sábado, 17 de março de 2012

A TV Cultura não é pública. Ela é tucana

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Mino Carta


Uma tevê pública é uma tevê pública, é uma tevê pública e é uma tevê pública, diria a senhora Stein. Pública. Um bem de todos, sustentado pelo dinheiro dos contribuintes. Uma instituição permanente, acima das contingências políticas, dos interesses de grupos, facções, partidos. A Cultura de São Paulo já cumpriu honrosamente a tarefa. Nas atuais mãos tucanas descumpre-a com rara desfaçatez.


A perfeita afinação entre a mídia nativa e o tucanato está à vista, escancarada, a ponto de sugerir uma conexão ideológica entre nossos peculiares social-democratas e os barões midiáticos e seus sabujos. A sugestão justifica-se, mas, a seu modo, é generosa demais. Indicaria a existência de ideias e ideais curtidos em uníssono, ao sabor de escolhas de vida orientadas no sentido do bem-comum. De fato, estamos é assistindo ao natural conluio entre herdeiros da casa-grande. -Nada de muito elaborado, entenda-se. Trata-se apenas de agir com a soberana prepotência do dono da terra e da senzala.


E no domingo 11 sou informado a respeito do nascimento de uma TV Folha. Triunfa nas páginas 2 e 3 da Folha de S.Paulo a certidão do evento, a prometer uma nova opção para as noites de domingo na tevê, com a jactanciosa certeza de que no momento não há opções. E qual seria o canal do novo programa? Ora, ora, o da Cultura. Ocorre que a tevê pública paulista acaba de oferecer espaço não somente à Folha, mas também a Estadão, Valor e Veja. Por enquanto, que eu saiba, só o jornal da família Frias aproveitou a oportunidade, com pífios resultados, aliás, em termos de audiência na noite de estreia.


Até o mundo mineral está em condições de perceber o alcance da jogada. Trata-se de agradar aos mais conspícuos barões da mídia, lance valioso às vésperas das eleições municipais no estado e no País. E com senhorial arrogância, decide-se enterrar de vez o sentido da missão de uma tevê pública. Tucanagens similares já foram cometidas em diversas oportunidades nos últimos anos, uma delas em 2010, o ano eleitoral que viu José Serra candidato à Presidência da República. Ainda governador, antes da desincompatibilização, Serra fechou ricos contratos de assinatura dos jornalões destinados a iluminar o professorado paulista.


Do volumoso pacote não constava obviamente CartaCapital, assim como somos excluídos do recente convite da Cultura. O que nos honra sobremaneira. Diga-se que, caso convidados (permito-me a hipótese absurda), recusaríamos para não participar de uma ação antidemocrática ao comprometer o perfil de uma tevê pública, amparada na indispensável contribuição de todos os cidadãos, independentemente dos seus credos políticos ou da ausência deles.


Volta e meia, CartaCapital é apontada como revista chapa-branca, simplesmente porque apoiou a candidatura de Lula e Dilma Rousseff à Presidência da República. Em democracias bem melhor definidas do que a nossa, este de apoiar candidatos é direito da mídia e valioso serviço para o público. Aqui, engole-se, sem o mais pálido arrepio de indignação, a hipocrisia de quem se pretende isento enquanto exprime as vontades da casa-grande. Há quem se abale até a contar os anúncios governistas nas páginas de CartaCapital, e esqueça de computar aqueles saídos nas demais publicações, para provar que estamos aos préstimos do poder petista.


Fomos boicotados durante os dois mandatos de Fernando Henrique e nem sempre contamos com o trato isonômico dos adversários que tomaram seu lugar. Fizemos honestas e nítidas escolhas na hora eleitoral e nem por isso arrefecemos no alerta perene do espírito crítico. Vimos em Lula o primeiro presidente pós-ditadura empenhado no combate ao desequilíbrio social, embora opinássemos que ficou amiúde aquém das chances à sua disposição. E fomos críticos em inúmeras situações.


