Existem pessoas que nasceram para incomodar. Elas questionam, cutucam e provocam.
Caso fose possível misturar ficcão e realidade, eu diria que o personagem central do livro Diário do Farol, do baiano João Ubaldo Ribeiro, foi um expectador assíduo do Provocacões, de Antonio Abujamra.
Ele não tem papas na língua ou travas na mão. Escreve o que lhe vem à cabeca, dialoga com o leitor e, por várias vezes, manda que este abandone o livro se não estiver gostando.
O problema é que a matéria de sua história é a sua vida e sua vida de ex-padre não é das mais fáceis de acompanhar.
Na apresentacão do livro, o editor ressalta que se há pessoas como ele é porque a sociedade permite que eles existam e é isso que Ubaldo nos apresenta.
Não sei se concordo, pois para quem tem valores questionáveis, o livro é um deleite com exemplos de corrupcão, hipocrisia e violencia.
Mas que vale a pena ser lido e debatido, disso não há dúvidas.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Aqui esta-se sossegado
Aqui está-se sossegado,
Longe do mundo e da vida,
Cheio de nao ter passado,
Até o futuro se olvida,
Aqui está-se sossegado.
Tinha os gestos inocentes,
Seus olhos riam no fundo.
Mas invisíveis serpentes
Faziam-a ser o mundo.
Tinha gestos inocentes.
Aqui tudo é paz e mar.
Que longe a vista se perde
Na solidao a tornar
Em sombra o azul que é verde!
Aqui tudo é paz e mar.
Sim, poderia ter sido...
Mas vontade nem razao
O mundo tem conduzido
A prazer ou conclusao.
Sim, poderia ter sido...
Agora nao esqueco o sonho.
Fecho os olhos, oico o mar
E de ouvi-lo bem, suponho
Que veio azul a esverdear.
Agora nao esqueco e sonho.
Nao foi proposito, nao.
Os seus gestos inocentes
Tocavam no coracao
Como invisíveis serpentes.
Nao foi proposito, nao.
Durmo, desperto e sozinho.
Que tem sido a minha vida?
Velas de inútil moinho -
Um movimento sem lida...
Durmo, desperto e sozinho.
Nada explica nem consola.
Tudo está certo depois.
Mas a dr que nos desola,
A mágoa de um nao ser dois
Nada explica nem consola.
Longe do mundo e da vida,
Cheio de nao ter passado,
Até o futuro se olvida,
Aqui está-se sossegado.
Tinha os gestos inocentes,
Seus olhos riam no fundo.
Mas invisíveis serpentes
Faziam-a ser o mundo.
Tinha gestos inocentes.
Aqui tudo é paz e mar.
Que longe a vista se perde
Na solidao a tornar
Em sombra o azul que é verde!
Aqui tudo é paz e mar.
Sim, poderia ter sido...
Mas vontade nem razao
O mundo tem conduzido
A prazer ou conclusao.
Sim, poderia ter sido...
Agora nao esqueco o sonho.
Fecho os olhos, oico o mar
E de ouvi-lo bem, suponho
Que veio azul a esverdear.
Agora nao esqueco e sonho.
Nao foi proposito, nao.
Os seus gestos inocentes
Tocavam no coracao
Como invisíveis serpentes.
Nao foi proposito, nao.
Durmo, desperto e sozinho.
Que tem sido a minha vida?
Velas de inútil moinho -
Um movimento sem lida...
Durmo, desperto e sozinho.
Nada explica nem consola.
Tudo está certo depois.
Mas a dr que nos desola,
A mágoa de um nao ser dois
Nada explica nem consola.
(Fernando Pessoa)
domingo, 13 de dezembro de 2009
Agressão (bem vinda) no ministro.
Sou contra violência gratuita. Para se ter uma idéia, nunca dei um soco em ninguém, mas confesso que esta noticia me deu prazer de ler.
