bortoletti, psicóloga integrante da equipe.
"Dependendo de como a mulher é recebida, se dá a reabilitação dela ou não", diz Eleonora Menicucci, do Centro de Estudos em Saúde Coletiva da Unifesp, parceira da Obstetrícia e do Departamento de Enfermagem no projeto.
Por isso, é importante o profissional que a atende ser preparado para a situação. "Basta um olhar para que a mulher se sinta discriminada. Ela é culpada pela sociedade: `Como você não reagiu?', perguntam. As pessoas se esquecem de que, naquela hora, a mulher entra em estado de choque", diz a psicóloga Caroline Parsit Ribeiro Vivone, também da equipe.
Segundo Fátima, muitas acabam largando o trabalho e tendo graves problemas emocionais. As psicólogas acompanham as pacientes até que elas voltem ao serviço e consigam retomar relacionamentos afetivos, muitas vezes prejudicados pela agressão. "Elas passam a ver em qualquer homem um possível estuprador. Por isso, se isolam", diz.
A vítima do estupro também poderá tomar remédios para evitar doenças como Aids, hepatite, sífilis e outras. Ao chegar à Casa, a mulher será recebida pelas enfermeiras, orientada sobre exames que fará e a medicação necessária. "É muito importante ela tomar os remédios. Muitas acabam parando por causa dos efeitos colaterais, como vômitos constantes", diz Rosiane.
Ampliação
O centro também atenderá outros casos delicados com o serviço de medicina fetal. Ele vai ser dirigido a mulheres que têm abortos espontâneos habituais, gravidez nas trompas e gestações de fetos com algum tipo de má-formação. A casa também dará apoio psicoprofilático a adolescentes grávidas e outras gestantes, isto é, ensinará às mães sobre o parto, cuidados com o recém-nascido, aleitamento materno e nutrição.
Roteiro do socorro
A mulher violentada poderá procurar diretamente a Casa de Saúde da Mulher Prof. Dr. Domingos Delascio - nome do ex-professor homenageado pela universidade. Caso a violência tenha ocorrido à noite, ela deve procurar um pronto-socorro (como o do Hospital São Paulo) para receber os cuidados de emergência e recolher material que poderá ser usado como prova no processo contra o agressor. No dia seguinte, ela será encaminhada para a Casa de Saúde da Mulher.
Depois de também receber os cuidados médicos necessários, ela é encaminhada para as psicólogas do serviço. "No começo, elas vêm três vezes por semana. Não conseguem ficar sozinhas. Muitas vezes, nem contam para a família", diz a psicóloga Fátima.
O trabalho dessas profissionais só pára quando a mulher já se sente bem para retomar a sua vida. "Muitas têm problemas com seus companheiros, perda de libido, fobias e medos", diz Rosiane. "Aqui elas serão acolhidas e respeitadas", conclui Eleonora Menicucci.
O que fazer em caso de violência sexual
A mulher não precisa ir à delegacia para fazer boletim de ocorrência logo em seguida ao estupro. Ela deve procurar assistência médica, na Casa de Saúde da Mulher ou outro serviço. Se for à noite, procurar um pronto-socorro, como o do Hospital São Paulo.
Não é preciso fazer laudo pericial no Instituto Médico Legal. O laudo médico serve como prova, se a vítima quiser processar o agressor.
A gravidez pode ser evitada. As chances são maiores se procurar um médico em até 72 horas depois da violência.
A mulher pode evitar adquirir doenças como Aids, hepatite e outras se procurar apoio médico e tomar todos os medicamentos necessários.
Onde fica
A Casa de Saúde da Mulher funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na Rua Borges Lagoa, 418
Brasil Sem Miséria
"Pra quem adora dizer que o Bolsa Família é assistencialista, aí vai o desenvolvimento que ele precisava." Dani Ciasca
O Plano Brasil sem Miséria, que a presidenta Dilma Rousseff lança hoje (2), após seis meses no cargo, tem como uma das principais metas retirar 16 milhões de pessoas da extrema pobreza até 2014. A elevação da renda familiar per capita das famílias que vivem com até R$ 70 por mês, a ampliação do acesso aos serviços públicos, às ações de cidadania e às oportunidades geradas por políticas e projetos públicos são outros objetivos.
O programa será
apresentado pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, e pela secretária extraordinária de Erradicação da Pobreza, Ana Fonseca. O evento contará com a presença de ministros, secretários, parlamentares, governadores, representantes da sociedade civil e de diversas entidades.Nas últimas semanas, Tereza Campello promoveu encontros com governadores de diversos estados e representantes de movimentos sociais para discutir as ações do plano. Na última reunião, feita ontem (1º), o programa foi apresentado aos parlamentares da base aliada.
O Plano Brasil sem Miséria terá como foco capacitar as pessoas para que possam ter seu próprio sustento. O governo nega que o programa tenha a finalidade de corrigir falhas no Bolsa Família, maior programa de transferência de renda governamental, iniciado na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Cadastro Único, que contém as informações sobre 20 milhões de famílias brasileiras beneficiadas por programas sociais, será a principal ferramenta do plano. De acordo com a ministra, o cadastro único não é apenas do Programa Bolsa Família: com o aprimoramento do sistema, ele tornou-se uma ferramenta de planejamento do governo federal para um conjunto de ações.
Em todo o Brasil, 16,2 milhões de pessoas vivem na miséria, o equivalente a 8,5 % da população. A maioria dos brasileiros em situação de extrema pobreza é negra ou parda. Além disso, o Maranhão, o Piauí e Alagoas são os estados com os maiores percentuais de pessoas em situação de extrema pobreza.
Na Região Nordeste estão quase 60% dos extremamente pobres (9,61 milhões de pessoas). Em seguida, vem o Sudeste, com 2,7 milhões. O Norte tem 2,65 milhões de miseráveis, enquanto o Sul registra 715 mil. O Centro-Oeste contabiliza 557 mil pessoas em situação de extrema pobreza.
Entre os extremamente pobres, 46,7% vivem no campo, que responde por apenas 15,6% da população brasileira. De cada quatro moradores da zona rural, um encontra-se na miséria. As cidades, onde moram 84,4% da população total, concentram 53,3% dos miseráveis.
A miséria atinge mulheres e homens da mesma forma: 50,5% contra 49,5% respectivamente. No entanto, na área urbana, a presença de mulheres que vivem em condições extremas de pobreza é maior, enquanto os homens são maioria no campo.
Além da renda baixa, a parcela da população em extrema pobreza não tem acesso a serviços públicos, como água encanada, coleta de esgoto e energia elétrica. Estima-se, por exemplo, que mais de 300 mil casas não estão ligadas à rede de energia elétrica.
Da Agência Brasil
A pesquisa para o diretor teatral
Montar um espetáculo não é e nunca será uma tarefa fácil.Primeiro, porque um bom espetáculo precisa que todos os integrantes tenham uma visão madura e crítica sobre o tema abordado.
Como fazer uma Medeia sem saber quem foi Eurípedes, ou qual a impotância do Mito e da Religião na Grecia Antiga?
Como encarar 2 perdidos sem pensar no abandono familiar, na precarização da força de trabalho e nas relações egoístas-possessivas que as pessoas estabelecem entre si?
Essa fase que estou na direção deste novo espetáculo na Cia Daraus é a que dá mais prazer, mas também é a mais difícil pelas incertezas do que virá e do como virá.
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