Exemplos: juros altos, transgênicos, excesso de poder de Palocci e Zé Dirceu, Caso Battisti, dúbio comportamento diante de prepotências fardadas. E nem se fale do comportamento do executivo diante da Operação Satiagraha. Etc. etc. Quanto ao Partido dos Trabalhadores, jamais fugimos da constatação de que no poder portou-se como os demais.


Hoje confiamos em Dilma Rousseff, de quem prevemos um desempenho digno e eficaz. O risco que ela corre, volto a repetir na esteira de agudas observações de Marcos Coimbra, está no fruto herdado de uma decisão apressada e populista, a da Copa de 2014. Se o Brasil não se mostrar preparado para a empreitada, Dilma sofrerá as consequências do descrédito global.


No mais, desta vez dirijo minha pergunta aos leitores em lugar dos meus botões: qual é a mídia chapa-branca?



 
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terça-feira, 13 de março de 2012

Dilma de ferro.

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O título é uma óbvia brincadeira com o apelido da ex-primeira ministra inglesa e que deu nome ao atual filme de Meryl Streep.


Mas é também um alerta sobre como a presidenta do Brasil tem conduzido seu governo. Dilma tem uma característica muito marcante em sua administração e que até sítios internacionais já destacaram (clique aqui para ver):  ela manda!


Ao contrário do seu antecessor, Dilma jamais poderá alegar desconhecer algo de seu governo. Ela segue uma linha de raciocínio e costuma ceder pouco as suas convicções. Por um lado isso é bom, porque deixa os aproveitadores de plantão alertas de que "hay gobierno". Por outro, ela insiste em situações que vão contra o desejo dos setores mais progressistas, como no caso de "Anta" de Holanda na Cultura, ou como o veto ao material educativo anti-homofobia e a campanha carnavalesca do mesmo tema. 


Além disso, sabemos que o PIG (Partido da IMPRENSA Golpista, segundo o jornalista Paulo H. Amorim) força algumas situações para constrangê-la diante de seus aliados. A direita está muito incomodada com o governo ter a maioria no legislativo e sabem que, assim, Dilma consegue aprovar todas as mudanças sociais e políticas que deseja, o que a amedronta. 


Mas, quem acompanha a política diariamente e ouve comentários aqui e acolá percebe que, de fato, a presidenta é um osso duro de roer e o que até o momento é visto como positivo por parte da população (a velha e preconceituosa história da faxina), pode se tornar um revés. 
Gostemos ou não, como mostra o filme citado aqui no começo, uma presidenta que não tiver habilidade em agradar gregos e troianos nesse sistema capitalista pseudo-democrático que ela apoia, pode rodar. Para que isso não aconteça ela precisaria do apoio da sociedade civil mobilizada, mas são exatamente estes que ela tem contrariado nas políticas culturais, de saúde e reforma agrária, por exemplo. 


Sairiam as ruas para defendê-la em casos de abuso da direita?


Que Dilma não se diferencia da Dama de Ferro apenas por sua ideologia (afinal, pelo menos neoliberal ela não parece ser), mas que saiba manejar a política de forma a evitar o retrocesso em 2014 com a volta do PSDB!

 
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domingo, 11 de março de 2012

Agenda: março de 2012

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Tanta coisa pra fazer, se divertir, refletir e crescer. Você pode escolher! Santos e São Paulo.


SANTOS


Os Insistentes - Blues

Parque Municipal Roberto Mário Santini (Emissário Submarino)
11/03 - 19h




Quarteto de Cordas Martins Fontes

Igreja Nossa Senhora dos Navegantes (Av. Saldanha da Gama, 114 - Santos/SP)
11/03 19h




Orquestra Sinfônica Municipal de Santos

Teatro Coliseu (Rua Amador Bueno, 237 - Centro Histórico - Santos/SP)
13/03 - 20h30 - Programa de apresentação (Clique aqui




180 graus

Cine Arte - Posto 4 (Orla do Gonzaga ao lado do canal 3 - Santos/SP)
16à 22/03 - 16h, 18h30 e 21h Ingressos: R$ 3,00 (inteira) e R$ 1,50 (meia-entrada - estudantes, maiores de 60 anos e menores de 18 anos, com apresentação do R.G. e professores da rede estadual de ensino).