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, foi levado a um hospital com sangue escorrendo de seus lábios após um homem atingir seu rosto em uma praça de Milão, disseram testemunhas e a polícia neste domingo.
O premiê, que havia discursado para milhares de simpatizantes, foi rapidamente socorrido e levado a um hospital para tratar o ferimento, disse um membro de sua comitiva.
"O que fizeram com Berlusconi é um ato de terrorismo", disse à agência Ansa Umberto Bossi, chefe do partido de extrema direita Liga Norte e grande aliado de Berlusconi.
Inicialmente, a polícia informou que um jovem havia dado um soco no rosto de Berlusconi, mas depois afirmou que o homem lançou um objeto contra o premiê. A imprensa local disse que o homem foi detido.
Berlusconi é atingido no rosto e levado para hospital
(Reuters) Emilio Parodi - Em Milão
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, foi levado a um hospital com sangue escorrendo de seus lábios após um homem atingir seu rosto em uma praça de Milão, disseram testemunhas e a polícia neste domingo.
O premiê, que havia discursado para milhares de simpatizantes, foi rapidamente socorrido e levado a um hospital para tratar o ferimento, disse um membro de sua comitiva.
"O que fizeram com Berlusconi é um ato de terrorismo", disse à agência Ansa Umberto Bossi, chefe do partido de extrema direita Liga Norte e grande aliado de Berlusconi.
Inicialmente, a polícia informou que um jovem havia dado um soco no rosto de Berlusconi, mas depois afirmou que o homem lançou um objeto contra o premiê. A imprensa local disse que o homem foi detido.
sábado, 12 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
O filho do Brasil
Durante toda a minha adolescência e minha juventude, dos 11 aos 24 anos travei embates com familiares e amigos sobre a possibilidade de Lula se tornar presidente do Brasil.
Hoje isso é uma realidade consolidada e ainda que eu tenha muitas críticas sobre algumas questões de seus dois governos, tenho também orgulho de ter confiado nesse cara.
Quem analisa nosso presidente é o chefe do governo espanhol, Zapatero. O texto está em espanhol, mas creio que é possível entendê-lo.
http://www.elpais.com/articulo/internacional/hombre/asombra/mundo/elpepuint/20091211elpepuint_1/Tes
Hoje isso é uma realidade consolidada e ainda que eu tenha muitas críticas sobre algumas questões de seus dois governos, tenho também orgulho de ter confiado nesse cara.
Quem analisa nosso presidente é o chefe do governo espanhol, Zapatero. O texto está em espanhol, mas creio que é possível entendê-lo.
http://www.elpais.com/articulo/internacional/hombre/asombra/mundo/elpepuint/20091211elpepuint_1/Tes
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Poesia 2003
Três meses (Dani Ciasca - 15/05/2003)
Aos poucos invado o muro
Agarro-me às paredes duras,
fixas, impermeáveis...
As pedras gélidas de concreto
Causam-me ânsia, receio, dor
Não sei por onde começar.
Onde se encontra aquele
que tanto lutou para derrubar paredes?
O mundo volta à seu início
Vazio, Indecifrável.
Olho a minha volta e não sei
Onde estou, Quem sou?
Bato, Grito, Empurro
Nada se modifica.
Faço sem vigor, sem a crença
necessária de que não os necessito.
Olho para aquele muro,
Desesperançoso.
O mundo começa a tragar-me
Sou mais um na multidão.
Paro! Canso!
Minhas pernas bambas, meus ombros estirados
Recosto-me à parede e
Subitamente
Sinto minha mão a penetrar.
Será possível?
Uma mão
Outra mão
Mãos tocam as minhas
Trazem-me para dentro do muro
E agora, moldo-me a ele.
Transformo-me, aos poucos, num pedaço de concreto.
Algumas partes deste muro estão muito distantes.
Conseguirei eu alcançá-las?
Quero ser mais uma parte deste muro de concreto?
Assinar:
Postagens (Atom)