Brasil / 2011 / 90 minutos / cor / 35 mm
Direção - Eduardo Vaisman
Elenco - Eduardo Moscovis, Malu Galli, Felipe Abib
Classificação – 14 anos




Carobamdé

Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15 - Santos/SP)
18/03 17h



SÃO PAULO


12 a 18.03 - V Festival Ibero-Americano de Teatro - Memoria da America Latina, ao lado do metro Barra Funda (clique aqui para ver como chegar)
Com entrada franca (Grátis), o Festibero traz peças de Portugal, Espanha, Brasil, Argentina, Uruguai, México e Paraguai, mesas de debates e oficina. Na abertura, às 20h30, a atriz Cleide Yáconis será homenageada. Auditório Simón Bolívar (plateias A e B) e Circo Teatro Paratodos.


AUDITÓRIO SIMÓN BOLÍVAR
12.03| Segunda-feira | 21h |Plateia A / Brasil, São Paulo, SP
Luis Antonio- Gabriela
Autor e diretor: Nelson Baskerville. Documentário cênico da história de um jovem homossexual que parte para a Espanha para fugir do conservadorismo dos anos 60 no Brasil. Lá, ele assume o nome de Gabriela e se apresenta em boates. Cia Mungunzá de Teatro.
13.03 | Terça-feira | 19h | Plateia B / Montevideu – Uruguai
Don Mario y los otros
Autor: Mario Benedetti. Seleção e adaptação de Raquel Gutierrez. Direção: Gloria Levy. Quatro atores buscam penetrar na pele das diferentes personagens que, baseado na realidade de uma época obscura do Uruguai, Mario Benedetti imaginara.
13.03 | Terça-feira | 21h | Plateia A / Brasil, São Paulo
O beijo no asfalto
Autor: Nelson Rodrigues. Direção: Marco Antonio Braz. Um homem atropelado por um ônibus pede, antes de morrer, um beijo a um jovem que se debruçara para socorrê-lo. Um repórter e um delegado presenciam a cena, interpretam-na a seu modo e desencadeiam uma verdadeira perseguição ao rapaz.
14.03 | Quarta-feira | 19h | Plateia B / Espanha, Barcelona
Katastrophe
Autor: Alex Serrano e Pau Palacios. Direção: Alex Serrano. Katastrophe questiona a existência de alguma diferença entre uma catástrofe natural, provocada pelo homem, e uma catástrofe humana. Nutre-se da linguagem cênica que define o Grupo Señor Serrano: performance, dança, vídeo em cena e tecnologia interativa.
14.03 | Quarta-feira | 21h |Plateia A / Brasil, São Paulo
Ridículos, ainda e sempre
Autor: Daniil Kharms. Diretor: Hugo Possolo. Cia Parlapatões. Cinco pessoas totalmente ridículas vivem situações aparentemente desconexas entre si. Encontros amorosos, discussões sobre política, disputas esportivas.
15.03 | Quinta-feira |19h | Plateia B / Brasil, São Paulo
Quase nada
Autor: Grupo Sobrevento. Diretor: Luis Andre Cherubini. Colagem de diferentes cenas que exploram elementos do teatro de bonecos, da dança, do teatro visual e gestual, compondo um certo retrato de um terceiro mundo que se encontra em diferentes lugares e épocas, resultando numa espécie de colcha de retalhos – às vezes
poéticos, às vezes engraçados.

15.03 | Quinta-feira | 21h | Plateia A / Assunção, Paraguai
Lo que más me gusta de Federico
Autor: Textos de Federico Garcia Lorca. Diretor: Marcela Gilabert. Uma viagem pela poesia de Federico Garcia Lorca desde 1918 a 1935, passando por seu "Primeiro livro de poemas", "Canções", "Poemas del cante jondo" "Romancero Gitano" "Poeta em Nova York" e talvez seu livro mais conhecido, "Pranto por Ignacio Sánchez Mejía" .
16.03 | Sexta-feira | 19h | Plateia B / Argentina, B. Aires
Um único mundo
Autor: Leandro Calderone/ Gabriela Fiore (e direção). Um só ator (Carlos Vignola),nove personagens e uma história de amor na conquista da America.
16.03 | Sexta-feira | 21h | Plateia A / Brasil, São Paulo
As três velhas
Autor: Alejandro Jodorowsky. Diretor: Maria Alice Vergueiro. Cia Teatro Pândega. Descrita como um "melodrama grotesco", a peça elege os temas do conflito entre os gêneros, a velhice e o sexo, e se debruça sobre eles através de uma narrativa nãolinear, um tanto "lisérgica".
17.03 | Sábado | 19h | Plateia B / Brasil, São Paulo
A bilha quebrada
Autor: Heinrich von Kleist. Diretor: Marcio Aurelio. Um velho, manco e careca, o juiz Adão, manda e desmanda. Está habituadoa cometer os mais diversos tipos de atrocidades, até que a comarca recebe uma inesperada visita de seu superior, no mesmo dia em que a parteira Marta exige que se encontre o responsável pela destruição de sua bilha de estimação.
17.03 |Sábado |21h | Plateia A / México, Cidade do México
Mariachi Clown
Autor: Roberto Avendaño. Diretor: Roberto Avendaño. Três "mariachis", em sua tentativa para interpretar música mexicana realiza uma série de jogos cênicos e improvisações humorísticas, usando elementos da cultura popular mexicana, como jogos, dança e a música mexicana.
18.03 | Domingo |19h |Plateia B / Montevideu, Uruguai
Como evitar enamorarse de un boludo
Autor: Marcelo Puglia e adaptação de Jorge Denevi. Diretor: Jorge Denevi. O espetáculo conquista pela simplicidade do texto, adaptação de Jorge Denevi para o livro de Marcelo Puglia "Me apaixonei por um idiota. É tido como "um manual de sobrevivência para mulheres que amam sempre o homem errado".
18.03 | Domingo | 21h | Plateia A / Porto - Portugal
Um punhado de terra
Autor: Pedro Eiras. Diretor: José Leitão. A história de um homem, de uma vida, a história do mundo. O ator é o narrador, um contador de histórias. Dança, sujase de terra, lava-se na água, gesticula, ritualiza, emocionase. A história de um escravo, da sua dor e de seu tempo. Memoria da America Latina, ao lado do metro Barra Funda (clique aqui para ver como chegar)







Cine-debate promovido pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo que discute o premiado filme Patrik 1.5 cuja temática principal é a adoção por casais homoafetivos. - A Escola da Defensoria Pública do Estado divulga o 13º Cine-Debate da EDEPE com a exibição do filme "Patrik 1.5, a ser realizado no dia 20 de março de 2012, terça-feira, das 19h às 22h, no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) - Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo/SP.
Para mais informações, clique aqui.





 
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segunda-feira, 5 de março de 2012

Domingo Espetacular e o MMA.

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Assistir a essa matéria do Domingo Espetacular sobre o MMA é impressionante!
O que me indigna é que não é um caso isolado, como vão tentar dizer, ou um acidente. O que aconteceu com esse garoto é consequencia sim de uma barbárie estúpida chamada MMA, UFC ou o raio que o parta.
Pra mim isso não é esporte, assim como os gladiadores na Roma antiga também não era. Pra mim, a legião de seguidores disso é um retrato do fracasso da civilização.



 
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domingo, 4 de março de 2012

A homofobia na educação brasileira.

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De vez em quando escrevo aqui textos que, creio, podem provocar a reflexão de educadores e arte/educadores (clique aqui para ver o que já publiquei).

Hoje escrevo sobre um tema muito presente na minha experiência de arte-educador e que gerou um desejo de me especializar na temática como vertente de trabalho: a homofobia e os direitos sociais.

A fase da pré-adolescência e adolescência é o momento mais fácil de se detectar a orientação sexual dos
educandos. E em algumas crianças, os sinais são gritantes.

É incrível como em quase todos os ambientes, rico ou pobre, formal ou informal, os educadores e cordenadores não sabem como lidar com essa informação, muitas vezes reproduzindo discursos preconceituosos e reafirmando atitudes homofóbicas dos demais colegas de turma da criança. 

Sendo assim, para começar a tratar desse tema no blog reproduzo um trecho do TCC de Marcelo Ricardo Prata, do curso de Serviço Social da PUC-RJ que chama:
Serviço Social e Homossexualidade.




1.3 – A homofobia na escola


A escola, depois da família, é o segundo grupo social mais importante para os indivíduos, já que é neste complexo grupo que o sujeito aprimora seus conhecimentos trazidos de casa e passa a conhecer outros universos. Em setratando de civilização brasileira, avançamos muito pouco com relação às idéias sobre o corpo, a alma e a sexualidade inculcadas no século XVI. A situação é ainda mais acentuada quando fazemos referência às questões de ordem sexual no âmbito da educação escolar. Este tema é, em geral, visto com olhar  “enviesado”, estreito, apesar da sociedade democrática ter escolhido a partir do século XVIII, as instituições de ensino, em todos os níveis, para acolher as
grandes questões que inquietam o meio social. A homossexualidade é tema que educadores, sejam diretores, coordenadores ou professores, com ou sem pósgraduação,
fazem questão de silenciar, causando assim, a exclusão de vários meninos e meninas do núcleo escolar. Para melhor entendermos o conceito de exclusão, recorro a Sposatti, que nos mostra que:

“Exclusão social é a impossibilidade de
poder partilhar da sociedade e leva a
vivência da privação, da recusa, do
abandono e da expulsão, inclusive com
violência de uma parcela significativa da
população, por isso, a exclusão social
não é só pessoal, não se trata de um
processo individual, embora atinja
pessoas, mas de uma lógica que está
presente nas varias formas econômicas,
sociais, culturais e políticas da sociedade
brasileira. Esta situação de privação
coletiva é que está se entendendo por
exclusão social”.

(SPOSATTI, Adaiza. Mapa da Exclusão/inclusão
social na cidade de São Paulo. EDUC,
São Paulo, 1996, p. 05.)

Não seria oportuno, no âmbito da educação escolar, uma reflexão sobre o assunto? Poderíamos continuar indiferentes à problemática da sexualidade.

Diriam, assim, alguns educadores: “Se não sou homossexual, o que tenho a ver com os que o são?”. Exatamente, por se ter nossa orientação sexual resolvida, devemos ter uma preocupação com aqueles que, sendo crianças ou
adolescentes, estão se definindo sexualmente para a vida?

Ao fazer referência às escolas públicas, a questão da homossexualidade sofre com um preconceito muito acentuado. Nas escolas privadas, pouco se discute,
pouco se fala, pouco se reflete, gerando, não poucas vezes, comportamentos sutilmente agressivos de professores com relação aos alunos homossexuais, sejam meninos ou meninas. Nestas escolas privadas, aceita-se o matriculado,
mas não se tolera o educando com tendência homossexual. A diferença entre escola pública e privada, nesse particular, é que, naquela, não há o princípio de tolerância.

É na escola que meninos e meninas aprendem ou apreendem o convívio social com o resto da sociedade, já que a educação escolar não pode ser vista como o único meio de aprendizado, mas a continuação e aprimoramento dos saberes passados pelo convívio familiar, principalmente quando se pensa em educação e relação com o corpo. Para completar esta afirmação é preciso definir e
conceituar Educação, segundo Brandão:


“Não há uma forma única, nem um
modelo único de Educação a escola não
é o único lugar onde ela acontece e,
talvez nem seja o melhor, o ensino
escolar, não é essa a sua única pratica e
o professor profissional não é o seu
único praticante”.

(BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação?
26ª edição, Editora Brasiliense, Coleção
Primeiros Passos, São
Paulo, 1991. p.09.)

As últimas pesquisas sobre sexualidade na escola revelam dados preocupantes, dignos de serem urgente e amplamente debatidos. Dados estes que precisam ser reconstruídos na direção da transformação da sociedade, combatendo (e
não reproduzindo) as diversas formas de exclusão. Uma direção em que o eixo é a promoção da cidadania: o respeito às diferenças, à convivência democrática com a diversidade, rumo à inclusão e a uma maior justiça social. Apresento a
seguir, o perfil dos professores brasileiros, de escolas públicas e privadas, nas 27 Unidades da União, segundo pesquisa feita pela UNESCO (Organização das
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em parceria com o Ministério a Educação:



81% declararam ser mulheres


18,5% declararam ser homens


59,7% declararam ser inadmissível que uma pessoa possa ter


experiências homossexuais


21% declararam não desejar ter como vizinhos homossexuais


(UNESCO. IN: Folha de PE, 25/02/2004.)

O referido índice de intolerância surpreende e preocupa, considerando dentre outras questões, o “poder” de influência dos professores, que nos jovens chega a ser maior que a dos próprios pais.

Outra pesquisa intitulada “Juventudes e Sexualidade” realizada pela Unesco no ano de 2000, em 14 capitais (dentre estas, Recife), com 16.422 alunos, 3.099
educadores e 4.532 pais e mães de alunos(as) de 241 escolas, revelam que:


27% dos alunos declararam que não gostariam de ter homossexuais
como colegas de classe.
35% dos pais(os homens mais preconceituosos: chegando a 60% em
Recife) e mães de alunos declararam que não gostariam que seus filhos
tivessem homossexuais como colegas de classe.
15% dos alunos declararam que consideram a homossexualidade doença
(UNESCO. IN: Folha de PE, 25/02/2004.)


Estes últimos dados indicam, que mesmo aparentemente liberais, os jovens dessa geração também têm seus traços de intolerância. Neste tocante presenciamos no cotidiano escolar alunos humilhando outros só porque são
homossexuais, reproduzindo a “homofobia” ainda muito presente na nossa sociedade, contribuindo assim para a exclusão social e a injustiça de quem as sofre.

A homofobia, aversão a pessoas que têm atração sexual por pessoas do mesmo sexo, tem sido enfrentada pelo Governo Federal através do

Programa Brasil sem homofobia ,  lançado em maio de 2004, que possui uma variedade de ações para promover o respeito à diversidade sexual, como por exemplo, o direito à Educação, que visa promover valores de respeito à paz e a não discriminação por orientação sexual.

No âmbito da educação escolar, precisamos acirrar as reflexões e ações, pois não podemos continuar tratando com “invisibilidade” a sexualidade que está presente na escola com toda a sua complexidade e diversidade, pois ainda nos
defrontamos com posturas machistas, sexistas, preconceituosas e indiferentes
no cotidiano escolar, tais como: “se não sou homossexual, o que tenho a ver
com os que são?”; uma travesti que prefere usar seu nome feminino, em vez do de batismo, e o professor insiste em chamá-la pelo nome de batismo. E onde fica o respeito em não tratá-la como ela prefere (como se reconhece).? E a
professora que não aceita o aluno de brinco na escola? E a professora que solicita nas entrelinhas das inquietações apontadas nas capacitações sobre sexualidade, “receitas” para corrigir as “tendências homossexuais dos(as)
alunos(as)?

Ainda com a idéia de que a orientação sexual é uma opção, de que é aprendido,
de que você pode educar uma pessoa para ser heterossexual ou homossexual.
Para além da situação extrema do assassinato, muitas outras formas de
violência vêm sendo apontadas, envolvendo familiares, vizinhos, colegas de
trabalho ou de instituições públicas como a escola, as forças armadas, a justiça
ou a polícia, os números da violência são alarmantes, conforme nos mostra
Mott:

“A violência letal contra
homossexuais - e mais especialmente
contra travestis e transgêneros - é, sem
dúvida, uma das faces mais trágicas da
discriminação por orientação sexual ou
homofobia no Brasil. Tal violência tem
sido denunciada com bastante
veemência pelo Movimento GLTB, por
pesquisadores de diferentes
universidades brasileiras e pelas
organizações da sociedade civil, que têm
procurado produzir dados de qualidade
sobre essa situação. Com base em uma
série de levantamentos feitos a partir de
notícias sobre a violência contra
homossexuais publicadas em jornais
brasileiros, os dados divulgados pelo
movimento homossexual são alarmantes,
revelando que nos últimos anos centenas
de gays, travestis e lésbicas foram
assassinados no País. Muitos deles,
como Édson Néris, morreram
exclusivamente pelo fato de ousarem


manifestar publicamente sua orientação

sexual e afetiva”.
(  MOTT, Luiz. Os homossexuais.
As vítimas principais da violência.
IN: G.Velho, Alvito(orgs.). cidadania e
violência. Editora UFRJ/Editora
2FGV, 1996. p. 50.)

Muitas vezes os professores não apenas silenciam, mas colaboram ativamente na reprodução de tal violência, já que muitos não gostariam de ter alunos homossexuais, mas alguns consideram que as brincadeiras não são manifestações de agressão, naturalizando e banalizando expressões de preconceito e, esquecendo-se da violência simbólica imbutida no discurso. Não podemos falar em violência escolar, sem definirmos em algum momento o que é e, que representa a violência, como nos mostra Costa:

“Violência é o emprego desejado da
agressividade com fins destrutivos.
Agressões físicas , brigas, conflitos
podem ser expressões de agressividade
humana, mas não necessariamente
expressões de violência, a ação é
traduzida como violência pela vítima,
pelo agente ou pelo observador. A
violência ocorre quando há o desejo ou
intenção de destruição”
(COSTA, Jurandir Freire. IN: FUKUI, L.
 Segurança nas escolas. IN: Zaluar, Alba
(org.). Violência e educação.


Editora Cortez, São Paulo, 1992, p. 103.)


A violência no âmbito escolar não pode ser reduzida apenas ao plano físico. Neste ambiente plural as agressões vão desde um apelido “inocente” até chegar às agressões físicas de fato.

A idéia da a violência física associada com a criminalidade faz com que a violência simbólica passe despercebida pelos
bancos escolares. Também não podemos deixar de mencionar, que a violência ocorrida no espaço escolar vem de fora dele, por causa das questões sociais, já que em muitos casos, algumas crianças que passaram ou que ali estão sofrem ou sofreram por violência anterior a escolar. Nunam define três tipos de violência doméstica que acabam se repetindo no espaço escolar:


“Agressão física pode ser caracterizada
por qualquer comportamento, que utilize
força física, cuja conseqüência são
danos corporais ou destruição de
propriedade; a violência psicológica
tende a se manifestar através de
intimidação, humilhação, ameaças,
agressões verbais, isolamento social e
dependência financeira forçada e a
agressão sexual está relacionada a atos
sexuais não-consensuais ou que visam
humilhar o parceiro com relação a seu
corpo, desempenho sexual ou
sexualidade”.
(Nunan, Adriana. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
ENTRE CASAIS HOMOSSEXUAIS: O
SEGUNDO ARMÁRIO? 2003. Rio de Janeiro.)

Quando falo em escolarização formal penso no sistema educacional que não consegue lidar com casos tão específicos quanto os dos homossexuais masculinos e femininos; travestis ou transgêneros, apesar dos Parâmetros
Curriculares Nacionais estabelecerem que:



“Se a escola que se deseja deve ter uma
visão integrada das experiências vividas
pelos alunos, buscando desenvolver o
prazer pelo conhecimento, é necessário
que ela reconheça que desempenha um
papel importante na educação para uma
sexualidade ligada à vida, à saúde, ao
prazer e ao bem-estar, que integra as
diversas dimensões do ser humano
envolvidas nesse aspecto”
(BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental.
Parâmetros Curriculares Nacionais: pluralidade
cultural, orientação
sexual. Brasília, MEC, SEF, 1997. p. 80.)


O ambiente escolar é responsável pelo grande número de jovens agredidos por causa de sua orientação sexual, já que as crianças não têm em suas famílias acesso ao diferente, ao plural e, ao entrarem para a escola excluem de seus
meios tudo aquilo que não lhes parece normal em âmbito familiar. Não raro encontramos um menino ou uma menina sendo “massacrados” por piadinhas e apelidos maldosos, simplesmente por não estarem cumprindo seus papéis

sociais: menino joga bola e, menina brinca de boneca. O que não corresponde a esta realidade está fora da normalidade e é errado. Esta intolerância se mostra mais agressiva e mais visível, quando o adolescente homossexual começa a
demonstrar sinais claros de se tornar um possível travesti ou transgênero na idade adulta como nos mostra Mott, acerca da homossexualidade adolescente:

‘’Geralmente, quando ainda estão
cursando o ensino fundamental, por volta
dos 13 ou 14 anos, as jovens travestis
começam os processos de hormonização,
depois vem a siliconização e o
preconceito. A família, principalmente no
Nordeste, não aceita e o garoto é expulso
de casa. O único meio de vida é a
prostituição. Costumo comparar a
travesti a uma ilha, só que ao invés de
estar cercada de água por todos os lados
está cercada pela violência”


A homossexualidade dentro da escola é tratada do mesmo modo como é tratada fora dela, ou seja, a partir dos papéis sociais/sexuais impostos pela sociedade a homens e mulheres na vida cotidiana. As relações de poder também estão presentes no imaginário popular no que diz respeito à sexualidade humana, já que o poder está relacionado à masculinidade, enquanto ao feminino cabe a delicadeza e a sensibilidade. Neste ambiente, podemos observar que as
relações sexuais também passam pelo crivo social dos papéis sexuais/sociais.


A idéia de que o homossexual ativo é aquele que domina a relação e, o passivo é o que se deixa dominar (o que exerce no caso dos homens o papel da mulher) ocorre em inúmeras sociedades. Neste Brasil que chamamos – ou pelo menos
achamos ser – livre de preconceitos não seria diferente: a regra social é quem dita o que homens e mulheres devem cumprir para que sejam aceitos por ela,
imprimindo sua marca machista nos sujeitos, conforme nos mostra Fry:


‘O menino é chamado de bicha, não
simplesmente porque se supõe que ele
goste de manter relações homossexuais,
mas porque ele é “efeminado
(desempenha o papel feminino) e porque
se mantiver um relação homossexual
desempenhará um papel femininamente
passivo. O rapaz que desempenha o
papel masculino e que poderia ser o
parceiro sexual da bicha(por tanto
mantendo uma relação homossexual), é
chamado de homem ou de machão.”

Por isso, é importantíssimo ao se falar de homossexualidade, falarmos dos papéis sociais aos quais homens e mulheres são submetidos em nossa sociedade. Ao homem, cabe a virilidade e o sustento da casa e, às mulheres a delicadeza e o cuidado com a casa - mantendo-a sempre limpa e organizada,
bem como a educação dos filhos. No âmbito escolar, o aluno “passivo” sempre é punido e o “ativo” permanece sempre como o machão, já que a passividade é um traço extremamente feminino. Esta movimentação é o que denominamos a divisão sexual da sociedade. A escola deve cumprir seu papel como educador, porém as culturas, as religiões e os gêneros devem ser respeitados e discutidos
em grupo. Ela precisa pregar a tolerância e não a intolerância, como podemos observar com este presente trabalho. Professores e profissionais da área devem
abrir seus olhos, livrando-os da cortina imposta pela sociedade burguesa moralista e trabalharem a favor da ética e do respeito ao próximo, sem distinções.

É neste contexto contraditório de papéis sociais/sexuais que aparece a violência contra homossexuais, já que para sociedade, o correto, o certo, o normal é que um homem aja socialmente – refiro-me a atitudes - como o homem ditado por ela e se relacione sexualmente com uma mulher e vice-versa, o contrário está caracterizado como anormal, errado.

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quinta-feira, 1 de março de 2012

Direita paulista: um pouco mais do mesmo.

(clique no título acima para ver a postagem completa)

Interessante constatação do cientista político Carlos Melo:


"Em 1996, o candidato do PSDB à Prefeitura foi José Serra, 


em 2000 foi Geraldo Alckmin, em 2004 foi Serra 


novamente, ano em que foi eleito prefeito, em 2008 foi o 


Alckmin e, agora, em 2012, será Serra de novo"


Nas eleições para o governo do Estado:


2002 - Alckmin


2006 Serra


2010 - Alckmin


E para presidente:


2002 - Serra


2006 - Alckmin


2010 - Serra


Conclusão: O coronelismo assola São Paulo

 
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